Carnaval – migração de acidentes no carnaval já preocupa ortopedistas

O aumento e a migração dos acidentes para as cidades com tradição carnavalesca e de veraneio preocupam a Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT, cujos associados enfrentam nessa época a maior sobrecarga anual. “Nesse período de festas, cidades como Salvador, Rio de Janeiro e Florianópolis passam a receber uma grande população flutuante e com tendência a misturar direção com álcool e mais propensa a agressões, inclusive com arma de fogo”, explica o Dr. Edilson Forlin. Esse contexto superlota os Prontos Socorros e gera uma quantidade extra de trabalho para os ortopedistas, que ficam na ponta do atendimento dessas emergências.

O fenômeno contrário ocorre em São Paulo, Curitiba e outras cidades as quais, por terem o trânsito e a população reduzida nesse período, passam a registrar maior folga e tranquilidade nos hospitais.

O problema que se repete todo ano levou a entidade maior da Ortopedia a lançar um alerta múltiplo, por cuidados especiais não só no trânsito, mas também na avenida. Comprar um abadá e começar a sambar sem preparo físico é o caminho para uma lesão do tornozelo, entorses, ou seja, lesão do ligamento da parte de fora do pé e, eventualmente, até uma fratura. “O acidente ocorre principalmente com mulheres de salto alto que, no entusiasmo do desfile, querem imitar as passistas e acabam pisando em falso e virando o pé.”

A experiência dos ortopedistas mostra que a maioria dessas lesões ocorre no finzinho do desfile, quando a passista improvisada já está cansada, às vezes desidratada e pode errar a pisada. Para o Dr. Edilson Forlin, o que acontece no Carnaval é semelhante ao que ocorre com os chamados “atletas de fim de semana” que, sem preparo físico adequado, resolvem jogar uma partida de futebol sob o Sol do verão ou que então entram numa maratona.

Os passistas estão bem condicionados, garante o médico, os longos ensaios nos barracões preparam sua musculatura para o esforço extra no desfile, que eleva a pulsação e gera um desgaste do organismo, que precisa ser devidamente reidratado. Para que o folião que samba apenas no Carnaval não tenha problemas, a SBOT recomenda uma refeição prévia que forneça calorias fáceis de disponibilizar, um prato de massa com molho sem gordura, por exemplo, e garrafinha de água colocada num bolso da fantasia, além de um alongamento cuidadoso, antes de começar a sambar, incluindo o tradicional exercício de “empurrar a parede”, que alonga a panturrilha.

A recomendação principal, entretanto, é evitar o álcool, e é importante saber que tomar cerveja não é se hidratar adequadamente, diz o médico. Se o conselho for seguido, o folião acordará na quarta-feira só com uma dorzinha na musculatura que foi muito exigida, sintoma do excesso de ácido lático, que vai servir apenas para lembrar como o Carnaval foi bom. Ele voltará para o trabalho sem mancar, sem tornozelo enfaixado e pronto para a contagem regressiva para o Carnaval do ano que vem.
         

Risco maior é lesão de cervical

Embora se fale muito nos acidentes de trânsito na época do Carnaval, a SBOT alerta para os riscos do chamado “mergulho em água rasa”. É um acidente, dos mais graves, que ocorre principalmente nesta época de calor. É quando o adolescente ou adulto calcula mal a profundidade ou a desconhece, mergulha e bate a cabeça no fundoda piscina, lago, rio ou mar. Essa batida inesperada faz a cabeça dobrar num ângulo indevido e, como o crânio é muito duro, o que cede é o osso mais frágil, da coluna vertebral, geralmente uma das sete vértebras cervicais, o que pode levar à fratura e lesão medular com tetraplegia.

Dr. Edilson Florin diz que um acidente desses tem enorme impacto na vida do paciente e da família. Além de todo o custo físico, emocional e social acarreta um gasto econômico extraordinário. Recentemente ele realizou um cálculo judicial num processo envolvendo um adolescente que sofreu dano de medula ao fraturar uma vértebra num mergulho em piscina.

Tetraplégico, na cadeira de rodas, não movimentando braços nem pernas, tendo que usar fraldas e sujeito a várias complicações esse paciente tem dificuldades para ter um trabalho e constituir família. Os custos diretos devido aos tratamentos, equipamentos, aparelhos e cuidados necessários com a paralisia, até a idade de 65 anos, podem chegar a um valor de 6,5 milhões de reais. Mas, para o médico, isso não é muito, se levado em conta o sofrimento de sua família.
                       

Fonte

Edilson Forlin – Médico ortopedista e diretor de Campanhas Públicas da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT.
                

*****
              

DOC Press
Luchetti
(11) 5533-8781
luchetti@docpress.com.br

 




Se você gostou deste artigo, deixe um comentário abaixo e considere
cadastrar nosso RSS, para ser notificado nas próximas atualizações do blog.

Comentários

Nenhum comentário.

Os comentários estão encerrados.