Aproveite as férias de verão com saúde

Coqueluche, hepatite A, sarampo e febre amarela são algumas doenças que  podem estragar esses momentos de lazer.
A proteção por vacina é  o melhor  jeito de se livrar dessas ameaças.
          

Não basta estar com as reservas de hotéis e as passagens de avião em ordem para    garantir uma temporada de férias inesquecível. Quem quer aproveitar as férias de verão com saúde deve se preocupar em estar com a carteira de vacinação em dia. Doenças como coqueluche, febre amarela, sarampo e hepatite A certamente são lembranças que ninguém quer trazer  para casa depois de um período de descanso.

“Proteger-se antes de viajar significa não deixar que uma doença estrague as férias ou obrigue a pessoa a fazer um tratamento ao chegar em casa”, explica a médica Isabella Ballalai, diretora da SBIm – Associação Brasileira de Imunizações.

De acordo com estudo publicado na revista britânica The Lancet,  metade das 100 mil pessoas que viajam por mês para áreas pobres voltam com problemas de saúde. Outros estudos internacionais demonstram que entre as doenças mais comuns em viajantes estão a diarreia (69%), a febre (19 a 43%) e as infecções das vias aéreas superiores ( 14 a 31%).

No portal www.viagemcomsaude.com.br, o turista encontra informações para  evitar riscos à saúde em 223 destinos nos cinco continentes. Ilustrada com 900 fotos e mapas, a página traz vacinas recomendadas para viajantes e formas de enfrentar problemas como jet lag, enjôos marítimos, falta de ar em grandes altitudes e se proteger contra o sol intenso, baixas temperaturas e picadas de insetos. O portal foi criado pela Sanofi Pasteur, a divisão de vacinas do grupo Sanofi, que disponibiliza no Brasil um portfólio de vacinas contra mais de 20 doenças como coqueluche, poliomielite, hepatite A, sarampo, febre amarela, entre outras.
              

Coqueluche

Entre as doenças comuns nesta época do ano está a coqueluche, também conhecida por “tosse comprida”. De acordo com o presidente  da SBIm, Renato Kfouri, embora não seja uma doença sazonal como a gripe, a coqueluche “tem uma incidência discretamente maior no verão”.

Apresentado em junho no congresso da Sociedade Europeia de Doenças Infecciosas Pediátricas, um estudo sobre a ocorrência da coqueluche entre 2000 a 2010 no Estado de São Paulo revelou que a maioria dos casos ocorreu no verão, principalmente janeiro, exceto em 2007 e 2008.

Causada pela bactéria Bordetella pertussis, a coqueluche provoca tosse intensa, com acessos seguidos de guinchos e vômitos. Nos adultos, os sintomas são mais brandos e, na maioria das vezes, a doença não é detectada. Já nas crianças, as consequências da doença podem ser graves.

Os bebês, que não completaram o esquema de vacinação ou não foram vacinados, têm mais chances de desenvolver complicações, como pneumonia e insuficiência respiratória, responsáveis por internações e que podem provocar paradas respiratórias, capazes de deixar sequelas mentais e motoras por causa da falta de oxigenação no cérebro.

“A coqueluche pode acometer pessoas de qualquer faixa etária. Mesmo quem recebeu as doses da vacina recomendadas na infância ou teve a doença perde a proteção após cinco a dez anos”, explica a médica Lucia Bricks, diretora de Saúde Pública da Sanofi Pasteur. “Por esse motivo, atualmente existem vacinas contra coqueluche formuladas especialmente para proteger os adolescentes e adulto”, completa.  No Brasil, em 2010 e 2011, foram registrados surtos de coqueluche nos estados de São Paulo, Bahia , Alagoas e Rio Grande do Sul.
         

Hepatite A

Quem pretende passar as férias na praia, deve ficar atento à hepatite A, cuja transmissão ocorre pela ingestão de água e alimentos contaminados pelas fezes de alguém doente. Nos lugares sem saneamento básico, muitas pessoas se infectam na infância, quando a doença se manifesta de forma leve e, às vezes, até assintomática. Já quem mora em locais com bom saneamento básico muitas vezes só vai ter contato com o vírus da Hepatite A,  a partir da adolescência, quando a doença se apresenta de forma mais grave.

Foi o que comprovou o estudo realizado com 901 crianças e adolescentes no Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFP), em Curitiba, no Paraná. Elaborada como tese de mestrado de Jandrei Rogério Matos, sob orientação da professora Eliane Maluf (UFP), a pesquisa revelou que mais de 80% dos pesquisados eram suscetíveis à hepatite A – a  maioria menores de cinco anos, sinalizando a necessidade da vacinação precoce contra  doença.
                

Febre Amarela

As pessoas que gostam de matas, florestas e cachoeiras devem consultar o site do Ministério da Saúde (www.saude.gov.br) para ver se não têm como destino áreas de risco da febre amarela. Em caso positivo, têm como opção de imunização a rede de centros de vacinação públicos e privados de todo o País. “A vacina deve ser administrada pelo menos 10 dias antes da viagem para zonas de risco”, lembra a médica Lucia Bricks.

As áreas de risco abrangem os estados do Norte e Centro-Oeste, partes do Nordeste (todo estado do Maranhão, Sudoeste do Piauí, Oeste e Extremo-Sul da Bahia), do Sudeste (todo estado de Minas Gerais e boa parte de São Paulo) e do Sul (centro-oeste dos estados do Paraná e Santa Catarina e quase todo o estado do Rio Grande do Sul). Só ficaram fora deste traçado os estados do Rio de Janeiro e Espírito Santo (Sudeste), Sergipe, Alagoas, Pernambuco, Paraíba, Rio Grande do Norte e Ceará (Nordeste).

A febre amarela é causada por um vírus, transmitido por mosquitos. Uma pessoa não pode contagiar outra. Animais, como os macacos, são reservatório do vírus causador da doença. De cada cem pessoas infectadas, apenas 15 apresentam os sintomas clássicos da doença, das quais metade morre. Nos primeiros dias, os sintomas se confundem com os da gripe: febre alta, mal-estar e dor de cabeça. Após três dias, há uma pequena melhora. No quarto dia, o doente apresenta pele e olhos amarelados, sangramento, fezes cor de “borra de café” e diminuição da urina.
                   

Poliomielite e Sarampo

As Américas são consideradas territórios livres da poliomielite. Mas quem vai viajar para o Exterior precisa ter atenção especial ao país que vai visitar. “Mais da metade dos casos de poliomielite no mundo ocorre em países que já estavam livres desta doença”, avisa a médica Isabella Ballalai.

Após 17 anos longe da poliomielite, a China confirmou em setembro 10 casos da doença – seis em crianças e quatro em adultos jovens -, mostrando que a pólio  não acomete apenas as crianças. As cepas eram análogas às circulantes no Paquistão que – ao lado da Índia, Nigéria e Afeganistão – é considerado país endêmico para pólio. Em 2010 houve 561 casos de poliomielite, dos quais 489 em países não endêmicos, com destaque para a Rússia e outros três países da antiga União Soviética.

“A vacina quádrupla contra difteria, tétano, coqueluche e poliomielite para uso em adolescentes e adultos confere proteção rápida. É especialmente indicada para adolescentes e adultos que se dirigem aos países da África, Ásia e, agora, também China, onde a pólio não foi eliminada ou foi reintroduzida”, afirma Dra. Lucia Bricks.

Considerado sob controle no Brasil, o sarampo continua provocando surtos em vários países, inclusive desenvolvidos. Em 2011, a Europa registrou 26 mil casos em 36 países. Desde total, 83% ocorreram na Europa Ocidental, onde foram reportadas nove mortes e mais de sete mil internações, informou a Organização Mundial da Saúde (OMS). Atualmente, o Equador enfrenta um surto de sarampo com mais de cem casos.

Em 2011, o Brasil contabilizou 41 casos, dos quais sete com histórico de viagem à Europa e aos Estados Unidos. Os demais tinham ligações com esses casos. Para evitar a reintrodução da doença, o Ministério da Saúde recomenda a vacinação contra o sarampo para as pessoas suscetíveis que vão viajar para qualquer parte fora do País.

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Informações para a imprensa

Nora Ferreira – Lu Fernandes Comunicação e Imprensa
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