Transplante de rins – doando vida

O Brasil ocupa o 3º lugar no mundo em número de transplantes de rins
Sobre os transplantes renais, estima-se que o número de cirurgias supere em 20% as que foram realizadas em 2010
                

Nunca um telefonema foi tão esperado. Esta é a realidade daqueles que se encontram na fila de espera por um novo órgão. Dados do Ministério da Saúde apontam que cerca de 36 mil brasileiros aguardam por um gesto de solidariedade em uma fila onde o que está em jogo é a própria vida. Apesar da longa fila de espera, o Brasil é um país que tem se destacado no número de transplantes, especialmente os renais. “Neste tipo de procedimento, atualmente, o País ocupa a terceira posição mundial, ficando atrás dos Estados Unidos e Espanha”, informa o nefrologista Elias David Neto.

O País tem hoje uma taxa de 11,1 doadores por milhão de pessoas (pmp). A meta do Ministério da Saúde é fechar o ano de 2011 com 15 doadores pmp. Segundo Dr. Elias, grande parte desse crescimento de doadores se deve ao aumento de doadores falecidos. “No Brasil, a doação de órgãos é autorizada pela família do doador e não há necessidade de um documento assinado pela pessoa que venha a falecer de morte encefálica – geralmente causada por acidente vascular cerebral ou traumatismo craniano. Ultimamente, temos percebido que há uma conscientização dessas famílias com relação ao gesto de doar os órgãos desses familiares, como os rins, que podem salvar várias vidas”. O especialista ainda ressalta que conversar com os familiares sobre este assunto vai sempre facilitar a decisão deles num momento tão intenso como a morte de um ente querido.
            

Rins – os campeões em transplante

Até o primeiro semestre de 2011, o órgão que mais se transplanta é o rim, seguido do fígado, pâncreas, coração e pulmão. Para se ter uma ideia, em 2010, dos 6.402 transplantes, 4.630 foram renais, o que comparado com 2009, mostra um crescimento de 8%¹. “Em 2011, a expectativa é que o transplante renal aumente 20% em comparação a 2010”, diz Dr. Elias David. De acordo com o Sistema Estadual de Transplantes, da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, 10.584 pessoas aguardam por novos rins.
       

Órgãos transplantados (2011)

* Rim – 2.365
* Fígado – 712
* Pâncreas – 102
* Coração – 84
* Pulmão – 15
* Intestino – 0

Fonte: ABTO – Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos – http://www.abto.org.br
 

“Os rins são órgãos essenciais para a filtração de sangue e controle dos fluidos existentes no organismo.Eles podem ser afetados de muitas formas, desde um cálculo renal até a insuficiência renal crônica, cuja única forma de cura é o transplante renal”, explica o especialista. As enfermidades mais comuns que levam à insuficiência renal crônica são o diabetes mellitus e a hipertensão arterial sistêmica. “Estima-se que cerca de 125 mil pacientes se encontram em diálise no Brasil”, conta Dr. Elias David.

Apesar de se mostrar positivo e em crescimento, o cenário brasileiro na captação de órgãos ainda precisa melhorar muito. “A maior parte dos transplantes é realizada nos centros localizados nas regiões Sudeste, Centro-Oeste e Sul do País. As instituições das regiões Norte e Nordeste precisam aprimorar suas estruturas e capacitar seus profissionais, principalmente aqueles que trabalham em Unidade de Terapia Intensiva – UTI, para que a população dessas localidades esteja devidamente atendida e tenha garantia de sucesso após o procedimento”, relata o nefrologista.

Com relação aos doadores, Dr. Elias David Netoaponta a necessidade de a sociedade refletir e debater sobre o tema transplante. “Campanhas de saúde, novelas, reportagens, toda a colaboração dos meios de comunicação é bem-vinda para disseminarmos a importância da doação de órgãos. Precisamos lembrar que este problema existe, pois fica muito fácil quando as pessoas já manifestam dentro do seu círculo familiar o desejo de doar órgãos”.

Sobre os doadores vivos que podem doar um dos rins, existem algumas regras previstas por Lei que merecem atenção: ter idade superior a 21 anos, em boas condições de saúde, capaz juridicamente e que concorde com a doação. Pais, irmãos avós, tios, primos de primeiro grau e cônjuges podem ser doadores. Aqueles que não forem parentes só podem doar em condições especiais (compatibilidade sanguínea e genética e liberação judicial). Não existe limite superior de idade para ser doador.

Em se tratando de transplante renal, cada caso precisa ser criteriosamente avaliado pelo médico, que necessita monitorar o sistema imune, usar a imunossupressão adequada (terapia para reduzir a ativação ou a eficácia do sistema imunológico para se evitar a rejeição do órgão transplantado) e melhorar a condição cardiovascular do receptor desde a diálise. “O paciente também tem papel importante no sucesso de qualquer tipo de transplante”, reforça o nefrologista.

Além dos cuidados habituais, ele deverá estar motivado e consciente da importância de tomar seus medicamentos imunossupressores regularmente, que evitam que o sistema imunológico reaja contra o novo órgão. A não aderência é o maior fator de risco à perda do órgão, e isso acontece principalmente com os pacientes mais jovens. Para os transplantados renais, entre as opções de tratamento disponíveis atualmente destaca-se o sirolimo, que inibe a proliferação celular e a produção de anticorpos. Este princípio ativo se liga a uma proteína intracelular formando um complexo que inibe a ação da mTOR (Mammalian Target of Rapamycin), resultando na supressão do sistema imunológico e impedindo assim a rejeição.
               

O pós-transplante

Após a cirurgia, o paciente se depara com uma nova realidade que exige cuidado e compromisso, principalmente com relação aos medicamentos imunossupressores, que ele deverá tomar por toda a vida. Mudanças de hábitos são fundamentais, como manter uma alimentação saudável e balanceada, reduzir a ingestão de gorduras e açúcares, e evitar o fumo e bebidas alcoólicas. “O transplante possibilita, na maioria das vezes, a reinserção do paciente no mercado de trabalho”, enfatiza Dr. Elias David, que lembra que o apoio familiar é muito importante, além da clareza de que, caso ocorra a rejeição, esta poderá ser tratada.

Depois do transplante, o novo rim pode começar a funcionar imediatamente e a diálise não será mais necessária. Porém, é possível que o órgão transplantado demore algumas semanas para funcionar e, nesse caso, a diálise ocorrerá até o início das atividades renais. Normalmente, o paciente tem alta alguns dias após a cirurgia, porém os cuidados já começam no hospital. É importante também que o receptor compareça em todas as consultas de retorno agendadas, que logo após o transplante serão frequentes, mas, com o tempo, se tornarão mais espaçadas. Além disso, qualquer sintoma que não apresentava até então, a pessoa deverá procurar atendimento médico o mais rápido possível.
            

Cuidados pré-transplante renal

* Exame físico completo para detectar e tratar qualquer distúrbio que possa causar complicações após o transplante;
* Tipagens HLA e sanguínea e pesquisa de anticorpos para determinar a compatibilidade dos tecidos do doador e do receptor;
* Exame do trato urinário inferior para avaliar a função da bexiga e detectar refluxo vesicuretral;
* Avaliação psicológica;
* Dieta adequada ao estado de saúde, em geral, com restrição de sal, pouca proteína (carne, ovo, queijo) e proibição de gorduras;
* Evitar transfusões sanguíneas até o transplante para minimizar o desenvolvimento de anticorpos contra os possíveis doadores;
* Tricotomia (raspagem dos pêlos), higiene do corpo;
* Informar ao médico toda ingestão de medicamento ou alimento, pois muitas vezes eles interagem entre si (interação medicamentosa e/ou interação alimentar), podendo causar problemas clínicos ou ineficácia das drogas imunossupressoras.
    

Cuidados pós-transplante renal

* Restringir, no início, as visitas de parentes e amigos e afastar-se do contato com pessoas portadoras de enfermidades contagiosas ou de animais;
* Conservar a casa limpa e arejada, especialmente os banheiros;
* Conservar as mãos sempre limpas;
* Seguir estritamente a dieta indicada e não consumir alimentos preparados em lugares desconhecidos;
* Verificar o controle do peso e dos sinais vitais (pressão arterial, pulso, temperatura);
* Realizar exercícios (caminhada e bicicleta de preferência), sem excessos;
* Usar protetor solar de alto fator; assim como bonés, chapéus e roupas que protejam do sol;
* Jamais se automedicar ou suspender, sob hipótese alguma, a medicação imunossupressora.

Fonte: ABTO – Associação Brasileira de Transplantes de Órgãos -http://www.abto.org.br
             

1. Registro Brasileiro de Transplantes 2010 – ABTO
              

Fonte

Elias David Neto – Professor Livre-Docente do Departamento de Clínica Médica da Faculdade de Medicina da USP, responsável pelo setor de transplantes de rins do Hospital das Clínicas da Universidade de São Paulo e do grupo de transplantes renais e de pâncreas do Hospital Sírio-Libanês.

           

 

 

Pfizer

Fundada em 1849, a Pfizer é uma das mais completas e diversificadas companhias do setor farmacêutico. Presente em mais de 150 países, a empresa está no Brasil desde 1952. Melhorar a saúde e proporcionar bem-estar fazem parte da missão da Pfizer ao descobrir, desenvolver, fabricar e comercializar medicamentos de prescrição, genéricos e de consumo para Saúde Humana e Animal. A companhia oferece opções terapêuticas para uma variedade de doenças em todas as etapas da vida, com um portfólio que engloba desde vitaminas para gestantes e vacinas para bebês, até medicamentos para doenças complexas, como dor, câncer, tabagismo, infecções e doença de Alzheimer. A Pfizer também mantém e acompanha projetos sociais voltados para educação, saúde e sustentabilidade no país.
           

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Thais Coimbra
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