Dia das Crianças – tenha cuidado ao comprar o presente

Ao comprar o presente para o Dia das Crianças, os pais devem ficar atentos. Os brinquedos, mimos mais desejados pelos pequenos, estão em 4º lugar na lista do Inmetro de produtos causadores de acidentes de consumo em 2014, atrás apenas de eletrodomésticos, utensílios domésticos e embalagens.

É preciso verificar se a mercadoria é segura. No Brasil, todos os brinquedos comercializados devem ser certificados, sejam nacionais ou importados. Para obterem o selo do Inmetro, eles passam por testes: de impacto (que verifica o surgimento de partes pequenas ou cortantes em caso de queda), de mordida (que avalia se ele pode gerar partes pequenas, pontiagudas ou perigosas quando arrancadas com a boca), químico (que analisa a presença de substâncias nocivas à saúde) e entre outros.

Outra informação a ser observada na embalagem é a recomendação de idade. Em alguns casos, os pais ou familiares acreditam que a criança é muito desenvolvida e optam por comprar presentes que não são adequados a sua idade. Dr. Rodrigo Felgueira explica que “a idade não tem nada a ver com a maturidade cerebral, mas com a segurança/risco que o brinquedo pode trazer.”

Ao manipular brinquedos “inadequados” a sua faixa etária, a criança pode ter uma série de problemas, como contaminação de mucosa (ocular ou de boca), além de intoxicação, no caso de massinhas de modelar. Em casos extremos, pode haver obstrução intestinal, uma vez que estes produtos não são digeríveis.

Outra complicação – de aspiração de um corpo estranho – é ainda mais comum e normalmente ocorre em crianças com idade pré-escolar, entre 2 a 5 anos. “O principal caso é a broncoaspiração, quando a criança coloca um objeto bem pequeno (do brinquedo) no nariz e ele se acumula numa região do pulmão, onde pode ficar por semanas ou meses. Às vezes, ela nem engasga. O objeto passa pela laringe, vai para o pulmão e lá permanece”, explica.

A criança então começa a apresentar pneumonia e bronquite de repetição, pois as bactérias se aglomeram em volta do objeto. O diagnóstico é clínico e costuma ser bem difícil. “Porém, após diagnosticado, o tratamento é simples e consiste na realização da broncoscopia, que retira o corpo estranho.”

Para evitar ocorrências como estas, Dr. Rodrigo Felgueira também orienta a separar os brinquedos dos mais velhos. As crianças são muito rápidas e podem se machucar ainda que haja a supervisão de um adulto na brincadeira.

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Fonte

Rodrigo Felgueira – Médico pediatra do Hospital São Luiz Jabaquara.

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