Câncer nas glândulas parótidas: o que você precisa saber?

Recentemente, a notícia do afastamento do técnico do Barcelona, Tito Vilanova, que está em tratamento contra um câncer nas glândulas parótidas, deixou muitas pessoas assustadas. Isso porque a maioria nunca sequer ouviu falar nesse tipo de câncer. Para conhecer melhor a doença, entrevistamos a Dra. Carolina Rutkowski, que esclareceu as principais características da doença.

 

1. O que é o câncer nas glândulas parótidas?

Dra. Carolina: É o câncer que se forma na glândula parótida. As glândulas parótidas são as maiores glândulas salivares de nosso corpo. São duas e estão localizadas na região do pescoço, logo abaixo e à frente de cada orelha.

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2. É um tipo de câncer comum?

Dra. Carolina: Não. Os tumores malignos de glândulas salivares representam apenas 6 – 8% de todos os tumores localizados na região de cabeça e pescoço e têm incidência média de 2,5 a 3 casos por 100.000 habitantes por ano. É importante dizer que de todos os tumores de glândulas salivares, mais de 50% são tumores benignos.

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3. Ele acomete mais adultos?

Dra. Carolina: Sim, a média de idade dos pacientes com tumor de glândula salivar é de 45 anos, com pico de incidência entre 60 e 70 anos.

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4. Quais são os principais sinais e sintomas?

Dra. Carolina: O aparecimento de nódulo ou aumento do tamanho da parótida é a forma de apresentação mais comum. Tumores geralmente são indolores, ao contrário de processos agudos, como as parotidites, que costumam gerar dor. Outros sintomas que podem estar relacionados são a paralisia facial (formigamentos e dificuldade em mover os músculos do rosto) e o aumento de linfonodos do pescoço.

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5. Como é diagnosticado?

Dra. Carolina: Diante de um tumor em parótida, somente a realização de uma biópsia permite determinar se é um tumor benigno ou maligno, neste caso, um câncer de parótida. A biopsia poderá ser realizada com aspiração por agulha fina (PAAF) ou biópsia com agulha grossa guiada por ultrassom. Exames de imagem, como a tomografia e o ultrassom, também são importantes para caracterização da lesão e programação do tratamento.

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6. Podemos dizer que é um tipo de câncer hereditário ou que tem alguma causa específica?

Dra. Carolina: O câncer de parótida não é um tipo de câncer hereditário e não há um fator específico que seja conhecido e responsável por causar o câncer de parótida. Existem, entretanto, alguns fatores de risco que parecem estar relacionados com a doença, como a infecção pelo HIV, a exposição a radiação ionizante, a liga de níquel ou poeira de sílica. Muito raramente, os membros de algumas famílias parecem ter um risco maior do que o habitual de apresentar este tipo de câncer.

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7. Como é o tratamento?

Dra. Carolina: Os tratamentos comuns para o câncer da glândula salivar incluem:
* Cirurgia
* Radioterapia
* Quimioterapia

Para definição da melhor opção de tratamento, o médico levará em consideração a idade e saúde geral do paciente, bem como o tipo de câncer e a extensão da doença. Algumas vezes, dois ou mais destes tratamentos são utilizados em conjunto. Vale destacar que a cirurgia é a principal forma de tratamento em muitos casos. Na maioria das vezes, o cirurgião irá remover a parótida associada a algum tecido vizinho como margem de segurança. Caso seja um tumor de alto grau (ou seja, de crescimento rápido) ou já tenha acometido os linfonodos do pescoço, será realizada também a remoção dos gânglios linfáticos. Isto é chamado de linfadenectomia. A radioterapia pode ser usada no lugar da cirurgia em pacientes que não apresentam condições clínicas para se submeterem a um procedimento cirúrgico, ou ainda após a cirurgia, como um tratamento complementar. A quimioterapia é utilizada menos comumente no tratamento do câncer de parótida. Poderá ser indicada para pessoas cujo câncer acometeu órgãos distantes ou cuja doença não pôde ser controlada com a cirurgia e radioterapia.

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8. A taxa de mortalidade desse tipo de câncer é alta?

Dra. Carolina: Como regra geral, não. Mas é sabido que a taxa de mortalidade dependerá do estágio em que a doença se encontra ao diagnóstico, ou seja, da sua extensão. Em casos de câncer de parótida inicial tratados, 91% dos pacientes estarão vivos em cinco anos. Este número cai para cerca de 40% em casos de doença avançada ao diagnóstico.

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9. Que dicas você daria para as pessoas evitarem esse tipo de câncer?

Dra. Carolina: Como não há um fator de risco identificado e que possa ser prevenido para evitar este tipo de câncer, a dica é ter uma vida saudável. Dieta rica em verduras e frutas, pobre em gorduras saturadas, exercícios físicos regulares, manutenção do peso ideal, não fumar e evitar o consumo de bebidas alcoólicas são medidas que sabidamente diminuem a chance de uma pessoa desenvolver um câncer. Outra dica importante é, caso você note crescimento de nódulo ou massa no pescoço, sinta formigamentos ou dificuldade de mover os músculos do rosto, ou ainda alguma dor ou desconforto que não melhore, informe seu médico.

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Fonte

Carolina Rutkowski – Médica oncologista da Oncomed BH.

 

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Juliana Morato
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