Ronco – mais que um incômodo, pode ser sintoma de doença grave

Apneia do sono, mais comum entre homens, afeta também mulheres, que são subdiagnosticadas devido ao desconhecimento

O ronco é reconhecido socialmente como coisa “do homem”. Aproveitamos o momento da celebração pelo Dia Internacional das Mulheres para falar sobre a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), uma séria doença comum entre homens de meia-idade e obesos – que tem o ronco como um dos principais sintomas -, mas que também afeta mulheres. O agravante entre elas é que são subdiagnosticadas, por conta do desconhecimento e estigma.

O alerta é do Prof. Dr. José Flávio Torezan, que cada vez mais realiza o diagnóstico da SAOS entre mulheres. Segundo o especialista, elas alegam que não sabiam que poderiam passar por isso: “Existem mulheres que acham que ronco só afeta os homens, mas essa é uma doença motivada por aumento de idade e hábitos não saudáveis que levam à obesidade, por exemplo”.

A obesidade no Brasil aumenta exponencialmente. De acordo com pesquisa recente do Ministério da Saúde, o percentual de obesos subiu de 11,4% em 2006 para 15,8% em 2011, e as mulheres superam ligeiramente os homens nesta estatística. Entre elas, o índice de obesidade é de 16%, enquanto neles a marca chega a 15,7%.

De acordo com pesquisa da Umea University, na Suécia, a apneia do sono pode afetar 50% da população feminina e até 80% da população de mulheres obesas e hipertensas.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) mostra que as doenças crônicas (causadas também pela obesidade) constituem um dos grandes desafios de saúde pública. No Brasil, 72% das causas de mortes e 60% de todo o ônus decorrem dessas doenças. Em 2020, as doenças crônicas serão responsáveis por 80% da carga de doença nos países em desenvolvimento. Atualmente, apenas 20% da população nesses países realizam o tratamento prescrito.

Para estimular hábitos mais saudáveis e dar assistência qualificada às pessoas com Doenças Crônicas (DC), o Ministério da Saúde instituiu a Rede de Atenção à Saúde para esses usuários no âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), que leva tratamento multidisciplinar para tratamento de hipertensões e obesidade, entre outros problemas.

“A exclusão feminina do diagnóstico de apneia do sono pode se tornar um problema de saúde pública. O país com certeza se fortalece ao fornecer programas de prevenção e comunicação de problemas como a obesidade para a população. Dessa forma outras doenças poderão ser diagnosticadas mais rapidamente, ao receber tratamento adequado” avalia Dr. Torezan.

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Sobre a apneia do sono

A apneia ocorre quando as vias aéreas superiores são obstruídas, por causa do excesso de tecido ou pelo aumento de volume de amígdalas e/ou língua. Também podem contribuir para a síndrome o relaxamento e colapso dos músculos das vias aéreas durante o sono, passagens nasais e posição dos maxilares. Um diagnóstico preciso engloba a análise do histórico médico e realização de exame da cabeça e do pescoço. Felizmente o problema tem solução. Redução de peso e prática regular de atividade física são algumas das estratégias que aumentam qualidade de vida, reduzem estresse e obesidade e ajudam a diminuir o problema da apneia. Em casos mais graves, podem ser indicado o uso de dispositivos e aparelhos bucais e realização de cirurgia – que, dependendo do caso, pode ser de diversos tipos.

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Fonte

José Flávio Torezan – Cirurgião buco-maxilo-facial com atividade em cirurgia ortognática, cirurgia das ATMs, cirurgias reconstrutivas maxilo-faciais e tumores de boca. Atua nos hospitais Albert Einstein, Sírio Libanês, Osvaldo Cruz, Santa Catarina, São Luiz e Hospital do Coração, em São Paulo. Membro Titular do Colégio Brasileiro de Cirurgia e Traumatologia Buco-Maxilo-Faciais.

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