Câncer de cabeça e pescoço – a importância do diagnóstico precoce

Entre os vários fatores para que ocorra o câncer, o tabaco é um carcinógeno que atua tanto como indutor e promotor da doença
        

          

De uma maneira geral, o diagnóstico de câncer impõe ao paciente questões fundamentais de sua existência. O impacto do diagnóstico e também do tratamento podem ameaçar crenças fundamentais, interpretações de papéis e funções, além de alteração na autoimagem e autoestima. Apesar dos avanços científicos, o conceito de câncer representa, para grande parte de nossa sociedade, o ícone de morte, perdas, punição e questionamentos, o que pode tornar essa conotação negativa e desfavorável para o desenvolvimento de atitudes preventivas.

Os pacientes com câncer de cabeça e pescoço possuem peculiaridades e semelhanças e que devem ser consideradas na evolução da doença e do tratamento, podendo ser particularmente difícil porque o paciente, além de lidar com o impacto emocional do câncer, terá que lidar com a própria doença, seu avanço e os efeitos do tratamento que podem resultar em alguma alteração da imagem facial, perda da mastigação, deglutição, salivação, fala, perda de sensações gustativas e olfatórias.

Quaisquer mudanças físicas que aconteçam em pacientes oncológicos, sejam temporárias ou permanentes, irão afetar de maneiras diferentes e importantes a imagem que as pessoas têm de si mesmas. Este tipo de câncer atinge principalmente homens e tem como característica o uso crônico de bebida alcoólica e/ou fumo. Os dois juntos aumentam em 40 vezes as chances da doença.

“Entre os vários fatores para que ocorra o câncer, o tabaco é um carcinógeno que atua tanto como indutor e promotor da doença. São identificadas em torno de 60 a 70 substâncias cancerígenas não somente na fumaça, mas nos derivados do tabaco de modo geral. A identificação de fatores de risco para o desenvolvimento do câncer é de fundamental importância, representando a maneira mais efetiva para a identificação de quais estratégias devem ser adotadas com a finalidade de reduzir estas altas taxas de incidência na população geral. Neste sentido, não pode haver estratégia mais efetiva do que a cessação do tabagismo”, esclarece Dra. Adriana de Melo.

O HCor iniciou seu trabalho com fumantes na década de 90, quando no Brasil iniciou-se um trabalho importante no controle do tabagismo. O Programa de Cuidado Integral ao Fumante é um dos trabalhos realizados pelo Serviço de Psicologia do HCor, que há 18 anos atua fortemente na Instituição por meio de palestras educativas para jovens e adultos, além do atendimento interno a pacientes do hospital. Ao todo, desde o seu lançamento há 18 anos, já passaram pelo programa mais de 1000 pessoas.
                                

O câncer de cabeça e pescoço

Apesar de ser uma especialidade eminentemente oncológica, o cirurgião de cabeça e pescoço trata também de doenças benignas como os bócios (aumento benigno da tireoide) e as anomalias congênitas cervicais. A especialidade, relativamente nova em relação às demais especialidades médicas, estabeleceu-se de forma definitiva no Brasil há pouco mais de 40 anos com a fundação da Sociedade Brasileira de Cirurgia de Cabeça e Pescoço, em 1967.

A tireoide é uma glândula endócrina localizada na parte da frente do pescoço que produz hormônios que regulam diversas funções do corpo, entre elas, as funções cardíacas, o ritmo de funcionamento intestinal e o humor. Os hormônios da tireoide (HT) controlam a frequência dos batimentos cardíacos, o ritmo adequado do coração e regulam o sono. O descontrole da função da tireoide para mais (hipertireoidismo) ou para menos (hipotireoidismo) desregulam essas funções e aceleram os batimentos cardíacos. Além de causar arritmias, ansiedade, insônia bem como fadiga e até depressão.

O principal sinal do câncer de tireoide é a presença de um nódulo indolor na tireoide detectado à palpação ou pela ultra-sonografia, que não altera os níveis sanguíneos dos hormônios tireoideanos. A presença de nódulos tireoideanos detectados pela ultra-sonografia (USG) de rotina é comum, principalmente em mulheres. Felizmente, aproximadamente 95% desses nódulos são benignos. De acordo com a suspeita clínica ou pelos achados no USG, o especialista solicita a punção biópsia aspirativa do nódulo, no qual determina se o nódulo é suspeito para malignidade.

O câncer de tireoide ocorre em qualquer idade, sendo mais comum após os 30 anos. O tratamento oncologicamente mais adequado para o câncer de tireoide é a tireoidectomia total (retirada completa da tireoide) associada eventualmente à retirada de gânglios linfáticos do pescoço que estejam comprometidos pela doença.

“Quando realizada por cirurgião especialista, o risco de complicações mais sérias decorrentes desta cirurgia, como a rouquidão permanente, é menor do que 1% dos casos. Após a cirurgia, alguns pacientes deverão receber um tratamento complementar com iodo radioativo e a indicação desse tratamento depende da análise em conjunto de uma série de fatores como idade, tamanho do tumor, agressividade local do tumor entre outros fatores”, explica Dr. Fábio Pinto.

Segundo o especialista do HCor, os únicos fatores de risco conhecidos para o desenvolvimento deste tumor são a exposição à irradiação no pescoço e o antecedente de câncer de tireoide na família. O tipo mais frequente de câncer de tireoide é o carcinoma papilífero com aproximadamente 80% dos casos, seguido do carcinoma folicular com 15% dos casos. Nos pacientes com menos de 45 anos de idade e com tumores pequenos, mais de 97% dos carcinomas de tireoide são curáveis.
          

Cirurgia de Cabeça e Pescoço

A cirurgia mais comum realizada pelo cirurgião de cabeça e pescoço é a tireoidectomia (retirada parcial ou total da glândula tireóide) seja por doença benigna ou maligna da tireoide. “Além do câncer de tireóide, outro tumor frequente na rotina do cirurgião de cabeça e pescoço é o câncer da boca que inclui os cânceres de lábio e de cavidade oral (mucosa bucal, gengivas, palato duro, língua oral e assoalho da boca). O câncer de lábio é mais comum em pessoas brancas, e registra maior ocorrência no lábio inferior em relação ao superior”, esclarece Dr. Fábio Pinto.

Segundo dados do Instituto Nacional do Câncer (INCA – RJ), o câncer de boca é o oitavo tipo de câncer mais comum no Brasil, sendo o sexto tipo mais frequente nos homens. Para este ano estima-se o aparecimento de 14.120 novos casos de câncer da cavidade oral, sendo 10.330 em homens e 3.790 em mulheres.

Diferente do câncer de tireoide, o câncer de boca é uma doença muito agressiva com alto índice de mortalidade, sendo que em 2008 foram registradas 6.214 mortes por esta doença no país. No Brasil, o câncer de tireoide correspondeu a 1,3% de todos os casos de câncer registrados no INCA – RJ de 1994 a 1998, e a 6,4% de todos os cânceres da cabeça e pescoço. A partir de 1997, a incidência de câncer de tireoide aumenta 6% ao ano em diversas regiões do mundo.

Uma das explicações para esse fato é o aumento da detecção de nódulos tireoideanos pequenos por meio da ultrassonografia (USG) de alta resolução. Segundo dados do National Cancer Institute, cerca de 37.000 novos casos de câncer de tireoide são diagnosticados anualmente nos Estados Unidos. A American Cancer Society coloca o câncer de tireoide como responsável por 4% dos casos novos de câncer em mulheres nos EUA em 2009, o que representa 28.530 mulheres diagnosticadas como portadoras da doença.
            

O HCor

O Hospital do Coração, em São Paulo, lançou no ano passado o Serviço de Cirurgia de Cabeça e Pescoço com uma equipe multidisciplinar composta por especialistas de cabeça e pescoço, endocrinologistas, otorrinolaringologistas e cirurgiões plásticos. Com o objetivo de atender os pacientes com as doenças que acometem os órgãos localizados na região da face e do pescoço como o tratamento cirúrgico dos nódulos tireoideanos, tumores das glândulas salivares e dos tumores da cavidade oral, faringe e laringe, o HCor é responsável pelo diagnóstico preventivo, exames laboratoriais e de imagem, e conta com todo know-how, infra-estrutura e suporte do centro cirúrgico da Instituição.
               

Fonte

* Adriana de Melo – Psicóloga da área de Oncologia do HCor – Hospital do Coração.

* Fábio Pinto – Médico especialista em Cirurgia de Cabeça e Pescoço do HCor.
              

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