Doenças da adolescência – vacinas contra os males que mais afetam a faixa etária

Viagens; festas e baladas; namoros ou simples ficadas; esportes radicais; clubes, sauna e piscina; amigos e paquera… Assim é a rotina dos adolescentes e todas as inúmeras atividades desempenhadas por eles nesta fase da vida. No percurso estão também alguns hábitos que os levam a contrair doenças sem perceber. Especialistas apontam os riscos de infecção por hepatites, HPV e outras doenças entre os “teens” durante o 1º Encontro de Imunização do Adolescente que aconteceu em São Paulo dia 26 de junho, uma iniciativa da Sociedade Brasileira de Imunizações – SBIm com o apoio do Departamento de Adolescência da Sociedade de Pediatria de São Paulo (SPSP).

Os adolescentes e a juventude em geral possuem um comportamento de maior risco devido a certa tendência de acreditar que nada vai acontecer com eles. Isso os deixa mais suscetíveis a infecções que se originam nos lugares frequentados por eles como ambientes fechados (boites, clubes, heavys e outras festas) onde ocorre o compartilhamento de copos e outros utensílios ou a troca constante de parceiros afetivos e sexuais (carnaval, micaretas etc.). Outras práticas como caminhar descalço em terrenos estranhos, fazer trilhas por ambientes silvestres ou viagens para áreas endêmicas no Brasil e do exterior também colocam grande risco à saúde do adolescente.
 

Sarampo

Os registros de sarampo no Brasil nos últimos dez anos identificaram casos “importados” da doença, o que demonstra um enorme risco de a população voltar a sofrer com a inserção do vírus autóctone. Os jovens e adolescentes costumam viajar para fazer intercâmbio e estudar em outros países, é importante salientar para a prevenção antes de fazer as malas. O problema é decorrente da facilidade que temos hoje de circular mais entre países do mundo todo, por isso os especialistas defendem que o viajante esteja com a vacinação em dia, seja para não levar doenças imunopreveníveis para outras localidades ou para não ser agente de “importação”. A vacina tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola) está disponível em postos públicos de vacinação e recomenda-se dose única para adolescentes previamente vacinados. Duas doses (com intervalo mínimo de 30 dias entre elas) é a recomendação para aqueles que nunca receberam essa vacina ou que desconhecem seu passado vacinal.
 

Coqueluche

No passado, a doença acometia mais crianças pequenas, foco de campanhas de vacinação, mas, como a imunidade contra a doença não dura mais que dez anos, é grande o número de jovens e adultos vulneráveis. Estes, muitas vezes de forma assintomática, são os principais transmissores da bactéria Bordetella pertussis para bebês ainda não imunizados. A disponibilidade da vacina tríplice contra tétano, difteria e pertussis acelular (dTpa), formulada para uso em adolescentes e adultos, oferece novas oportunidades para reduzir o impacto da coqueluche. O uso dessa vacina confere proteção contra as três doenças e potencialmente deve reduzir a transmissão da coqueluche para outros grupos com alto risco de complicações, como os bebês que ainda não foram completamente vacinados. A dTpa está disponível na rede privada de vacinação. Somente a vacina dT (dupla bacteriana do tipo adulto) está disponível na rede pública de saúde.
                    

Hepatites A e B

A hepatite B é transmitida sexualmente, pelo beijo, durante o parto e por contato com sangue que pode ocorrer, por exemplo, na manicure e no dentista. Só no Brasil, dois milhões de pessoas sofrem da forma crônica da hepatite B.

A hepatite A é transmitida através da água e alimentos contaminados, além de beijo na boca e até do simples compartilhamento de bebidas. Ela representa uma das maiores causas de hepatite fulminante, que pode levar ao transplante de fígado. Além disso, pode exigir afastamento do trabalho.

Só para se ter ideia dos riscos da hepatite B, estudos mostram que a probabilidade de transmissão do HIV, vírus da AIDS, por picadas de agulhas durante a coleta de sangue de uma pessoa infectada é inferior a 1%, enquanto a da transmissão do vírus da hepatite B gira em torno de 25% a 30%. O tipo B da hepatite é 100 vezes mais contagioso do que a AIDS.

Adolescentes não vacinados na infância contra as hepatites A e B devem ser vacinados o mais precocemente possível contra essas infecções. Em adolescentes com menos de 16 anos indica-se também o esquema de duas doses com intervalo de seis meses (esquema 0-6 meses) quando usada a apresentação para adulto da vacina combinada contra hepatite A e B. A vacinação contra a hepatite B está disponível na rede pública até os 29 anos. Para indivíduoas acima de 29 anos e para se prevenir contra a hepatite A deve-se recorrer à uma clínica privada.
          

Papilomavírus Humano (HPV)

Outro assunto abordado foi a prevenção contra o HPV, tema de extrema relevância principalmente em relação aos jovens. A cada ano, adolescentes iniciam a vida sexual mais cedo, muitas vezes sem usar camisinha, principal método de proteção contra doenças sexualmente transmissíveis – DSTs. Os médicos discutiram a importância da vacinação contra o papilomavírus humano, cuja aplicação em meninos de 9 a 26 anos foi aprovada recentemente pela ANVISA, incluindo os homens na recomendação. Também há a possibilidade de ampliação da faixa etária beneficiada pela vacinação para as mulheres acima de 25-26 anos.

“Muitas pessoas ainda não sabem que o câncer de colo de útero está relacionado como o vírus do papiloma humano (HPV), transmissível sexualmente e presente na maior parte das lesões pré-cancerígenas. As vacinas aprovadas pelo Ministério da Saúde para uso no Brasil previnem os principais tipos de HPV associados a esse câncer e são recomendadas para mulheres entre 9 e 26 anos”, explica Renato Kfouri, presidente da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm).

A médica Isabella Ballai, presidente da regional Rio de Janeiro da SBIm, acrescenta que as vacinas oferecem taxa de soroconversão (capacidade de gerar produção de anticorpos e proteção) que chega a 99%. “São eficazes na prevenção, mas é importante saber que elas não têm ação de tratamento e não previnem todas as infecções causadas por todos os tipos HPV e nem outras doenças sexualmente transmissíveis”, orienta a pediatra. “Por isso”, enfatiza Ballalai, “a vacinação, apesar de essencial, não elimina a necessidade de jovens mulheres realizarem anualmente o exame preventivo Papanicolau, nem dispensa o uso de preservativo durante a relação sexual”.

Outros temas de relevância durante o evento serão as vacinas contra a meningite e o debate sobre a utilização da vacina contra influenza entre adolescentes e jovens. De acordo com o pediatra Renato Kfouri, o maior objetivo do encontro é chamar a atenção para a importância das imunizações entre adolescentes e adultos. “A prevenção de doenças através de vacinas tem se mostrado uma ferramenta eficaz no controle do sarampo, meningite, coqueluche, HPV, pneumonias e várias outras enfermidades infecciosas”, comenta.
            

Vacinas recomendadas

* Hepatite A – disponível somente na rede privada. Devem ser tomadas duas doses da vacina, sendo a segunda 6 meses após a primeira.

* Hepatite B – a vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde para homens e mulheres com até 29 anos. Pessoas acima dessa idade e não vacinadas – ou que não sabem se já receberam a vacina – podem ser vacinadas em clínicas privadas. São necessárias três doses para o desenvolvimento de proteção eficiente contra o vírus.

* Hepatite A e B – disponível somente na rede privada. Tomada em três doses, sendo a segunda 1 mês após a primeira e a terceira somente 6 meses depois. A vacinação combinada contra as hepatites A e B é uma opção e pode substituir a vacinação isolada contra as hepatites A e B.

* HPV – disponível somente na rede privada de vacinação. Recomenda-se a aplicação antes de ser iniciada a vida sexual. Para meninas e jovens existem duas vacinas licenciadas: uma contendo os tipos 6, 11, 16, 18 de HPV que deve ser utilizada entre 9 e 26 anos de idade. Outra, contém os tipos 16 e 18 de HPV e está indicada para meninas e mulheres de 10 a 25 anos de idade. Elas protegem dos tipos causadores de 70% dos cânceres de colo de útero. Meninos de 9 a 26 anos podem receber a vacina quadrivalente que protege contra os tipos 16, 18, 6 e 11, de acordo com a licença dada pela ANVISA.

* Outras vacinas recomendas – meningocócica conjugada, recomendada uma dose para quem já tenha sido vacinado na infância ou há mais de 5 anos estando presente somente na rede privada; varicela (catapora), influenza (gripe), sarampo e febre amarela para quem viaja muito ou para quem vive ou se desloca para área endêmicas.

Ver calendário vacinal da SBIm: (http://www.sbim.org.br/sbim_calendarios_2011_adolescente.pdf)
       

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Informações para a imprensa

Aline Souza
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