Doença na gengiva está associada ao diabetes

Apesar de fácil prevenção, a periodontite, doença inflamatória crônica da gengiva, tem chamado a atenção dos profissionais de saúde por causa de sua associação a doenças sistêmicas, como o diabetes.

Especialistas afirmam que pessoas com diabetes são, normalmente, mais suscetíveis às infecções bacterianas e, no caso de pacientes com problemas no controle glicêmico, a situação se agrava, pois as inflamações gengivais progridem mais rapidamente, levando a perdas dentárias em menor tempo.

Segundo o Dr. Luciano Oliveira, a desinformação e a falta de programas preventivos de saúde e higiene oral estão entre as principais causas da periodontite.
            

Na entrevista abaixo, o cirurgião dentista esclarece pontos importantes sobre o assunto.
      

1. O que é a periodontite?

A periodontite é uma infecção caracterizada pela contínua destruição do colágeno dos ossos e ligamentos que sustentam os dentes à boca. A lenta e frequentemente indolor degeneração destes tecidos termina por comprometer a implantação dos dentes, tornando-os amolecidos e podendo até mesmo levá-los à esfoliação espontânea.
               

2. Como ela se desenvolve?

As periodontites desenvolvem-se a partir da colonização da superfície dentária por um grupo específico de micro-organismos que, ao encontrarem um ambiente favorável e um indivíduo geneticamente susceptível, podem desencadear uma série de eventos danosos.
            

3. Existe alguma causa principal?

Sua causa principal é sem dúvida a desinformação, aliada a ausência de cuidados básicos e programas preventivos de saúde e higiene oral.
           

4. Quais são os sintomas da doença?

São sintomas frequentemente observados o amolecimento dentário, a migração ou deslocamento dos dentes, o sangramento gengival espontâneo ou estimulado. São sintomas eventuais a halitose (mau hálito) e a dor.
            

5. Como combatê-la?

A principal forma de tratamento inclui a limpeza das raízes dentárias contaminadas através da raspagem, sob anestesia local, com auxílio de instrumentos manuais ou ultrassônicos. Algumas vezes pode ser necessária a utilização simultânea de antibióticos e/ou enxertos ósseos corretivos.
                      

6. Como preveni-la?

A maneira mais eficiente de prevenção da maior parte das doenças periodontais é uma higiene diária bem executada, com uso de escovas de dentes apropriadas e fio dental. Visitas periódicas ao dentista também são importantes para a manutenção da saúde oral.
            

7. O Brasil possui algum número referente a quantas pessoas estão com periodontite, atualmente, no país?

Não, mas estudos epidemiológicos internacionais demonstram que 5 a 20% dos indivíduos com 40 anos apresentam periodontite, e essa incidência pode aumentar ainda mais com a idade.
                       

8. Qual a relação da periodontite com a idade da pessoa?

Por tratar-se, na maior parte das vezes, de uma doença crônica, frequentemente indolor e de evolução lenta, o tempo está a seu favor. Portanto indivíduos com mais idade tendem a apresentar maiores efeitos desta infecção, já que podem estar expostos há mais tempo que indivíduos jovens.
                      

9. Qual é a relação da periodontite e o diabetes? Como uma influencia a outra?

Dada a sua alta prevalência entre diabéticos, a periodontite é considerada por alguns especialistas como a sexta complicação desta doença. Sua presença está relacionada a um aumento nos níveis de importantes mediadores inflamatórios sanguíneos que podem interferir na ação da insulina e consequentemente no controle glicêmico e metabólico destes pacientes.

Por outro lado, o diabetes mal controlado altera negativamente a resposta imune do indivíduo, agravando e favorecendo o surgimento de doenças crônico inflamatórias como as periodontites. Caracteriza-se assim uma via de mão dupla onde um processo alimenta e perpetua o outro.
            

10. Neste caso, como é feito o tratamento da periodontite e quais os cuidados que a pessoa deve ter?

Como já dito, o tratamento baseia-se na remoção do biofilme microbiano (colônias já estabelecidas) das raízes dentárias através da raspagem destas superfícies com instrumentos manuais e ultrassônicos. Algumas vezes, a utilização concomitante de antibióticos se faz necessária assim como também procedimentos de regeneração tecidual.

Uma análise do histórico da doença é uma importante medida preventiva e caso fique comprovada a existência de casos similares na família, um acompanhamento regular é então sugerido. Cuidados pessoais incluem ótima higienização, idas regulares ao dentista, radiografias e exames clínicos detalhados.
      

Fonte

Luciano Oliveira – Cirurgião dentista, membro da Sociedade Brasileira de Medicina Oral e Coordenador da Pós-graduação em Implantondologia do Instituto de Odontologia da PUC-Rio.
              

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Camila Mendonça
Século Z Comunicação
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