Um relato de quem esteve dentro: 200km de União

 Um revezamento de verdadeira superação, o 3º Desafio 200 k Goiânia-Brasília, no dia 3 de março, reuniu uma turma de corredores que merece destaque. Equipes de renome da nossa cidade (veja o resultado no quadro) encararam a madrugada chuvosa, os perigos da estrada, as subidas intermináveis, o cansaço e o clima adverso para completarem com muita garra o percurso da capital goiana até a 413 sul.

O atleta Sérgio Pereda, da equipe Pede Vento/Cordf, fez um relato do Desafio, que transcrevo nesta coluna. A esse “bando de loucos”, os nossos parabéns pela árdua conquista.

“Depois de semanas de preparação e de treinos fortes com foco no nosso maior desafio, é chegado o dia da viagem. No sábado, dia 2 de março, saímos de Brasília a tarefa de percorrer 200 km. Mesmo sendo uma prova de revezamento de 10 atletas, há que se levar em conta tudo o que envolve uma prova deste porte, como muito planejamento, organização, decisão, união, determinação, força, alegria, tristeza, sofrimento, dor, e vontade de vencer. Não vencer a prova propriamente dita, mas sim vencer os desafios de uma prova desconhecida.

A noite de sábado para domingo foi agitada, começando com a reunião derradeira, ocorrida no saguão do hotel onde ficamos hospedados, na qual pudemos acertar os últimos detalhes, seguida de um jantar próximo ao hotel e retorno para algumas horas de descanso.

Acordamos à 1h30 da manhã e às 2h partimos para o local da largada. Ao sairmos do hotel nos deparamos com um tempo chuvoso, o que foi aumentando gradativamente até a hora da largada, às 3h da manhã. Pouco antes da largada nos reunimos na van para fazermos nossa oração e pedirmos a proteção de Deus para nossa longa jornada, não só para nossa equipe, mas também para todos envolvidos na prova, seja na organização ou como atletas. A proteção Dele foi fundamental e todas as equipes chegaram sem nenhuma ocorrência.

Após a oração, nosso atleta Muniz passou a realizar seu aquecimento. Apesar da chuva, a temperatura estava agradável. Porém, neste horário de prova, o desafio era enxergar o acostamento, já que o breu da noite era cortado apenas pelas pequenas “headlamps” dos atletas que desbravavam a BR 060.

Em alguns momentos, veículos passavam pelos atletas e deveriam se perguntar o que um bando de loucos estaria fazendo correndo naquele horário numa BR. Suas luzes nos favoreciam, enquanto que as que vinham na pista contrária prejudicavam ainda mais nossa reduzida visão. Se por um lado a escuridão nos deixava apreensivos, do outro nos ajudava para não visualizarmos ao longe as intermináveis subidas que enfrentaríamos.
A noite foi passando e depois de estarmos em último lugar no segundo percurso, fomos ganhando confiança e a ajuda dos companheiros, que além de correr ainda pedalaram junto com outros corredores, e assim, novas posições foram sendo alcançadas. Logo após a largada a chuva passou e após o segundo trecho ela não mais retornou.

A madrugada foi sendo engolida pelos primeiros raios de luz da manhã, momento em que a temperatura, que até então estava agradável, foi dando lugar a um friozinho, o que era bom para quem estava correndo seu trecho. E assim, trecho a trecho, cada um fazia seu belo papel, e com a intervenção certeira do atleta Valdenir Feliz, os trechos foram sendo ajustados para que pudéssemos render melhor e buscarmos uma melhor classificação.

Com isso, com aproximadamente ¼ de prova, já pulamos do 5° para o 2° lugar, posição que mantivemos até o final da prova. Após a passagem apoteótica do atleta Feliz em dois adversários, na cidade de Anápolis, pudemos criar mais confiança e mantermos a determinação de corrermos cada percurso com mais vontade.

O dia foi passando e a equipe se mantinha totalmente unida, seja na van, no carro de apoio, pedalando, correndo ou parando diversas vezes em cada percurso para a hidratação dos atletas que ali batalhavam. Foram curvas infinitas e subidas intermináveis, e a cada posto de troca via-se no semblante de cada atleta que terminava seu percurso, o sentimento do dever cumprido e a satisfação por ter feito o seu melhor.

Foi assim com todos, e passo a passo, curva a curva, ladeira a ladeira é que fomos nos aproximando de Brasília. Cada atleta percorreu a média de 20 Km, alguns um pouco mais e outros pouco menos, mas todos com a mesma dedicação e percorrendo a média de três percursos alternados.

Confesso que no meu último já não tinha mais pernas, mas como eu não estava ali correndo só para mim, mas sim para um grupo, eu tinha que conseguir e pela força do amigo Júlio, que pedalou algo em torno de 100 km e ainda correu mais de 24 Km, pude completar meu último trecho.

Agora estávamos muito perto, fomos conquistando a passagem por Samambaia, Riacho Fundo (onde o Muniz correu muito forte), Núcleo Bandeirante (onde o Rocha rodou abaixo de 4 min/km), até enfim passarmos para nosso último atleta, o Jackson, (um atleta de Manaus que está em fase de treinamento de base aqui em Brasília), que aumentou nossa diferença para a equipe 3ª colocada e assim adentramos a Asa Sul e chegamos ao local da chagada exatamente após 13 horas, 31 minutos e 57 segundos de prova, cruzando a linha de chegada na quadra 413 Sul.

Lá estavam vários amigos do CORDF, com seu presidente Ruiter (que acompanhou com sua esposa um bom trecho de prova e ainda correu um percurso) e o vice Waldir, os quais transmitiram a todos nós a satisfação de ver nossa equipe chegar bem classificada na segunda colocação.

Foi uma prova dura, onde tínhamos vários adversários como o tempo, a chuva, o sol escaldante das horas mais críticas, o sono, a fome, o cansaço físico, mas todos esses ingredientes só tornaram nosso objetivo mais difícil de ser alcançado, porém nunca impossível, pois a união de uma equipe dita como os mais “velhinhos”, fez a diferença e podemos dizer sem medo de errar, foi muito sofrido, mas fazíamos tudo de novo!!!

Parabéns aos atletas da equipe, Muniz, Rocha, Dantas, Júlio, Tião, Moacyr, Feliz, Albenes e Jackson (e esposa que o acompanhou), à equipe de apoio, com a Consuelo e o Genésio, o qual foi responsável pela hidratação, atividade que fez a diferença para quem estava no percurso, e ao amigo José (e esposa que o acompanhou), motorista e fotógrafo, ao novo amigo Pedro Salazar, que acompanhou seu pai (Moacyr) e ainda coordenou de maneira precisa os revezamentos, por tudo o que fizeram para que pudéssemos completar com muito êxito uma prova tão complexa, os 200 K da Solidariedade – Goiânia-Brasília.

Hoje, podemos encher o peito de falar: Somos Ultra!! – Somos Endurance!! – Somos a Equipe PEDE VENTO Brasília-CORDF!”




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