Saúde do tendão de atletas de alto rendimento

Vinicius Arruda/Divulgação
Jogador Dante e a pesquisadora do Into Priscila Casado

 Pesquisa vai identificar riscos de jogadores de voleibol desenvolverem tendinopatias segundo mapa genético
      

         

O Instituto Nacional de Traumatologia e Ortopedia Jamil Haddad (Into) realiza, a partir de início de janeiro, uma pesquisa inovadora que pretende identificar a correlação entre a genética e a possibilidade do desenvolvimento de tendinopatia, ou seja, termo utilizado atualmente para descrever o que antes era restringido ao termo tendinite. O estudo será realizado por uma equipe multidisciplinar no Centro de Pesquisa em Terapia Celular e Bioengenharia Ortopédica, CTCel, e envolverá 216 atletas profissionais do voleibol masculino brasileiro, com idades entre 18 e 35 anos.
          
Para dar início ao projeto, além da análise clínica feita por um ortopedista, serão colhidas amostras de saliva de todos os jogadores, que serão divididos em grupos A e B. O primeiro será composto por atletas que não apresentam a doença. Já o grupo B, será formado por esportistas que apresentam tendinopatia em uma ou mais regiões do corpo. De acordo com a responsável pelo programa, Priscila Ladeira Casado, o campeonato da superliga de voleibol masculina, que teve início em dezembro no Maracanãzinho, é o ponto de partida para a coleta do material. “Através da saliva é possível ter acesso ao DNA de cada um, sem interferir na integridade física do atleta. Todos os participantes serão orientados a bochechar 5 ml de soro fisiológico estéril, movendo a língua em direção aos dentes e à bochecha, de forma a deslocar as células da mucosa e descartar o conteúdo em um recipiente, para posterior congelamento a – 20º C”, explica a pesquisadora. Em seguida vem a etapa laboratorial, que será realizada no Into.
                 
                  

Contribuição

Os DNAs obtidos na pesquisa serão armazenados em um banco de DNA catalogado para futuros experimentos envolvendo medicina genética desportiva, sem a necessidade de novas coletas. O objetivo principal do estudo, no entanto, é traçar um padrão genético inicial a ser considerado como fator de risco para o quadro da patologia; mostrar a correlação genética e aspectos internos e externos que possam influenciar a doença e, a longo prazo, iniciar um desenvolvimento de um método de diagnóstico precoce aplicável na clínica prática. “Já sabemos que as tendinopatias, relacionadas ao excesso da atividade atinge de 30 a 50% dos esportistas e são motivadas não só por uma simples inflamação de origem repetitiva. Há também os fatores que tornam o tendão por si só degenerativo. É isso que vamos investigar: por que uns desenvolvem a doença e outros não?”, resume.

Na prática, os resultados do estudo vão servir para determinar programas de treinamentos adequados e personalizados, assim como traçar uma recuperação adequada em casos da lesão, de maneira que o rendimento do jogador não seja comprometido, já que os índices de dor e até perda da função, nestes casos, são bem significativos. “Em um futuro próximo, acredita-se que seja possível atuar de maneira significativa, inclusive, na prevenção da disseminação dos danos da região afetada. “A instituição vai ter um papel importante no que diz respeito à infraestrutura e tecnologia científica em benefício dos atletas que farão parte do quadro de candidatos aos grandes eventos esportivos como as Olimpíadas de 2016 que acontecerão no Rio de Janeiro”, conclui.
                    

Foto: Vinicius Arruda/Divulgação
          

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