Os Padres em Psicoterapia – esclarecendo singularidades

Os padres em psicoterapia - esclarecendo singularidades

O livro é parte da tese de doutorado defendida em 2007, intitulada “Gestalt-terapia de Curta Duração para Clérigos Católicos: Elementos para a prática clínica”
   

O livro escrito em linguagem acessível para o público leigo mantém o rigor acadêmico e pode interessar profissionais da área e curiosos sobre o tema, pouco discutido no Brasil. O autor salienta a importância de compartilhar o conhecimento:

“Aquilo que aprendi nos estudos que fiz e, principalmente, na minha prática clínica pode ajudar os colegas psicoterapeutas e as pessoas de vida religiosa, de modo que entendo que é meu papel colocar essas questões à disposição das pessoas para que elas leiam, reflitam, discutam, aprofundem seus conhecimentos e contribuam com um tema que precisa ser cada vez mais discutido e estudado”.

Umas das características do trabalho são os prazos curtos, com tempo determinado. Alguns padres saem de locais distantes para poder se consultar. A linha trabalhada e descrita no texto é da Psicoterapia de Curta Duração na Abordagem Gestáltica e destaca a relação psicologia e religião:

“Entendo que este livro será muito útil, especialmente em quatro caminhos. Primeiro, para que os psicólogos compreendam melhor nossos clientes de vida religiosa, pois eles cada vez mais se utilizam de nossos serviços, o que nos obriga a rever e discutir alguns antigos conceitos que acabaram virando preconceitos; segundo, para as pessoas de vida religiosa (e para as próprias instituições religiosas), as quais,a pouco e pouco, vão quebrando preconceitos contra a psicologia e a psicoterapia e passam a nos colocar como profissionais facilitadores de diálogos e de mudanças importantes em suas vidas e na vida das pessoas com quem têm contato; terceiro, para que os psicólogos discutam mais e lidem melhor com sua própria religiosidade em terapia e com a religiosidade de seus clientes, sejam eles de vida religiosa, ou não; finalmente, mas não menos importante, para os leigos, para que compreendam melhor a psicoterapia e a utilidade e a pertinência da psicoterapia para eles mesmos e para as pessoas que abraçam a vida consagrada.

Há muitos anos me empolga e comove a percepção de que quando um padre sai de um processo terapêutico mais humanizado e mais consciente, isso repercute na vida de milhares de pessoas, cujas almas ele toca mais sensível e delicadamente. Como eu escrevo num trecho do livro, “Em paz consigo, o pastor pastoreia melhor, se livremente continuar pastor.”’

O grande desafio ao clinicar os primeiros padres de Ênio foi o de sair da posição de ser um fiel diante de um sacerdote e assumir a posição de um ser humano que tem conhecimentos técnicos e sensibilidade para ajudar outro. Hoje, depois de tantos anos atendendo essa clientela, o desafio maior é um dos motivos da publicação deste livro – mostrar a riqueza da psicologia e da psicoterapia como ferramentas para o desenvolvimento pessoal das pessoas de vida consagrada.
 

Tabus como sexualidades ou dúvidas relativas com a fé no clérigo também são desafios trabalhado nestes processos:

“Esses são dois pontos que abordo no livro, a sexualidade das pessoas de vida religiosa e o necessário diálogo entre religião e ciência, no caso, entre religião e psicoterapia. Um dos pontos mais importantes é aquele no qual esclareço que a terapia não é contrária ou incompatível com a orientação espiritual, antes pelo contrário. Outro preconceito que espero ter esclarecido no livro é aquele que diz que as pessoas que fazem terapia têm menos fé, o que é inteiramente contrário à realidade. Dizendo de outro jeito: quando a pessoa passa por um processo terapêutico bem sucedido, ela tende a perceber uma significativa ampliação de sua fé, paralelamente a uma significativa ampliação de seu senso crítico, na medida em que a liberdade e a autonomia são os melhores sustentáculos para uma vivência de fé” contempla o autor.

Após os anos de trabalho, Ênio Brito Pinto sente que a mais importante mudança em sua posição pessoal foi uma confirmação que, de maneira geral, as pessoas de vida consagrada são mais cultas e mais intelectualmente inquietas que a média das pessoas que conhece. Talvez, o que mais o tenha impressionado nesses anos em que trabalhou com o clero foi perceber como eles podem ser pessoas sofridas, tão ocupadas em acolher que acabam se esquecendo de que também elas, por serem humanas, precisam de acolhimento:

“São, de certa forma, vidas densas, incomuns, especiais, que merecem uma mirada mais crítica, compreensiva e generosa por parte dos próprios confrades, dos fieis e da instituição que representam” arremata.
                  

Sobre o autor

Ênio Brito Pinto – Psicólogo pela PUC/RJ e tem especialização em psicopedagogia pela UNIP; é mestre e doutor em Ciências da Religião pela PUC/SP, onde faz seu pós-doc em Psicologia Clínica. Além de ser psicoterapeuta (gestalt-terapeuta), é professor e coordenador acadêmico do Instituto Gestalt de São Paulo e professor convidado do Instituto Sedes Sapientae (no Departamento de Gestalt-terapia), do Instituto de Gestalt-terapia da Bahia e de diversos outros cursos de formação e especialização em Gestalt-terapia no Brasil. É professor dos Cursos de Pós-graduação em Terapia e Educação Sexual do Instituto Brasileiro Interdisciplinar de Sexologia e Medicina Psicossomática (ISEXP). É membro do Instituto Terapêutico Acolher, especializado no atendimento psicoterapêutico aos religiosos católicos.

Contatos com o autor: eniobrito@uol.com.br
     

Dados Técnicos

Os Padres em Psicoterapia – esclarecendo singularidades

Autor: Ênio Brito Pinto
Editora: Idéias & Letras
Páginas: 184
Edição: 1ª
Ano: 2011
ISBN: 978-85-7698-124-4
Preço: R$23,50

www.editoraideiaseletras.wordpress.com
www.ideiaseletras.com.br
              

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Nicolau Kietzmann Godemberg
DGNK Assessoria de Imprensa
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