Taxa de internação por DPOC cai quase pela metade com Programa Pulmão Paulistano

O Programa Pulmão Paulistano da Secretaria Municipal de Saúde de São Paulo (SMS) foi tema de estudo de médicos pneumologistas apresentado no 14º Congresso da Sociedade Paulista de Medicina (SPPT), realizado em São Paulo entre os dias 17 e 20 de novembro, no Centro Fecomércio de Eventos.

A ideia deste estudo aconteceu após ações em prol do tratamento da doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) em 2007, tais como distribuição de medicamentos para DPOC pela Secretaria Estadual da Saúde de SP (SES-SP), a instituição de 23 serviços de pneumologia, a reestruturação do programa de dispensação de oxigenoterapia domiciliar prolongada (ODP) e treinamento continuado para pneumologistas e enfermeiros da rede ambulatorial pela Secretaria Municipal da Saúde de SP (SMS-SP), explica a dra. Maria Christina Lombardi Machado.

O estudo foi realizado retrospectivamente, avaliando dados obtidos entre 2004 e 2010, com o objetivo de analisar as taxas de internações/ano por DPOC, em pacientes maiores de 40 anos, nos hospitais públicos de São Paulo, antes e após as ações de 2007.

“Com o intuito de melhorar o atendimento ao paciente, em 2007, a SMS-SP começou a realizar treinamentos continuados com 28 pneumologistas, mais de 50 enfermeiros e pessoal de setores administrativos dos ambulatórios de pneumologia das Unidades Básicas de Saúde (UBS) da rede pública. O treinamento foi sobre o manejo da DPOC, prescrição e uso de ODP, preenchimento correto dos protocolos, ensino do fluxo de encaminhamento correto para obtenção de medicamentos e ODP no Sistema Único de Saúde (SUS) na capital”, explica a doutora, concluindo: “Aplicou-se também um Programa Educacional para pacientes e familiares sobre a utilização correta das fontes de oxigênio e de medicamentos, o que proporcionou grande melhoria no atendimento, maior conhecimento da doença e de seus tratamentos por parte dos próprios pacientes, que hoje sabem como utilizar corretamente os remédios e as fontes de oxigênio em casa”.

Antes do treinamento, diz ela, muitos pacientes usavam de forma incorreta a ODP e os novos medicamentos para DPOC. Hoje, isso mudou e esses tratamentos, que são caros e eficazes, estão sendo utilizados corretamente.

“Existe forte associação entre as ações dos Serviços Públicos de Saúde em prol da DPOC e uma redução significante das taxas de internação/ano por DPOC nos hospitais públicos da cidade de 2008 a 2010, em relação aos anos de 2004 a 2007. No primeiro período, a taxa de internação/ano por DPOC na população acima de 40 anos era de aproximadamente 30 pacientes por 100 mil habitantes. De 2008 a 2010 esta taxa caiu quase pela metade”, declara a doutora.

Dados parciais deste estudo foram apresentados no Congresso Internacional de Pneumologia da American Thoracic Society (ATS), em Denver, nos Estados Unidos, em maio deste ano.

“De acordo com os consensos atuais, para um bom tratamento da doença é necessário instituir serviços especializados em pneumologia, divulgar o fluxo de encaminhamento para este atendimento, ensinar o fluxo para obtenção de medicamentos de ODP, fazer treinamento continuado para profissionais de saúde sobre DPOC/ODP, aplicar programas educacionais para pacientes e familiares, melhorar o acesso aos exames de espirometria e gasometria pelos pacientes, ações que seguramente o Programa Pulmão Paulistano realizou”, declara a doutora.
                   

DPOC em São Paulo

A DPOC, Doença Pulmonar Avançada (DPA) mais prevalente na prática clínica, limita a realização das atividades de vida diárias e determina qualidade de vida ruim. Os seus principais sintomas são tosse e falta de ar frequentes, que pioram de forma lenta e progressiva. O tratamento da doença visa a aliviar os sintomas, aumentar a capacidade respiratória, prevenir complicações, melhorar a qualidade de vida e reduzir a mortalidade.

“Em São Paulo estima-se que 150 mil pessoas vivam com a DPOC. Destas, 50 mil possuem a forma grave da doença e 4.400 necessitam usar ODP. O número de pacientes que recebem ODP pela SMS-SP atualmente é de aproximadamente 4 mil. A maioria deles (75%) pacientes idosos com DPOC”, conclui a doutora.
                            

Fonte

Maria Christina Lombardi Machado – Coordenadora  do ambulatório de oxigenioterapia domiciliar prolongada (ODP) da Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) e do Programa Pulmão Paulistano do NUPES (Núcleo de Programas Estratégicos) da SMS-SP.
                               

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