Câncer x Fertilidade

Receber um diagnóstico de câncer não é fácil. E logo que a pessoa descobre que tem a doença, um dos questionamentos mais comuns é sobre como será o seu futuro. Nem todos os tratamentos oncológicos afetam a fertilidade do paciente. A avaliação do risco de alteração na fertilidade deve levar em consideração o sexo e a idade do paciente, o tipo de câncer a ser tratado e qual o tratamento será realizado. Além disso, a questão da fertilidade é muito diferente entre o homem e a mulher.

Para tirar algumas dúvidas sobre o assunto, entrevistamos o Dr. Henrique Lins Horta, que tirou algumas dúvidas sobre o assunto.

1. Pesquisas revelam que nem todos os tratamentos oncológicos afetam a fertilidade do paciente. Essa informação procede?

Fertilidade é o termo que descreve a capacidade da mulher de engravidar ou a capacidade do homem em engravidar uma mulher. É sabido que alguns tipos de tratamentos oncológicos podem afetar a fertilidade do paciente.

2. É verdade que deve ser levado em consideração o tipo de câncer a ser tratado, o tratamento a ser realizado, a idade e o sexo dos pacientes?

Sim. Dependendo do tipo de câncer, podem ser necessários diferentes modalidades de tratamento, que podem envolver cirurgia, quimioterapia, radioterapia e tratamentos hormonais. Qualquer um destes tratamentos, dependendo do tipo, da região do corpo envolvida, da dose utilizada, da combinação de medicamentos, etc. podem afetar a fertilidade. Além disso, as opções dos métodos disponíveis para a preservação da fertilidade variam conforme a idade (principalmente se o paciente é já passou ou não pela puberdade) e com o sexo do paciente.

3. Gostaria que nos explicasse a relação do câncer com a fertilidade.

É sabido que alguns tipos de câncer já estão relacionados com uma fertilidade diminuída, como por exemplo o câncer de testículo e alguns casos de linfoma em estágios mais avançados. Além disso, como já informado previamente, alguns tratamentos do câncer podem afetar a fertilidade.

4. Todo paciente diagnosticado com câncer pode preservar sua fertilidade?

Conforme já discutido, o risco do tratamento afetar a fertilidade varia de acordo com o tipo de tumor, o tipo de tratamento que será empregado além a idade e sexo do paciente, se ele já tem parceiro, etc. Existem várias opções que podem ser utilizadas com o intuito de tentar preservar a fertilidade. Dentre estas opções podemos citar: a utilização de esquemas quimioterápicos com menor potencial de afetar a fertilidade, banco de esperma (congelar o esperma antes do início do tratamento), proteger os testículos ou ovários da radioterapia, mover cirurgicamente os ovários para fora do campo de radioterapia, banco de embriões, etc). No caso das mulheres, as técnicas de congelação de óvulos (não fertilizados) ou de parte do ovário ainda são consideradas experimentais. O importante é que o assunto fertilidade seja discutido com o médico assistente, sempre que possível, antes do início do tratamento.

5. Com quem discutir a possibilidade de recorrer a técnicas de preservação da fertilidade?

Normalmente as questões relacionadas à fertilidade são discutidas com o médico assistente antes do início do tratamento. Esta discussão pode envolver também o oncologista, o cirurgião, o radioterapeuta, o ginecologista, o urologista e o especialista em reprodução humana. Nos casos dos tumores pediátricos, esta discussão também envolverá os pais ou responsáveis.

6. E quando o tratamento oncológico não pode esperar, quais as opções para o paciente?

Muitas destas técnicas utilizadas para a preservação da fertilidade podem levar a um atraso no início do tratamento oncológico. Cada caso deve ser cuidadosamente avaliado pelo médico assistente e discutido com o paciente, tanto em relação às possíveis opções para se tentar preservar a fertilidade quanto se este atraso poderá comprometer a eficácia do tratamento oncológico.

7. Depois do tratamento oncológico, quanto tempo esperar para engravidar?

Não existe um tempo fixo que se deve esperar, após o tratamento oncológico, para engravidar. Este tempo pode variar, conforme já discutido, de acordo com o tipo de câncer tratado, o tipo de tratamento utilizado, a idade do paciente, etc. É sempre importante lembrar que, como muitos dos tratamentos oncológicos são potencialmente teratogênicos (podem causar má formações fetais principalmente quando utilizados nas primeiras semanas gestacionais) as pacientes devem esperar o término do tratamento para poderem engravidar.

8. E a gravidez é normal como a de qualquer outra mulher que não tenha passado por tratamento oncológico?

Após o tratamento oncológico é possível que a mulher tenha uma gravidez normal como a de qualquer outra mulher. No entanto, em alguns casos específicos, como por exemplo a exposição prévia do útero à radiação estão relacionadas à um aumento no risco de parto prematuro, aborto, baixo peso gestacional e placenta acreta. Alguns procedimentos cirúrgicos no útero também podem influenciar na gravidez. É de suma importância informar ao obstetra qualquer tratamento oncológico prévio.

9. O que todo paciente com câncer deve saber sobre a sua fertilidade?

Nem todo tratamento oncológico irá afetar a sua fertilidade e que atualmente existem muitas opções para se tentar preservar a fertilidade. O importante é que o assunto seja discutido, antes do início do tratamento.

Fonte

Henrique Lins Horta – Médico oncologista da Oncomed BH.

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  Juliana Morato
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