William Harvey e a descoberta da circulação do sangue

Livro enfoca descoberta da circulação do sangue
Obra trata de médico e anatomista que viveu no começo do século XVII

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A vida e a obra de William Harvey são o tema deste livro de Regina Andrés Rebollo, que também inclui a obra fundamental do médico e anatomista inglês, traduzida diretamente do latim. Harvey, que viveu no começo do século XVII, quando ainda predominavam as concepções de Aristóteles acerca da anatomia, revolucionou a Medicina ao desvendar o sistema de circulação sanguínea.

Em ‘William Harvey e a descoberta da circulação do sangue’ (Editora Unesp, 296 páginas, R$ 42), a autora mostra um Harvey fortemente influenciado pelo ambiente intelectual da Universidade de Pádua, onde ele cursou Medicina durante seis anos, depois de obter formação de quatro anos em Artes. Naquela universidade concorriam duas grandes correntes filosóficas: um aristotelismo mais ligado à Escola e um aristotelismo menos “cristianizado”, o paduano, ambos consolidados nos século XVI. Dr. Harvey adere ao Aristóteles dos tratados sobre os animais, dos Segundos Analíticos, da Filosofia Natural, encontrando ali um modelo de ciência e, especialmente, um método de descoberta e justificação.

Considerada por alguns o resultado da prática da chamada “ciência médica experimental”, da qual Dr. Harvey seria um dos precursores, a descoberta do sistema de circulação do sangue resultaria, para outros, da perspectiva filosófica de forte tradição aristotélica de seu inventor. Para a autora, o trabalho de Harvey refletiria o “hibridismo” de uma época notoriamente influenciada pelo modelo tradicional de ciência, mas, ao mesmo tempo, pontuada por novas descobertas científicas: “Harvey põe em prática um projeto de pesquisa em anatomia humana e animal que o conduz a uma nova descoberta […]. Apesar disso, é suficientemente crítico para concordar apenas com as afirmações de Aristóteles que pudessem ser comprovadas por meio de suas próprias observações anatômicas.”

O livro apresenta uma síntese do De Motu Cordis, em que Harvey relata o sistema de circulação sanguíneo, “por si só, um belo exemplar da literatura científica”. Também traz concepções anteriores sobre o tema, discute a importância da herança metodológica de Aristóteles, Galeno e Acquapendente (decisivas para a descoberta de Harvey) e contextualiza a influência da Filosofia Natural. Traça ainda um rico perfil do anatomista, que abarca sua infância como filho de um comerciante próspero do sul da Inglaterra, sua formação e sua obra.

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A autora

Regina Andrés Rebollo, pós-doutorada em Filosofia pela USP, leciona na Universidade São Judas Tadeu. Tem experiência na área de Filosofia e História da Ciência, com ênfase em Filosofia e História da Medicina.

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O tema de estudo

William Harvey (1578-1657) é considerado um dos principais expoentes da história da Medicina, por ter descrito pela primeira vez em detalhes o sistema de circulação do sangue. Doutorou-se em Cambridge, em 1602, dedicando-se a partir de então ao exercício da Medicina e a estudos correlatos. Em 1609, foi nomeado professor de Anatomia e Cirurgia no Royal College of Physicians.

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Frases de William Harvey

“Quando pela primeira vez me entreguei à prática de múltiplas vivissecções a fim de observar e averiguar por meio da autópsia, e não por meio de livros e escritos de outros, o movimento, a função e a utilidade do coração nos animais, considerei que a tarefa era tão árdua e tão cheia de dificuldades, que quase cheguei a pensar, como Fracastoro,33 que o movimento do coração poderia somente ser conhecido por Deus […].”

“No quarto ou quinto dia de incubação do ovo da galinha, retirada sua casca e imerso em água limpa e morna, observei que o primeiro rudimento de galinha se apresenta como uma pequena nuvem. No meio dessa pequena nuvem, há um ponto de sangue palpitante tão exíguo que, quando contrai, desaparece e escapa à vista e ao relaxar, torna a surgir como uma elevação pontiaguda de cor vermelha. Assim, as palpitações começam a revelar o princípio da vida, oscilando entre o que agora se vê e logo não se vê e entr e o que agora é e logo não é.”

“Ao observar o tamanho e a simetria dos ventrículos do coração e dos vasos que chegam ou dele saem, refleti que a natureza, que não faz nada em vão, não teria dado inutilmente a esses vasos um tamanho tão grande.”

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