Dor na coluna lidera ranking de reclamação nos consultórios

Boa parte da população reclama de lombalgias, mas poucos procuram orientação médica
Para os casos cirúrgicos, nova técnica tem trazido bons resultados em Curitiba
     

A dor nas costas é o problema crônico que mais acomete os brasileiros, atingindo 36% da população, segundo um estudo da Escola Nacional de Saúde Pública, ligada à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz). A pesquisa foi realizada em 2008 com (12.423) pessoas com mais de 20 anos, de todas as regiões do país e demonstrou que, embora seja percebida precocemente, em média aos 38 anos, pelo menos 32% não procuram tratamento. Segundo a Organização Mundial da Saúde, no ranking dos desconfortos, a dor nas costas perde apenas para a dor de cabeça e estima-se que 80% da população tem, teve ou terá pelo menos um episódio importante de lombalgia, como é chamado este tipo de dor.

Segundo o neurocirurgião Andrei Leite de Morais, a dor nas costas é uma das queixas mais ouvidas nos consultórios médicos, mas a evolução costuma ser relativamente benigna, muitas vezes com alívio espontâneo. “Embora em toda a coluna possam ocorrer tumores, infecções ou inflamações, a causa mais freqüente é mecânico-postural degenerativa. É importante ter em mente que dores nas costas é característica da idade adulta, acima dos 20-25 anos de idade”. Queixas deste tipo de dor entre crianças e adolescentes requerem investigação imediata. “Nas crianças e adolescentes, a causa da dor não costuma ser mecânico-postural, devendo-se investigar outras causas mais freqüentes. Nestes casos é imprescindível investigar com atenção pois a dor pode ser sinal de um problema grave e que necessite cuidados especiais”, diz o especialista.
          

Sinal de alerta

A dor de origem mecânico-postural tem evolução benigna e melhora com repouso. Ela não precisa sumir, mas tem de aliviar quando a pessoa permanece deitada. O sinal de alerta é quando a pessoa deita, relaxa e a dor não desaparece ou quando ela se manifesta à noite e não melhora com repouso. Além disso, pessoas idosas, da mesma forma que crianças e adolescentes, requerem atenção especial porque a dor nas costas pode resultar de lesões secundárias, como as fraturas provocadas pela osteoporose ou tumores na coluna.
          

Como se manifesta

A história típica envolve quase sempre um adulto jovem e está relacionada com as atividades físicas e a sobrecarga a que ele expôs sua coluna ao longo da vida. Em geral, a queixa é que, ao fazer um esforço, o indivíduo dobra o tronco para frente para pegar um objeto mais pesado e sente uma dor tão intensa na região lombar, que se vê obrigado a deitar. O repouso associado ao calor local e, eventualmente, ao uso de analgésicos e anti-inflamatórios provoca melhora dos sintomas em dois ou três dias. “A história natural é quase sempre muito favorável e se forem evitados os fatores que causaram a primeira crise, é grande a probabilidade de ela nunca mais se repetir na maioria dos pacientes”, explica o neurocirurgião.
         

Hérnia de disco

Por ser a base da coluna e absorver o maior número de impactos, é também o local em que a dor torna-se mais pronunciada, além de ser o maior local de ocorrência das hérnias de disco. Dentro das vértebras há um canal por onde passa a medula nervosa ou medula espinhal. Entre as vértebras estão localizados os discos intervertebrais, que são constituídos por tecido cartilaginoso e elástico cuja função é evitar o atrito entre uma vértebra e outra e amortecer o impacto. “O processo consiste mais ou menos no seguinte: à medida que o disco sofre um aumento de pressão, os anéis que o circundam vão se rompendo e a dor nas costas se intensifica. Num dado momento, porém, o anel se rompe e o núcleo, uma espécie de gelatina que absorve o impacto, extravasa. Seu conteúdo escapa para o interior do canal e comprime o nervo”, diz o médico.

Segundo ele, a hérnia de disco pode ser assintomática ou provocar dor de moderada e leve intensidade até dor muito forte e incapacitante.

Além disso, a repetição contínua de pequenos erros no sentar, levantar, carregar ou erguer um peso aumenta a pressão sobre os discos que se vão desgastando e criando fissuras. Isso pode dar origem a uma hérnia de disco, causa da dor que começa nas costas e irradia-se pelas pernas ou braços. Acredita-se que 15% da população mundial tenham algum tipo de protusão ou herniação discal.
          

Evolução do quadro

Em geral, os quadros lombares respondem bem ao tratamento conservador. As estatísticas mostram que 90% dos pacientes com doença lombar não precisam de nenhum outro tratamento além de um pouco de repouso, analgésicos e desenvolver alguns bons hábitos. Os que referem sentir dor por mais de uma semana acabam melhorando com o mesmo tipo de tratamento em no máximo 30 dias. Se não houver nenhum déficit motor, portanto, são aconselhados a retomar as atividades normais depois de um ou dois dias de medicação. Se a dor persistir ou outro sintoma aparecer, é necessário encaminhá-los para um exame radiológico. O mesmo não acontece quando a lesão se localiza na coluna cervical.
        

Quando o caso é de cirurgia

Na maioria das vezes a hérnia não se resolve sozinha e o tratamento cirúrgico tem mostrado excelentes resultados com técnicas modernas de substituição do disco intervertebral por próteses discais. A cirurgia de disco artificial é recomendada quando o paciente não tem melhora após 30 dias de tratamento clínico ou se existe algum déficit neurológico ao exame físico. O neurocirurgião explica que, no passado, para operar uma hérnia de disco cervical era preciso fixar a coluna com placa e parafusos, deixando esse segmento da coluna rígido para sempre. “Com a técnica de prótese discal cervical, a coluna permanece com os seus movimentos preservados, levando o paciente a ter uma vida normal após a cirurgia”, explica Dr. Morais. A técnica ainda não está amplamente difundida entre os cirurgiões de coluna, mas Curitiba conta com um centro considerado referência neste tipo de tratamento, no Ambulatório da Coluna do departamento de Neurocirurgia do Hospital da Cruz Vermelha.
       

Casos não cirúrgicos

Para casos não cirúrgicos, recomenda-se repouso por no máximo dois dias, pois além desse período há perda de massa óssea e muscular, prejudicando a recuperação do paciente. “Não se deve fazer esforço, nem carregar peso. Na fase inicial da lombalgia, anti-inflamatórios comuns contribuem para aliviar a dor. Agora, nem medicamentos, nem fisioterapia ou massagens, nem aplicação de calor mudam a história natural da doença. A dor irá melhorar espontaneamente desde que o fator desencadeante do processo seja suspenso. De qualquer forma, métodos fisioterápicos e analgésicos são interessantes para diminuir os sintomas enquanto se aguarda a evolução natural da doença”, explica. Portanto, o fato de uma ressonância magnética revelar um diagnóstico de hérnia de disco não significa que o tratamento deva ser cirúrgico já que a doença costuma evoluir favoravelmente.
           

Fatores causadores de dores crônicas

* Fumo
* Obesidade
* Má postura
* Sedentarismo
* Gravidez
* Fatores emocionais
* Envelhecimento e perfil genético
      

Fonte

Andrei Leite de Morais – Médico Neurocirurgião, especialista em tumores de coluna do Hospital da Cruz Vermelha e Erasto Gaertner. Especialização em tumores de coluna em Houston /EUA em 2007 – CRM 20.025-PR.
dr_morais@yahoo.com 
           

*****
     

NCA Comunicação
Rua Vinte e Quatro de Maio, 1087 – Curitiba/Paraná
Tel. 41 3333-8017 – Plantão: 41 9957-1547
www.ncacomunicacao.com.br
zinho@ncacomunicacao.com.br




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Os comentários estão encerrados.