Verão agrava fotofobia

Dificuldade de adaptação à claridade pode sinalizar doenças oculares ou em outras partes do corpo. Desconforto é mais comum entre mulheres e idosos.
           

Os olhos sofrem no verão. Os dias mais claros agravam a fotofobia, aversão à luz que atrapalha o dia a dia de 3 em cada 10 brasileiros. A dificuldade de adaptação à claridade merece atenção porque pode estar relacionada a doenças nos olhos ou em outras partes do corpo, alerta o Dr. Leôncio Queiroz Neto. O desconforto pode ser crônico ou agudo. Ambos tendem a aumentar no calor.

O especialista destaca que as principais alterações oculares que causam fotofobia crônica são o olho seco e o astigmatismo. Por isso, explica, embora atinja todas as faixas etárias, o desconforto é mais comum entre mulheres e idosos.

Só para se ter uma ideia, pesquisa da OMS (Organização Mundial da Saúde) revela que o olho seco atinge 6,6% das mulheres contra 2,2% dos homens. “Isso acontece porque a mulher usa mais lente de contato que o homem, esta exposta a alterações na produção de hormônios sexuais, ao consumo da pílula anticoncepcional e uso incorreto de cosméticos que alteram a lágrima”, afirma o médico. Nos dias quentes, destaca, a maior evaporação da camada aquosa da lágrima contribui com o agravamento do olho seco e da fotofobia. “O desconforto é tamanho que alguns pacientes chegam a desmarcar compromissos”.
            

Dieta melhora desconforto

Quando a fotofobia está relacionada ao olho seco o tratamento pode ser feito com lágrima artificial (colírio) para diminuir o sintoma imediatamente ou oclusão cirúrgica do ponto lacrimal nos casos mais severos.  Para alterar a qualidade e quantidade da lágrima, o médico diz que a única alternativa é uma dieta com pouco carboidrato, gordura e carne de vaca, porém rica em vitaminas A e E, além de suplementos com Omega 3 encontrados nas sementes linhaça, nozes e algumas verduras. O tratamento dietético tem resultado mais lento, porém é duradouro.
                            

Refração x sensibilidade à luz

O astigmatismo aumenta conforme envelhecemos. É o que mostra um levantamento feito pelo Dr. Queiroz Neto nos prontuários de 1,1 mil pacientes com idade entre 60 e 75 anos. Enquanto na população jovem a prevalência é de 10% a 15%, neste grupo atingiu 38%, ou 418 pacientes. O especialista explica que em quem tem astigmatismo a córnea, membrana redonda e transparente que fica na frente do olho, passa a ter um formato oval. “Esta alteração na córnea aumenta a sensibilidade à luz. Isso porque, as imagens passam a ser projetadas na frente, atrás ou até em mais de um ponto na retina fazendo com que os portadores enxerguem tudo desfocado”.

Para amenizar a fotofobia entre jovens a solução é usar óculos de grau, lente de contato tórica ou fazer cirurgia refrativa. Para quem já passou dos 60 anos e tem catarata, a única solução é a cirurgia de catarata com implante de lente intraocular tórica. O médico ressalta que o implante da lente intraocular tórica aumenta a chance de não ser necessário usar óculos para enxergar à distância. Tanto que um estudo multicêntrico mostra que após a cirurgia 94% dos pacientes passaram a enxergar o suficiente para dirigir sem óculos.
             

Outras doenças relacionadas

A fotofobia pode também estar relacionada a doenças inflamatórias. Entre elas, o médico destaca a conjuntivite, inflamação da conjuntiva que tende a se espalhar no verão, a irite – inflamação da íris, ou mesmo a ceratite – inflamação da córnea causada por trauma ou micro-organismos. “Das doenças sistêmicas que provocam fotofobia, a enxaqueca e o reumatismo são as mais frequentes. Outras que podem ocorrer nos meses mais quentes são a dengue e a meningite. O tratamento adequado de cada uma dessas alterações elimina o problema ocular”.
                    

Alerta para crianças

Dr. Queiroz Neto chama a atenção dos pais para crianças que nascem com olhos  excessivamente grandes, lacrimejam muito e evitam abrir os olhos no sol. Pode sinalizar glaucoma congênito, malformação que dificulta a drenagem do humor aquoso, líquido que nutre o globo ocular e que causa fotofobia em bebês. O único tratamento neste caso é a cirurgia. O especialista diz que o tratamento precoce evita a cegueira permanente em 90% dos casos. Por isso, se trata de uma emergência médica.
          

Óculos escuros – uma solução

Parte das pessoas que têm fotofobia não tem doenças associadas. Apenas são mais sensíveis à luz, como é o caso de quem tem pele e olhos claros. Neste caso, Dr. Queiroz Neto diz que usar óculos escuros é a única forma de combater o desconforto. Mas não vale qualquer tipo de óculos, ressalta. As lentes precisam ter filtro UV (ultravioleta).

O especialista explica que quem usa óculos escuros sem filtro tem 60% mais chance de contrair catarata. Isso porque, explica, as lentes escuras fazem com que as pupilas dilatem, permitindo que uma quantidade maior de radiação penetre nos olhos. O ultravioleta tem efeito cumulativo sobre o cristalino que vai se tornando opaco até a cegueira. É a catarata, maior causa de cegueira tratável no mundo. O único remédio é a cirurgia. A exposição dos olhos á radiação UV também causa degeneração da mácula, parte central da retina que é irrecuperável e, portanto, leva à perda da visão permanente. Considerando que 80% de nossa interação com o meio ambiente depende da visão, todo cuidado é pouco, conclui o médico.
                            

Fonte

Leôncio Queiroz Neto – Médico oftalmologista do Instituto Penido Burnier.
                  

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