Autoridade e Disciplina

A verdadeira autoridade se baseia no velho e bom exemplo de autodisciplina. Mas como é fácil  confundir os diferentes sentidos dessa palavra, encontramos muitos pais que apenas se lembram e usam um desses seus significados: castigar e dar ordens. O que está longe do verdadeiro sentido da autoridade como  geradora de  disciplina, ou melhor ainda de  autodisciplina.

Disciplina vem  da palavra “Discipulus”, ou seja “alguém que aprende”. Assim, disciplina não pode ser imposta pela força, pois isso contraria o princípio básico, da ideia de que ser disciplinado implica  na admiração espontânea por alguém que nos incentiva a sermos parecidos com ele.

Exige auto controle e serenidade, indispensáveis para transmitir segurança e admiração a uma criança.

Para  promoverem esse compromisso da criança com certos princípios e comportamentos que desejem que seus filhos tenham, os pais devem se basear na necessidade de apego das crianças a eles e lhes dar  a oportunidade de aprenderem no dia a dia observando o seu comportamento.

As crianças pequenas, até mesmo  para se sentirem protegidas , tendem a admirar e imitarem seus pais. Elas os vêem como perfeitos e mesmo quando essa ideia é posta em dúvida, continuam se esforçando para acreditar que eles são modelos para o mundo.

Ao crescerem, seu círculo de conhecimentos vai aumentando enquanto a sua ingenuidade vai diminuindo e começam a admirar e querer imitar outras pessoas, como professores e amigos.

O desejo das crianças de serem amadas pelos pais, permanece por muito tempo e por isso tendem a serem “discípulos” desses até uma época além da infância. Quanto mais forte esse vínculo, menos chance terão de admirar  e imitar líderes negativos durante sua adolescência. Por isso é importante  se preocupar com a disciplina desde cedo.

Crianças tendem a querer sempre ser discípulo de seus pais, ou seja, seguir sua disciplina pessoal como exemplo, em uma admiração amorosa. Ensinar pelo exemplo  é um desafio pois exige grande dose de autocontrole e disciplina no dia a dia e em todas as áreas de nosso comportamento. Mas o resultado compensa.

É importante nos lembrarmos que mesmo que a criança ame muito e admire seus pais e os queira imitar e agradar e sempre procure agir com a disciplina imposta por eles, essa é uma tarefa difícil para alguém tão frágil.

E mais difícil será se os pais não transmitirem segurança e uma imagem clara do que eles desejam que o filho imite e aprenda.

A atitude dos pais como modelo e a compreensão pelos deslizes ocasionais dentro de um padrão de serenidade, serão muito mais atuantes na formação da criança, do que castigos, longas conversas ou reprimendas.

Quem não se lembra como se sentia frustrado e humilhado quando os pais o castigavam ou forçavam a fazer  coisas absolutamente contra a sua vontade, sem nenhuma consideração?

Lembrando de nossa própria infância, teremos meios seguros de compreender  como o desejo impaciente de alguns  pais em querer moldar os filhos  é contraproducente.

O que se deve ensinar é o limite, o dever e o direito, pois assim a criança aprende que a cada ação, existe uma consequência. Que não significa castigo, mas uma  tomada de responsabilidade sobre seus atos. Isso é disciplinar, ensinar o autocontrole. Com o castigo não se cria autocontrole e portanto não se tem disciplina verdadeira.

Disciplinado é quem age corretamente de acordo com padrões introjetados de conduta ao longo de sua vida, mesmo quando está sozinho. É a questão da ética e da moral.

Desde bebê o ser humano observa e imita o meio ambiente. Assim, a clareza naquilo que se deseja da criança é importante desde o princípio. Proibir coisas e em seguida permitir, não cria padrões sólidos de conduta e é  um comportamento que deve ser evitado a todo custo.

Crianças criadas com rotinas saudáveis, adequadas à sua idade, tendem a ser muito mais equilibradas em seu comportamento durante a adolescência.

De modo geral, até os três anos, a criança deve ser introduzida com afetividade nas suas primeiras tarefas familiares: arrumar seus brinquedos, guardar seus pertences, treinar atos de higiene pessoal, aprender a falar com as pessoas de forma educada, respeitar as coisas dos outros, cumprir ordens dos mais velhos, etc. A responsabilidade se ensina nessa idade. E é claro que também depende do exemplo!

Com a ida à escola, novas exigências são introduzidas em suas vidas, através do contato com os professores e coleguinhas. Erram os pais que sempre dão razão aos filhos  quando estes são repreendidos na escola: as crianças sabem quando estão agindo em desacordo com a disciplina que introjetaram em sua casa e perceberão facilmente que seus pais não estão sendo coerentes e serenos em sua atitude. Além disso, se os pais o confiaram a alguém, no caso na sua professora, torna-se conflitivo para a criança que estes contradigam a autoridade dessa pessoa!

Crianças com mais de sete anos, têm condições de responderem por boa parte de seu comportamento e os pais devem com afetuosa  compreensão, procurar recordar-lhes de exemplos de atitudes que lhes foram passadas em casa. Não se trata de ser complacente, mas de não ser intransigente com a própria natureza humana. Crianças criadas com disciplina, reagem bem a esse tipo de conduta.

Saber distinguir o certo do errado significa dominar interiormente uma escala de valores, possuir a autodisciplina, que só uma educação  criteriosa e cuidada permite formar.

Se os pais tiverem comportamentos coerentes com seus ensinamentos e agirem de forma clara e serena, as crianças se sentirão com liberdade de questioná-los em relação ao que lhes parece certo e errado.

Repreender é tarefa para ser feita em um momento de calma e com serenidade. Gritos e castigos físicos não condizem com disciplina e exemplo. Esperar a hora certa é tão importante quanto encontrar as palavras certas para criticar, explicar, repreender, mostrar as conseqüências dos atos.

Críticas sempre são bem vindas quando são feitas de forma amorosa e construtiva. Quando apontam um caminho, quando acrescentam esclarecimentos. Mas para criticar é preciso também ter autodisciplina , ser um adulto bem formado e fazê-lo de modo sereno.
                

Fonte

Maria Irene Maluf – Psicopedagoga.
               

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