Menisco é tão importante que ortopedistas defendem a sutura e o transplante

Atualmente se sabe que os meniscos são estruturas com papel importante na função do joelho, distribuindo o estresse do peso, auxiliando na lubrificação e na nutrição da cartilagem. A lesão ou a retirada do menisco compromete a articulação do joelho, desencadeando a formação e progressão de artrose em um período de sete a dez anos, uma doença comum em pessoas idosas, mas que neste caso afeta e prejudica a carreira de um jovem. Quem faz o alerta é o ortopedista Leandro Reckers, cuja tese de doutorado foi sobre o transplante de menisco.

Dr. Reckers será um dos participantes do 43º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia, que começa dia 13, no Transamérica de São Paulo, no qual o tema menisco será destaque, pois os pesquisadores no assunto defendem amplamente o procedimento. Uma revisão recente da literatura mostrou índices de 86% a 91% de resultados satisfatórios, em pacientes submetidos á transplante meniscal após meniscectomia.

“O fato de milhões de brasileiros jogarem futebol, seja profissionalmente, seja como lazer, torna as lesões de menisco bastante comuns no Brasil”, explica Dr. Leandro Reckers, “mas apesar disso conta-se nos dedos o número de transplantes de menisco realizados no país, enquanto esse tipo de operação é extremamente comum no exterior”.
                               

Um erro e suas consequências

O ortopedista, que para preparar a tese fez dezenas de transplantes experimentais em coelhos, conta que por volta de 1905 um cirurgião afamado publicou um trabalho em que dizia erradamente que o menisco era desnecessário, como o apêndice, cuja retirada não afeta a vida do paciente.

“Divulgado o trabalho, a tendência mundial passou a ser retirar o menisco afetado”, continua Dr. Reckers, “mas com o tempo verificou-se que a retirada desse órgão cartilaginoso acaba provocando a artrose precoce, que passou a atingir jovens com menos de 30 anos”.

Na década de 70, a linha de conduta mudou, diz o médico, ortopedistas da Europa e Estados Unidos passaram a suturar, isto é, a amarrar o menisco, para que o paciente continue a contar com ele. E nos casos em que o menisco está muito lesionado, em que a sutura não é possível, a opção é retirar o menisco e após algum tempo, realizar o transplante de menisco.

A tese de doutorado de Leandro Reckers preenche a lacuna da falta de trabalhos científicos nacionais sobre transplante de menisco. Ele estudou a preservação do menisco a -73º, em banco de tecido, pesquisou toda a literatura mundial, comprovando que não há casos de rejeição do menisco implantado e comparou dois métodos de transplante, a cola biológica, que está em moda, e a sutura, concluindo que esta é mais indicada.
                     

Falta convencer o SUS

Para o Dr. Reckers e a equipe que trabalhou com ele na Unifesp – Escola Paulista de Medicina, em São Paulo, o transplante é o caminho a ser indicado aos ortopedistas. “Para que essa operação possa beneficiar os muitos pacientes potencialmente candidatos à cirurgia, é preciso vencer algumas barreiras”, diz ele.

A primeira barreira está no SUS, que não inclui o transplante de menisco entre os procedimentos que contempla e a segunda é a falta de bancos de tecidos cadastrados para preservação do órgão, existem poucos bancos de tecidos credenciados no país.

Dr. Reckers conseguiu o apoio da Sociedade Brasileira de Ortopedia e Traumatologia – SBOT – para sua campanha e diz que, se for possível difundir esse tipo de cirurgia, a relação custo-benefício será muito favorável, pois evitará que pessoas com o menisco danificado venham a ter artrose rápida e precoce. Ele insiste que o país tem condições técnicas e expertise para a operação, que leva a convalescença rápida e sem complicações. “A disponibilidade de meniscos também não é problema e a experiência mostra que ele pode ser armazenado por muito tempo e que, feito o transplante, em oito semanas as células do organismo repopularizam o menisco transplantado, ocupando o lugar das células mortas pela armazenagem a frio; é uma cirurgia muito gratificante para o cirurgião e de ótimo prognóstico”, conclui.
                  

Serviço

43º Congresso Brasileiro de Ortopedia e Traumatologia

Local: Transamérica Expo Center – São Paulo – SP
Endereço: Rua Dr. Mario Villas Boas Rodrigues, 387 – acesso pela Av. das Nações Unidas (Marginal Pinheiros), 1891
Datas: 13 a 15 de novembro de 2011

Informações: www.cbot2011.com.br
                

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Mais informações para a imprensa (11) 5533-8781 com Luchetti ou com Luiz Roberto (11) 9191-3252




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