A separação do casal e os filhos

Hoje, diferentemente de há vinte anos atrás, as separações de casais e a formação de novas famílias tornaram-se muito comuns. Apesar de que na grande maioria dos casos, exista um sentimento de tristeza, de perda e dor em torno do período em que ocorre  o divórcio, as pessoas envolvidas se recuperam mais facilmente também porque existe na sociedade atual menos tabus em relação ao fato e menos resistencia para aceitar as novas uniões.

O problema entretanto de quem tem filhos, tanto do primeiro como do segundo casamento, é  que as crianças são, ao menos aparentemente, as grandes vítimas da nova situação.

Conheço crianças que verbalizam o alívio que foi ver seus pais se separando, devido ao medo que sentiam dos gritos, brigas e ameaças. Nem sempre entretanto isso acontece! Há aquelas que arrastam por meses a tristeza e a saudade do tempo em que todos viviam juntos. Mas nos dois casos, a verdade é que toda a família passa por um período de luto devido a grande ruptura que uma separação causa. Cabe aos pais e familiares mais experientes, minimizar os prejuízos emocionais, que são inevitáveis, mas que podem ser bem administradas por quem é adulto e quer preservar seus filhos de sofrerem desgastes enormes e sem necessidade.

Uma providência importante é o casal tratar de explicar às crianças, a decisão tomada, em uma linguagem amorosa, sem rancores, de uma forma serena, clara. É importante fazer isso em mais de uma ocasião, no caso de crianças mais novas, certificando-se assim que  entenderam a situação e assimilaram a separação dos pais como algo que já aconteceu e que não dependeu dela. Procurar deixar claro  que além de não haverem culpados e inocentes, os filhos não perderão o amor e a atenção deles.
 
Mas essa conversa perderá o efeito se os acontecimentos anteriores à separação contradizerem a mensagem que se quer passar. Assim, embora difícil em alguns casos, é importante fazer o maior esforço para não discutir, gritar ou perder a educação na frente das crianças. Embora triste, esse é o momento exato para ensinar o que é respeito e dignidade pessoal aos filhos!
 
Questões sobre divisão de bens, pensões, etc, só podem ser debatidas quando as crianças não estiverem por perto, pois geram ansiedade e parecem mesquinharia para quem não tem idade de compreender a abrangência dos fatos.
    
 
Algumas medidas para proteger as crianças nesse momento podem e devem partir dos próprios pais, dentro e fora de casa:
 
1. No caso de intromissão de parentes, por exemplo, que quase sempre “defendem” um lado ou o outro,  mostre diante de seus filhos, serenidade na sua decisão e sem transparecer ódios ou rancores, caso existam, pois as crianças ficam muito divididas internamente, angustiadas com aquilo que ouvem.
 
2. Caso os vizinhos, amigos ou parentes venham perguntar, ensine seu filho a responder que esse é um assunto dos pais dele, que sendo adultos sabem o que fazem.

3. Por mais que você esteja sofrendo, lembre-se de que a criança não pode ser sua confidente, pois não tem estrutura emocional para suportar também a sua dor, além daquela que ela mesma sofre.
 
4. Falar mal do conjugue? Nem pensar em fazer isso  na frente das crianças. Aliás, na frente de ninguém, com exceção de um terapeuta, é claro. Uma separação não tem culpados, tem responsáveis. E as razões que unem um casal muitas vezes acabam causando a separação: a admiração pelo grande executivo acaba por se tornar motivo para uma grande solidão, por exemplo. A beleza e sedução de um artista desapegado da vida material, pode ser difícil de suportar no dia a dia e acabar representando motivo de ciúme, de desgaste financeiro. Importante é tentar resgatar na memória,  os motivos para a admiração e aproximação passadas e procurar ver nessa pessoa, um dia tão amada, um amigo ou amiga e não apenas o conjugue egoísta, sonhador, aproveitador, etc. Melhor para os filhos e para seus pais e familiares procurarem ver as qualidades uns dos outros, antes de apontarem seus defeitos e fazerem deles um escudo.
            

Um outro momento, depois que a vida retomou a rotina, é a constituição de um novo relacionamento. Acredito que apresentar o novo namorado/namorada aos filhos, deva ser um passo muito bem refletido, a ser dado depois de certo tempo de convivência e conhecimento do outro. Há pessoas que embora adultas, por exemplo, não conseguem suportar a rejeição inicial que esse tipo de aproximação provoca. As crianças pequenas ficam confusas com medo de perder a mãe ou o pai para terceiros e além disso, se ainda tem esperanças de ver os pais juntos (o que é frequente), ficam muito enciumadas. Isso só vai adiar a aceitação do novo conjugue e não trará qualquer ganho para a criança. E sobre esse assunto, seguem dois lembretes: sendo apenas namorado(a), ele ou ela não pode interferir na educação do pequeno mais do que qualquer amigo ou amiga dos pais! Assim também não existe novo pai ou mãe, a não ser que a criança seja pequena e surja uma afinidade muito grande entre eles. O que existe é a realidade: o marido da mãe ou a esposa do pai, que devem ser respeitados como todos os adultos devem ser pelas crianças.

A guarda compartilhada se bem organizada e aceita é uma boa saída, mas tudo vai depender do equilíbrio emocional dos pais e do amor aos seus filhos (e não a si próprios), que os adultos demonstrarem após a separação. Ter convívio com os dois pais biológicos, assim como com o resto da família de ambos, deve ser algo liberado para a criançada. Afinal, foram os pais que se separaram!

Mas o tempo, não resguarda ninguém das novidades: em muitos casos, o filho fica com a mãe após a separação, e quando cresce, quer morar com o pai. Isso  pode ser doloroso mas é preciso serenidade e bom senso para compreender e aceitar a mudança que deve ser encarada desde cedo como uma possibilidade real de escolha do filho e não como um abandono. Se o casal mantiver boas relações sociais entre si, essa situação não será tão dolorosa para ninguém! A criança normalmente quer sentir como é vivenciar novas situações e essa é uma delas!

A vida emocional da criança e do adolescente cujos pais encaram civilizadamente a separação é muito mais tranquila, seu desenvolvimento ocorre da maneira harmoniosa e a escolaridade não passa a ser algo custoso ou mesmo motivo de chantagem para obter a atenção dos pais.
          

Fonte

Maria Irene Maluf – Especialista em Psicopedagogia e em Educação Especial, Coordenadora do Curso de Especialização em Neuroaprendizagem.
         

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Denise Monteiro
(11) 9442-7777
 




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