Orelha de abano pode ser corrigida a partir dos 6 anos

Beleza é algo difícil de definir, mas fácil de reconhecer. No caso da orelha sua maior virtude é a discrição. Embora a percepção seja subjetiva, orelhas discretas são simétricas, tem curvas suaves, e o tamanho é proporcional ao rosto. Se uma pessoa está incomodada com a aparência de suas orelhas deve procurar um especialista.

O procedimento cirúrgico pode ser executado, inclusive, em crianças a partir dos seis anos de idade, quando a orelha já atingiu o tamanho próximo ao de uma pessoa adulta. Quando a correção é realizada logo em que surge o incômodo com o formato da orelha, pode evitar uma série de brincadeiras e piadas, tão comuns nestes casos, sofridas tanto por crianças quanto por adultos.

Acompanhe a entrevista que realizamos com o dr. Mauro Speranzini, um dos maiores especialistas em Otoplastia (cirurgia corretora de “orelha de abano”), no Brasil e no mundo.

1. Como se caracteriza a orelha de abano e quais são as causas?

Dr. Mauro Speranzini: Orelha de abano é aquela que se projeta exageradamente do rosto ou não tem as curvas internas. É importante notar que enquanto os olhos, nariz, boca e cabelos são alvos de elogios e críticas, às orelhas cabe apenas o direito à discrição. Quando a orelha destaca-se excessivamente na estética da face, pode-se dizer que há um abano. Não existe uma causa exterior para o abano, é uma característica física como outra qualquer, de caráter genético, familiar. É perceptível nas primeiras semanas de vida.
          

2. Quando deve ser operada?

Dr. Mauro Speranzini: O desejo pela correção é pessoal. Deve ser operada quando causa desconforto à pessoa a ponto de ser camuflada ou causar incômodo com possíveis comentários de terceiros. Nas primeiras semanas e primeiros meses de vida, a modelagem da orelha por um médico especialista com curativos especiais pode corrigir parcialmente ou até totalmente o abano. Após os primeiros meses de vida, a cartilagem da orelha endurece e o tratamento deixa de ser eficaz, restando somente a intervenção cirúrgica como alternativa para a sua correção. Situações especiais podem deflagrar o desejo imediato de correção, tais como, as noivas quando se veem diante do padrão de cabelos presos para o dia do casamento, o mesmo ocorrendo com as aeromoças quando iniciam a carreira, etc.
          

3. A partir de que idade a cirurgia pode ser realizada?

Dr. Mauro Speranzini: A partir dos 6 anos de idade a orelha praticamente atinge o tamanho adulto e pode ser operada sem risco para o seu desenvolvimento futuro. Não há limite de idade para a sua realização, desde que o paciente deseje e reúna as condições físicas necessárias para a cirurgia. A otoplastia (nome técnico da cirurgia de orelha) é mais frequente em pacientes entre 20 e 35 anos. Embora seja um problema estético da infância, a cirurgia é muitas vezes adiada para a fase adulta por algumas razões: os pais sempre acham seus filhos lindos e simplesmente não enxergam defeito; reconhecem o abano, mas não dialogam com os filhos a respeito, com receio de causar mal-estar a elas. Além disso, existe o medo natural de submeter o filho a uma cirurgia. Ao se tornar adulta, a pessoa adquire o livre arbítrio e quem realmente deseja, acaba procurando informação e, consequentemente, um médico para avaliar o seu caso.
       

4. Como os pais devem abordar o assunto com seus filhos?

Dr. Mauro Speranzini: Não há uma orientação padrão que seja eficaz para todas as pessoas. Se os pais não identificam qualquer incômodo ou dificuldade de relacionamento ou auto-estima da criança, pode ser melhor esperar que a criança manifeste desejo para a correção. Se, por outro lado, notam-se artifícios para esconder as orelhas, os pais devem iniciar um diálogo com os filhos, por exemplo, perguntando como elas se sentem em relação à sua imagem corporal. Havendo alguma referência em relação às orelhas de abano, os pais devem explicar que existe correção e que talvez a criança devesse ouvir a opinião de um especialista. Lembrando, ainda, que as brincadeiras infames de colegas podem gerar um grande sofrimento à criança intervindo, inclusive, na formação de sua personalidade.
                  

5. A cirurgia é simples?

Dr. Mauro Speranzini: Do ponto de vista do paciente, sim, pois é de curta duração, sem internação e com pós-operatório bastante tranquilo. Do ponto de vista médico e estético, não, pois o objetivo da cirurgia não é apenas “fechar as orelhas”, mas sim remodelá-las mantendo-se as proporções corretas de suas estruturas de modo que fiquem naturais e sem qualquer sinal de que tenha havido intervenção cirúrgica para isso. Naturalidade é fundamental para um bom resultado. A operação consiste no remodelamento de estruturas das orelhas de modo a reduzir seu distanciamento do crânio, de maneira natural. A duração do procedimento cirúrgico varia de 1 a 4 horas, de acordo com a complexidade de cada caso. É realizada com anestesia local, com ou sem sedação, sem riscos de comprometer órgãos vitais. Pode ser realizada em hospital ou clínicas especializadas, sem internação.
            

6. Quais as restrições e cuidados que devem ser tomados no pós-operatório?

Dr. Mauro Speranzini: Ao término do procedimento o paciente sai com curativo nas orelhas que é retirado no dia seguinte pelo médico. Dependendo do tipo de abano, pode ser necessário manter, durante o dia, uma faixa compressiva sobre as orelhas por duas a quatro semanas. Para dormir, na maioria dos casos, é necessária a proteção das orelhas por um período, também, de duas a quatro semanas. Não é necessária a retirada de pontos, pois, na maioria das vezes, são utilizados fios absorvíveis. O retorno às atividades escolares ou profissionais sob o aspecto médico é possível após dois ou três dias, porém, nas primeiras duas ou três semanas devido ao inchaço e possível arroxeamento do local, fica evidente a intervenção cirúrgica para os pacientes que não podem escondê-las com os cabelos. O sol direto nas orelhas deve ser evitado por duas a quatro semanas e atividades físicas que impliquem em riscos de trauma nas orelhas devem ser evitadas por 30 dias. Os demais esportes são liberados antes, progressivamente, conforme orientação médica.
             

7. Qual época do ano é mais recomendada para a realização da cirurgia?

Dr. Mauro Speranzini: A cirurgia para correção de orelhas de abano pode ser realizada em qualquer época do ano. Os pacientes que não podem esconder as orelhas com os cabelos, frequentemente optam por realizá-la no período de férias escolares ou profissionais.
           

8. Como escolher o médico adequado para a realização dessa cirurgia com sucesso?

Dr. Mauro Speranzini: A escolha do cirurgião deve ser criteriosa, levando-se em consideração, primeiramente, se o profissional é especialista em cirurgia plástica. Além disso, deve-se averiguar sua experiência na cirurgia de correção de orelhas de abano. É comum pensar que essa cirurgia é bastante simples, bastando “um pontinho” para que as orelhas fiquem mais próximas ao crânio. Porém, para atingir-se a naturalidade, simetria e resultados definitivos, é preciso muito mais que isso. As técnicas são complexas sendo necessário observar com cautela os resultados de casos semelhantes apresentados pelo cirurgião no momento da consulta, bem como sua casuística nesse tipo de cirurgia aumentando assim as chances de se obter resultados naturais, trazendo a discrição a que se reservam às orelhas.
           

Fonte

Mauro Speranzini  – Formou-se na Faculdade de Medicina da U.S.P. (F.M.U.S.P.) em 1987. Especializou-se em Cirurgia Plástica no Hospital dos Defeitos da Face. Obteve o Título de Especialista na Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica, onde é Membro Titular com tese de dissertação sobre cirurgia da orelha. Em 2000 obteve o Título de Mestre pelo Departamento de Cirurgia da F.M.U.S.P. A tese de Mestrado, aprovada com distinção, versou sobre a “Correção de Orelhas de Abano”, conhecida como Otoplastia. Tem ministrado aulas sobre o assunto em diversos Hospitais e Serviços Credenciados da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. Foi Médico Assistente do Hospital Pérola Byington no período de 1993 a 2008. Escreveu o capítulo “Correção de orelhas de abano” no livro Cirurgia Plástica – Dr. José Marcos Mélega, em vias de ser publicado. Na qualidade de coordenador, ministrou o Curso “Orelhas de Abano” nos Congressos Brasileiros de Cirurgia Plástica de 2006 em Recife, Curitiba (2007), Brasília (2008), São Paulo (2009) e em Vitória (2010). Considerado o maior especialista do Brasil em Otoplastia, é frequentemente convidado para ministrar palestras e participar de simpósios e workshops em vários países. Mauro Speranzini também é especialista graduado em Transplante Capilar e Cirurgia de Mama.
           

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Kátia Kawano
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