Lombalgia – do atleta profissional ao de “final de semana”

Qualquer praticante de atividade física está sujeito a sofrer dor nas costas
Saiba como identificar esse mal e tratá-lo corretamente
          

Desde o seu surgimento nos tempos mais antigos, os Jogos Olímpicos se configuram como sinônimo de competição. Por várias eras, o desejo de ser o melhor em uma atividade esportiva sempre foi a base desse evento. Essa busca frequente pela superação de concorrentes e limites acaba refletindo na exigência excessiva do corpo – o que pode acarretar diferentes tipos de problemas físicos.

Segundo o Dr. Rogério Teixeira da Silva, um atleta de altíssimo nível, que tem como foco o desempenho perfeito, nem sempre é saudável. “Trata-se de um indivíduo que busca superar suas marcas, quebrar índices, ultrapassar limites, independente da capacidade do corpo. A ocorrência de lesões provocadas pelo excesso de esforço no esporte é comum”. Quando se fala em lesões relacionadas à prática esportiva, existe uma grande variedade de danos que podem acometer o corpo envolvendo outras atividades, como a lombalgia (veja outras lesões no quadro ao final).

A lombalgia nada mais é do que a famosa dor nas costas e é caracterizada pela sobrecarga de esforço na coluna vertebral. Segundo a pesquisa “Dor no Brasil”, realizada pela Pfizer*, a dor na coluna é a segunda queixa mais comum entre os entrevistados (40%), perdendo somente para a dor de cabeça (81%). Segundo Dr. Rogério Silva, existe uma série de fatores de risco que podem aumentar as chances do indivíduo ter lombalgia, como genética, sedentarismo, má postura, excesso de peso, entre outros. “Esse mal pode ser identificado por dores que afetam a região inferior da coluna vertebral, com intensidade progressivamente aumentada e agravada pela mobilidade, além das contrações musculares”.

Os esportes nos quais a lombalgia é mais comum são: tênis, atletismo, corrida, ciclismo, ginástica olímpica, hipismo e levantamento de peso. “A lombalgia em tenistas é uma das lesões mais frequentes, devido ao movimento de rotação que o tenista faz com as costas. A coluna e a bacia são responsáveis por 60% da energia para dar potência à jogada, e rodam com muita intensidade, podendo causar a lesão”, explica Dr. Rogério Silva.

No futebol, as dores na região lombar são raras, mas podem ocorrer, como foi o caso do goleiro brasileiro Júlio Cesar, do Inter de Milão, em 2011. Além dele, o atacante do Atlético Paranaense, Federico Nieto, também precisou tratar uma lombalgia, assim como o zagueiro Bruno Rodrigo, do Santos. Já no ciclismo, a dor pode decorrer de uma contração isométrica da musculatura responsável por manter o posicionamento do atleta em cima da bicicleta. Esta é uma contração que limita o fluxo de sangue e possibilita o acúmulo de lixo metabólico na musculatura, causando dor.

A corrida é uma atividade física que depende da ação da musculatura do tronco para mantê-lo em uma postura adequada por um longo período de tempo. De acordo com o especialista, “a coluna lombar funciona como se fosse uma ponte de transmissão de forças entre membros inferiores e o tronco, realizando movimentos básicos de flexão, extensão e rotação. Manter a postura ereta durante a corrida exige uma atividade muscular constante dos grupos lombares e dorsais, o que não ocorre necessariamente com os músculos abdominais, que podem estar enfraquecidos nos corredores”. 

Na maioria das vezes, a lombalgia tem origem mecânica, ou seja, pelo esforço repetitivo. Porém, muitas causas secundárias da enfermidade podem ser descritas como distúrbios dos discos intervertebrais (hérnias, protrusões), músculo-ligamentares (lesões musculares, síndrome miofascial), ósseas (espondilolise, espondilolistese, síndrome facetaria, disfunções sacro-ilíacas), traumas (fraturas agudas, por estresse), reumáticas e secundárias a doenças (infecções, tumores).
         

Alguns fatores que predispõem a lombalgia mecânica são:

* O desequilíbrio das forças entre os grupos musculares flexores e extensores do tronco;
* As cargas repetidas e/ou excessivas na coluna lombar;
* Vícios de postura durante a corrida e predomínio do padrão de extensão do tronco;
* Flexibilidade diminuída nos grupos musculares do tronco e membros inferiores;
* Intervalos de descanso entre treinos insuficiente, fadiga muscular;
* Aumento não programado ou desproporcional do volume e intensidade de treinamento;
* Treinamentos em pisos rígidos, tênis inadequados.
          

A lombalgia em atletas de final de semana e formas de tratamento

Se o atleta profissional, que possui todas as informações para a preparação antes e depois do exercício, acompanhamento de uma equipe multidisciplinar, e até uma certa tolerância maior para a dor, não está imune a lesões como a lombalgia, o que dizer dos chamados “atletas de final de semana”?

É comum que as pessoas aleguem não ter tempo de fazer exercícios durante a semana e, por isso, resolvem reservar o sábado e o domingo para praticá-los. Na medida certa, a atividade física é sempre recomendada pelos médicos por reduzir os fatores de risco para doenças cardíacas, hipertensão e diabetes. Ajuda no controle de peso e promove o bem-estar. Mas, para melhorar o condicionamento físico de uma forma segura e eficiente, a prática de exercícios deve ser feita regularmente. “Se a pessoa quiser fazer uma caminhada, alongamento, atividades leves, tudo bem. O problema é quando ela faz exercícios de alta intensidade e sobrecarga apenas duas vezes por semana, pois pode representar futuras lesões, além de não contribuir em nada para o condicionamento físico”. O ortopedista ainda faz um alerta: “a prática esporádica de esportes pode ser tão prejudicial à saúde quanto a vida sedentária”.

O maior desafio no tratamento da lombalgia não se resume ao controle da dor, já que existe uma tendência de melhora significativa em até três semanas. Segundo Dr. Rogério Silva, o tratamento deve ser focado na diminuição do número de reincidência. “A medida imediata a fazer para cessar a dor é parar o treinamento. Se o incômodo persistir, antes de tudo, deve-se procurar um médico para avaliar a extensão do problema, verificar a necessidade de exames complementares para o correto diagnóstico e indicar os tratamentos mais adequados para cada caso”.

Existem exercícios que ajudam a tratar as dores lombares como pilates e yoga, ou até mesmo atividades como fisioterapia e RPG (Reeducação Postural Global), que buscam a correção postural do paciente e auxiliam na diminuição da lombalgia. Mas, se o problema não for resolvido ou estiver em fase avançada, geralmente, são utilizados tratamentos medicamentosos com anti-inflamatórios.
         

Saiba quais as lesões mais comuns em atletas

* Entorse – lesão articular que ocorre quando o movimento numa articulação excede a amplitude normal do movimento, ocorrendo um deslocamento súbito. É comum ocorrer no tornozelo e no joelho. Na maioria das vezes, ocorre uma lesão ligamentar associada e, dependendo da entorse, pode ocorrer uma fratura por avulsão (quando um tendão que conecta um músculo a um osso arranca parte dele).

* Contusão – é uma lesão que geralmente decorre de pancadas e batidas. Ela depende do grau do impacto para ser diagnosticada como leve, moderada ou grave. No futebol, a contusão é bastante frequente.

* Luxação – considerada um quadro grave e de urgência, a luxação ocorre quando há uma separação ou deslocamento das partes ósseas numa superfície articular ou perda completa da superfície de contato entre os ossos de uma articulação. O ombro é a articulação mais comum de acontecer este tipo de lesão em esportes como lutas.

* Lombalgia – dor nas costas que possui múltiplas causas, sendo a mais comum o mau jeito ao levantar um peso, postura incorreta, esforço excessivo e traumas mais graves (quedas, acidentes). Muito comum no tênis, que exige uma carga muito grande de energia na coluna vertebral.

* Distensão ou estiramento – ruptura de fibras musculares ou do tecido fibroso do músculo, geralmente causado por um esforço muito grande ou por estresse muscular. Também chamado de estiramento muscular. Muito comum em jogadores de futebol, vôlei, basquete e atletas de corrida.

* Câimbra – contração involuntária do músculo que pode ocorrer devido ao acúmulo de ácido lático ou em decorrência de uma alteração no metabolismo de sais minerais, cálcio ou potássio, entre outros.

* Ruptura de tendão ou ligamento – o joelho é o campeão deste tipo de lesão. Durante atividades que requerem excesso de esforço, os tendões sofrem forças de tensão repetidas por contração e estiramento dos músculos e isso pode facilitar o aparecimento de lesões por falta de oxigênio. Fortalecimento muscular e alongamento ajudam na prevenção.

* Tendinite – resposta inflamatória a um micro trauma de um tendão. Mais frequente em atletas que fazem esforço físico repetitivo. Em corridas é comum acontecer a tendinite patelar (o joelho de corredor, como alguns chamam). Acontece por falta de alongamento, fortalecimento muscular e ausência de orientação nos treinos.

* Fratura – ocorre quando o tecido ósseo se rompe. Pode ser provocada por um trauma ou por estresse (micro traumas repetidos). Nos atletas, é comum ocorrer por estresse, principalmente em maratonistas e corredores.
         

Dicas de vencedor para evitar a lombalgia

* Antes de iniciar uma dura carga de trabalho ou uma longa caminhada, fazer alongamentos que estimulem a flexibilidade do corpo;
* Ter postura adequada quando estiver em pé: pés ligeiramente afastados, joelhos levemente flexionados e coluna reta;
* Manter as plantas dos pés totalmente apoiadas no chão;
Praticar exercícios que fortaleçam a coluna, como abdominais;
* Fazer pequenas pausas no trabalho de hora em hora;
* Utilizar sapatos baixos, com solas mais grossas, pois absorvem impactos;
* Escolher bolsas com alças mais longas, de maneira que a alça fique cruzada nos ombros e, quando andar por longas distâncias carregando-a, revezar os lados para não haver sobrecarga;
* Quando carregar alguma criança, ou peso excessivo, faça isso com as duas mãos, equilibrando o que carrega junto ao corpo.
                      

 Fontes

Rogério Teixeira da Silva – Médico ortopedista e doutor em medicina esportiva pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP).

                

* A pesquisa Dor no Brasil foi realizada pela Pfizer e conduzida pelo Ibope com 1,4 mil pessoas em nove regiões metropolitanas do Brasil (Belém, Recife, Salvador, Belo Horizonte, Rio de Janeiro, São Paulo, Curitiba, Porto Alegre e Brasília), em 2008.

    

Pfizer

Ao completar 60 anos de atuação no Brasil em 2012, a Pfizer reforça seu comprometimento com a saúde e o bem-estar das pessoas, trabalhando para ampliar cada vez mais o alcance de pacientes a tratamentos de qualidade, seguros e eficazes. No mundo, a história da Pfizer começou em 1849 com a produção de insumos para medicamentos nos Estados Unidos (Nova York) e se expandiu para mais de 150 países. No Brasil, a Pfizer está dividida em três áreas: Farmacêutica (produtos de prescrição para Saúde Humana), Consumer Healthcare (medicamentos isentos de prescrição) e Saúde Animal.
            

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Thais Coimbra 
thais.coimbra@cdn.com.br
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