Internação hospitalar compromete saúde bucal

Do ponto de vista do paciente, ficar internado num hospital não é nada agradável. Mas pode ser ainda pior quando outros problemas começam a surgir. Estudo divulgado no Journal of Clinical Periodontology (Estados Unidos) acompanhou 162 pacientes internados por quinze dias, desde a internação até a alta hospitalar. O que se descobriu é que os níveis de placas bacterianas e gengivite aumentaram consideravelmente no período. Mais: a maioria dos hospitais não seguia um procedimento padrão com rotinas relacionadas à higiene bucal dos pacientes.

Quando a internação envolve pacientes idosos, pesquisadores revelam que os problemas aumentam, já que uma saúde bucal comprometida pode impactar diretamente o aspecto nutricional dessas pessoas, exigindo que os alimentos sejam selecionados com mais critério. Nesse sentido, como um efeito dominó, há também perda de qualidade de vida, de bem-estar e autoestima durante os dias de internação.

Na opinião do Dr. Artur Cerri, a falta de padronização do atendimento em saúde bucal no ambiente hospitalar é um dos principais motivos para o declínio da saúde oral do paciente internado. O problema que motivou a internação acaba recebendo todas as atenções e os impactos desse procedimento no bem-estar geral do paciente não são considerados. “Em determinados casos, são os familiares que acabam se incumbindo dos cuidados com a higiene bucal do paciente. Obviamente, isso faz muita diferença, mas seria ideal que o paciente recebesse cuidados específicos e protocolados da equipe de saúde. Além de contribuir para melhorar o estado geral do idoso, esse bem-estar ajudaria a aumentar a adesão ao tratamento da doença de base.”

Um dos principais problemas relacionados ao idoso é a boca seca. De acordo com o Dr. Cerri, uma pessoa de 60 anos tem metade da quantidade de saliva de um jovem. A boca fica seca e desconfortável, dificultando a deglutição e diminuindo a resistência bucal. Quando essa condição passa despercebida e não é tratada a tempo, pode resultar na perda dos dentes. A síndrome da boca seca acelera o aparecimento de cáries, infecções bucais e, principalmente, gengivite – e compromete não só os dentes do idoso, como também sua saúde geral, já que ele passa naturalmente a comer menos e ingerir apenas alimentos macios ou líquidos.

“Trata-se de um ciclo vicioso que precisa ser interrompido. Ao controlar a síndrome da boca seca, principalmente durante a internação, conseguimos manter a saúde oral do paciente em ordem, e assim evitar inflamações e infecções que levam a uma alimentação deficiente e, por conseguinte, comprometem sua recuperação e sua disposição física e mental”. O especialista diz que, com o tempo, até mesmo o paladar pode sofrer alterações.

Dr. Artur Cerri diz que, além de reportar o problema ao médico, para que ele faça ajustes nas doses das medicações ingeridas diariamente, é importante que as pessoas mantenham uma excelente higiene oral, escovando os dentes e fazendo enxágues diversas vezes ao dia, além de ingerir bastante líquido diariamente e adotar uma alimentação rica em alimentos com alto teor de água. “O idoso deve cortar o alimento em pedaços pequenos, acrescentando, por exemplo, uma boa fatia de melancia, abacaxi, ou melão ao prato principal. Essa rotina controla os efeitos da boca seca durante as refeições e evita que o idoso passe a comer menos e fique com a musculatura oral enfraquecida.”

http://www.dentalhealth.org/news/details/804

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Fonte

Prof. Dr. Artur Cerri – Diretor da Escola de Aperfeiçoamento Profissional da APCD (Associação Paulista de Cirurgiões-Dentistas)
www.apcd.org.br

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Heloisa Paiva
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