INCOR se prepara para comemorar 20 anos da implantação do primeiro ventrículo artifical da América Latina

Primeiro ventrículo artificial brasileiro, cuja última geração será testada em 30 pacientes, a partir deste ano, é precursor de um modelo inédito em desenvolvimento no Instituto: o ventrículo artificial infantil.

Em fevereiro de 1993, o mecânico Dorvílio Alves Madeira, na época com 30 anos e em fase terminal de doença de Chagas, foi o primeiro paciente da América Latina a receber um ventrículo artificial para se manter vivo. A operação, realizada pela equipe de Transplantes da Divisão Cirúrgica do Instituto do Coração do Hospital das Clínicas (Incor-HC-FMUSP), fez com que ele pudesse aguardar, apoiado pelo aparelho durante cinco dias, até a disponibilidade do coração de um doador – esta era a ponte para o transplante cardíaco.

O dispositivo de assistência ventricular (DAV), desenvolvido na Bioengenharia do Incor, foi ligado ao coração de Dorvílio, para auxiliar o bombeamento do sangue arterial para o corpo. Hoje, ele tem vida normal, mora em São José do Rio Preto/SP e trabalha mais de oito horas por dia – um caso de sucesso que exemplifica os benefícios do desenvolvimento da tecnologia nacional em órgãos artificiais.

O Incor comemorará em 2013 os 20 anos desse feito histórico com o desenvolvimento de outro produto inédito: o primeiro coração artificial infantil da América Latina, que deverá estar pronto para implantação em crianças até final de 2012.

Além disso, a partir de julho deste ano, o DAV será testado em um estudo multicêntrico coordenado pelo Incor, com apoio do Ministério da Saúde, para implantação do dispositivo em 30 pacientes em outros cinco centros brasileiros: Dante Pazzanese (SP), Hospital de Messejana (CE), Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul, Instituto Nacional de Cardiologia do Rio de Janeiro e Hospital São Paulo (SP). Projetado para uso hospitalar, à beira do leito, o, está agora em sua quarta geração.
       

O coração artificial INCOR

“O primeiro implante de um ventrículo artificial brasileiro foi um momento revolucionário para a bioengenharia brasileira e latino-americana”, relembra a Dra. Idágene Cestari, diretora da Bioengenharia do Incor. Naquela época, o Brasil juntou-se aos Estados Unidos, Japão e Alemanha como únicos países capazes de fabricar corações artificiais.

O ventrículo que compõe o DAV fica externo ao copo e é ligado ao coração do paciente por tubos. O acionamento do ventrículo é feito por um console pneumático ligado à rede elétrica e opera com baterias durante a movimentação do paciente. A utilização desses ventrículos, explica Dra. Idágene, é perfeitamente adequada à duração habitual das “pontes para transplante”, isto é, a espera por um órgão, que pode levar até semanas.
                  

Coração artificial para crianças

Aguardado com grande expectativa, o coração artificial infantil está sendo desenvolvido no Incor desde 2002. Até o final deste ano, o equipamento estará disponível para uso da equipe de Cirurgia Cardíaca Pediátrica do Instituto, que realiza o maior número de transplantes cardíacos pediátricos da América Latina e poderá então salvar crianças que hoje morrem na fila à espera de um coração.

“Um coração artificial infantil poderá ser a diferença entre a vida e a morte nestes casos”, diz o Dr. Marcelo Jatene, chefe da equipe cirúrgica de transplante infantil do hospital. O equipamento, que está sendo desenvolvido conjuntamente pela equipe de cirurgia pediátrica e a Bioengenharia do Incor, deve atender a uma faixa de pacientes desde recém-nascidos até adolescentes.

Seu desenvolvimento traz vários desafios tecnológicos que vão desde os materiais utilizados até sua geometria devido suas dimensões para se adequar ao organismo infantil. Em linhas gerais, o coração artificial infantil terá o mesmo sistema de acionamento já validado no uso em adultos.

Estima-se que anualmente 30 mil crianças no mundo nasçam com alguma má formação congênita no coração, que pode evoluir para a insuficiência crônica do órgão, necessitando de transplante.

O coração artificial infantil poderá significar para parte dessas crianças uma chance decisiva, assim como foi para Dorvílio, de manter a vida.
 

Conheça os ventrículos do INCOR

Ventrículos artificiais Incor modelos adulto e infantil

    

 

 

 

 

 

                 
      

Equipamento pode ser implantado em um ou dois ventrículos ao mesmo tempo, na fase de espera de órgão para transplante.

 

 

 

 

 

 

                         

                   

Crédito para foto e ilustração: Divulgação Incor-HCFMUSP

                    

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