Chuvas e inundações – nefrologistas alertam para os riscos de doenças renais neste período

A água contaminada das enchentes representa um grande risco à saúde. Ela traz vários tipos de doenças, como a leptospirose e, consequentemente, a insuficiência renal aguda, com elevadas taxas de mortalidade no país
            

As chuvas e inundações que atingem algumas regiões do país nesta época do ano podem representar um grande risco à saúde da população. A água das enchentes coloca diversos agentes infecciosos em contato com as pessoas. Há diferentes tipos de doenças causadas por uma variedade de bactérias, vírus, protozoários e parasitas, agentes que são carregados pelas águas e propiciam o surgimento de vários males. Algumas doenças têm sua ocorrência aumentada neste período. A mais grave pela sua alta mortalidade é a leptospirose. Atualmente, a porcentagem de óbitos por consequência da doença ocorre em 10% a 15% dos casos. “Desse total, 80% dos pacientes têm insuficiência renal aguda”, revela o Dr. Lúcio Roberto Requião Moura. Segundo ele, não há dados brasileiros sobre o aumento de lesão renal aguda na época das enchentes. Mas pesquisas desenvolvidas em países como Taiwan, Índia e Peru demonstram essa relação.

A leptospirose é uma doença infecciosa causada pela bactéria Leptospira interrogans presente na urina de ratos que, com as chuvas, se mistura às águas de valetas, lagoas e cavas. Essa bactéria penetra no corpo humano através de pequenos ferimentos na pele e pelo contato do líquido com a mucosa oral ou com o aparelho digestivo, ao se ingerir a água ou alimentos contaminados. As fontes de água potável também correm risco de contaminação.

Os primeiros sinais da doença são febre alta, mal-estar, dores de cabeça constantes e intensas, dores pelo corpo, principalmente na panturrilha (barriga da perna), cansaço e calafrios. Também são frequentes dores abdominais, náuseas, vômitos, diarreia e desidratação. É comum que os olhos fiquem amarelados. Em algumas pessoas os sintomas reaparecem após dois ou três dias de aparente melhora, podendo evoluir para um quadro grave de insuficiência renal e respiratória.

O período de incubação da doença é, em média, de dez dias após o contato com a água contaminada. Assim, a doença só poderá ser detectada com maior segurança com a realização de exames laboratoriais feitos com o aparecimento dos sintomas, quando o médico deve ser procurado, para poder iniciar o tratamento precocemente.

Outra doença que pode levar a complicações renais graves é a Síndrome hemolítico-urêmica, que atinge especialmente crianças. Em 90% dos casos, ela está associada a uma toxina produzida pela bactéria Escherichia coli e, em geral, infecta gatos e outros pequenos mamíferos, que eliminam a toxina pelas fezes, podendo ser transmitida por alimentos e água contaminada. “É uma doença grave, manifestada por febre, dor abdominal, vômitos e diarreia, levando a alterações no sangue, como anemia, predisposição a sangramentos e lesão renal aguda, com necessidade de diálise”, afirma o nefrologista.
          

Cuidados importantes para evitar as doenças

Em casos de enchentes as pessoas devem permanecer o menor tempo possível em contato com a água. Se isso for impossível, as mãos e os pés devem ser protegidos por botas e luvas. Se isso também não for possível pode-se improvisar proteção amarrando os pés e as mãos com sacos de plástico (desde que não estejam furados).

A lama das enchentes tem alto poder infectante. Ela adere aos móveis, paredes e chão. Recomenda-se tirar essa lama, também com pés e mãos protegidos. O local deve ser lavado e desinfetado com água sanitária. O Ministério da Saúde recomenda usar um copo de água sanitária em 20 litros de água.

É muito importante o cuidado com os alimentos, que também podem ser contaminados. Frutas e legumes crus devem ser lavados com água e um pouco de água sanitária. Recomenda-se lavar sempre as mãos, com sabão e água limpa, antes de manipular os alimentos.

As enchentes podem contaminar ainda o sistema doméstico de armazenamento de água. Por isso, uma das primeiras providências deve ser a de desinfetar os reservatórios de água, mesmo quando não tenham sido atingidos diretamente pela água da enchente. O motivo é que a rede de distribuição de água pode apresentar vazamentos que permitem a entrada de água poluída, contaminando os reservatórios domésticos.
         

Fonte

Lúcio Roberto Requião Moura – Médico nefrologista e diretor da Sociedade Brasileira de Nefrologia.
                 

 

          Fundada no dia 02 de agosto de 1960, a Sociedade Brasileira de Nefrologia conta hoje com 3.100 associados em todo o país. O objetivo da entidade é congregar médicos e profissionais da saúde em torno da nefrologia, promovendo o crescimento da especialidade, por meio do apoio aos profissionais, o incentivo a projetos científicos e educacionais, colaboração com as demandas das sociedades médicas afins e com as demandas governamentais, no sentido de garantir à sociedade universalização do acesso à saúde renal.
           

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Mais informações

Lúcia Scoter
o11-4787-1322 / o11-9187-8575
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