Homeopatia – terapia alternativa que mais sofre preconceito

O que faz um paciente buscar o tratamento homeopático e porque a especialidade ainda é tratada com tanto preconceito?
O pediatra e homeopata Dr. Moises Chencinski questiona se há motivos reais para comemorações, “Comemorar significa trazer à memória, recordar, lembrar, solenizar, recordando. Pensando assim, há motivos para se comemorar esse dia?”
           

A homeopatia, criada por Samuel Hahnemann em 1796, foi introduzida no Brasil em 21 de novembro de 1840, por Bennoit Mure (ou Bento Mure) conforme conta a história. Por essa razão, é no dia 21 de novembro que se “comemora” o Dia Nacional da Homeopatia.

A homeopatia é uma das 53 especialidades médicas reconhecidas pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) em 1980 e, assim, segue os mesmos critérios de qualquer uma delas. Segue? Somente nos últimos 10 anos a Homeopatia começou a fazer parte, de forma muito tímida, da grade curricular de alguns cursos médicos. Os 3 anos necessários para a  especialização são parte de uma pós-graduação apenas para os interessados. Isso significa que a maioria dos médicos formados que não busca a especialidade desconhece totalmente qualquer informação sobre o assunto.

Alguém já leu ou ouviu falar algo sobre preconceitos contra urologia, dermatologia, gastroenterologia, reumatologia, cirurgia plástica que são outras dessas 53 especialidades, tanto por parte dos médicos quanto por parte dos pacientes ou até de não pacientes?

A homeopatia, mesmo que de forma velada (ou escancarada), é a terapia alternativa que mais sofre esse preconceito ainda nos dias de hoje, em todos os campos. Isso não acontece, por exemplo, com a acupuntura (a outra única especialidade alternativa também reconhecida pelo CFM) nem com a “medicina ortomolecular” que hoje ainda não é uma especialidade médica reconhecida pelo CFM, não podendo, dessa forma, ser chamada de medicina.
           

O comportamento de PACIENTES E NÃO PACIENTES

* Os pacientes não costumam comentar com seus “médicos normais” que estão usando qualquer outro tipo de tratamento assim chamado alternativo, especialmente a homeopatia, por receio de suas reações e até por preconceito demonstrado em experiências anteriores, tanto em clínicas e prontos-socorros, como em faculdades e escolas médicas;

* As pessoas leigas, que nunca sequer passaram em uma consulta homeopática e não têm conhecimento técnico a respeito da especialidade, se negam a ouvir qualquer argumentação sobre o assunto. Elas se baseiam em “informações” obtidas pela internet ou por profissionais médicos que também não conhecem a especialidade, visto que ela é um curso de pós-graduação dirigido apenas a quem quer se especializar na área. Porém, essas mesmas pessoas se submetem aos riscos de “tratamentos milagrosos”, informados pela mesma internet, sem nenhuma comprovação científica. Muitas vezes esses “Tratamentos Milagrosos” são prescritos de forma ilegal e antiética, pelos mesmos profissionais que contraindicam a homeopatia sem sequer conhecê-la. E isso não é raro.
           

As pérolas dos MÉDICOS sobre a Homeopatia

* “Não há comprovação científica da eficácia da homeopatia”;
* “Não há publicações sobre essa especialidade”;
* “A homeopatia é só uma enganação, um efeito-placebo, que funciona mais pela conversa na consulta do que por uma real efetividade”;
* “A Homeopatia não faz parte da grade curricular do curso de medicina”;
* “A Homeopatia não faz parte da Medicina baseada em evidências”.

Enfim, poderia enumerar algumas outras “pérolas”, mas acho que essas já são suficientes. Só queria que alguém me ajudasse a entender a razão do preconceito. Conversando com colegas homeopatas foram aventadas hipóteses das mais variadas possíveis, desde a influência da indústria farmacêutica, preocupada com a concorrência (custos menores, efeitos colaterais indesejáveis ausentes, eficácia no mínimo semelhante em muitas situações, etc.), como pela questão cultural, tecnológica e muitas outras que não justificariam essa reação.

Mas é mais simples do que isso. Vamos voltar aos mesmos dicionários? Lá está escrito que o preconceito é um conceito ou opinião formado antes de se ter os conhecimentos adequados, sem experiência anterior ou sem razão, não baseado em dados objetivos, emocionalmente condicionado, baseado em crença, opinião ou generalização, determinando simpatia ou antipatia, até por superstição que obriga a certos atos ou impede que eles se pratiquem.
          

A cientificidade da Homeopatia

Há inúmeros trabalhos cientificamente corretos publicados em revistas importantes da área (homeopatia) sobre a ação do tratamento homeopático em otites, sinusites, depressão, bem como em revistas reconhecidas nacional e internacionalmente, com artigos sobre depressão (Revista de Psiquiatria Clínica – Órgão Oficial do Departamento e Instituto de Psiquiatria Faculdade de Medicina – Universidade de São Paulo), estudo multicêntrico sobre tratamentos de quadros gastrintestinais (Pediatrics – Jornal Oficial da Academia Americana de Pediatria – agosto/2008 – um dos 62 artigos sobre Homeopatia nessa publicação), um relato clínico sobre o uso de medicina complementar e alternativa na Pediatria (Pediatrics – dezembro/2008), um artigo sobre adolescentes e sua preferência pelo uso de tratamento alternativo e complementar (Pediatrics – novembro/2011), um artigo sobre o uso e de medicina alternativa e complementar na aderência do tratamento da asma em crianças (Pediatrics – maio/2012), entre muitos outros (BMJ – British Medical Journal, com opiniões favoráveis e contrárias, JAMA – The Journal of American medical Association, etc).

Talvez tão interessante quanto comprovar os resultados desses tratamentos seja formular algumas considerações a respeito das causas de busca dos tratamentos homeopáticos e apresentar algumas propostas.

Segundo alguns dos artigos, cerca de 40% dos pais de pacientes pediátricos da área de gastroenterologia estão buscando os tratamentos complementares e alternativos por falta de efetividade da terapêutica convencional, absenteísmo escolar e efeitos colaterais adversos do tratamento alopático tradicional. E essa mesma colocação aparece nos tratamentos de adolescentes, de quadros respiratórios crônicos, alérgicos, entre outros.

Na maior parte desses estudos, conclui-se que devido a essa procura, à aderência do paciente ao tratamento alternativo e aos bons resultados obtidos, os pediatras e especialistas da medicina tradicional deveriam se preocupar em procurar mais trabalhos na área para obter maior conhecimento da especialidade, bem como, cobrando dos homeopatas mais publicações e melhor divulgação dos resultados (bons e ruins, que acontecem como em qualquer outra especialidade médica).

Uma das conclusões que mais me alegraram foi a do trabalho sobre asma, onde os autores apontaram uma tendência com a qual já trabalho há mais de 15 anos e que transcrevo agora:

“Os dados desse estudo sugerem que o uso da Medicina Alternativa e Complementar não é necessariamente “competitivo” com as terapias convencionais da asma; famílias podem incorporar diferentes sistemas de tratamento simultaneamente no tratamento da asma. Assim como o uso da medicina alternativa e complementar se torna mais prevalente, é importante para os médicos perguntarem sobre essa prática de uma forma não julgadora“.

Quando essa meta for atingida talvez possamos comemorar a data. Por enquanto, vamos trabalhar muito, e estudar cada vez mais para que a população e cada um de seus indivíduos possam se beneficiar dessa terapêutica tão acessível, tão eficaz, tão segura e tão democrática.
         

Fonte

Moises Chencinski – Médico Pediatra pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo.  Formado pelo CEPAH – Centro de Pesquisa e Aperfeiçoamento em Homeopatia e autor dos livros HOMEOPATIA mais simples que parece (2007) e GERAR E NASCER um canto de amor e aconchego (2008). Professor do Curso de Especialização em Homeopatia com Ênfase em Saúde Pública e Estratégias de Saúde da Família da Prefeitura de São Paulo em convênio com o Ministério da Saúde (Política Nacional de Práticas Integrativas e Complementares – PNPIC). Idealizador da Revista Doses Mínimas, publicação inédita sobre homeopatia, e membro do Conselho editorial.
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