Práticas sociais e subjetividade

UNIVERSIDADE PAULISTA DE CAMPINAS

ARIANE BIZZARRI PIRES RA: 615621-5
DULCINÉIA DE LOURDES SANTOS RA: 924571-5
ÉRIKA ESTEVES PERSIO RA: 669123-4
SUELLEN ROSANA COSTA AMARAL RA: 768860-1
VANEIDE CRISTINA ANICETO RA: 679237-5

PESSOAS PORTADORAS DE NECESSIDADES ESPECIAIS: ACESSIBILIDADE E INCLUSÃO SOCIAL

 

Curso de Psicologia

Orientador: Profª. Andrea Patutti

CAMPINAS
2010
                      

 

Sumário

RESUMO

1) INTRODUÇÃO

a) Tema/Levantamento bibliográfico

b) Objetivos

b.1) Geral

b.2) Específico

c) Hipóteses

d) Justificativa

2) MÉTODOS

a) Sujeitos

b) Instrumentos

c) Aparatos de pesquisa

d) Procedimentos

3) RESULTADOS

4) DISCUSSÃO

5) CONCLUSÕES

6) REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICAS

RESUMO

A prática da inclusão social repousa em alguns princípios, tais como: a aceitação das diferenças individuais, a valorização de cada pessoa, a convivência dentro da diversidade humana, a aprendizagem através da cooperação. (SASSAKI, 1999, p.41-42). Os portadores de necessidade especiais, independente da deficiência vivida, carregam consigo um estereótipo herdado durante anos. Ainda nutre-se a idéia de que por ser um deficiente físico este por muito é visto como inválido, o olhar perante eles, muitas vezes é voltado com dó, desprezo. O dia-a-dia de um deficiente, na maioria das vezes não é nada fácil, precisam aprender a adaptar-se, como por exemplo, os cadeirantes precisam adaptar-se com a falta de estrutura, ou em outros casos os portadores de necessidades especiais precisam lutar para fazer valer um lugar na sociedade. Hoje encontramos pessoas com deficiências em todos os lugares: shoppings, ruas, teatros, e é feita até uma exploração muito ampla por parte da mídia, e o isolamento que viviam antigamente ficou para trás.
        

1) INTRODUÇÃO

Um dia você acorda e descobre que tem cauda, um apêndice semelhante ao dos macacos. Seria divertido, cômico, perturbador ou trágico?
Uma história espanhola conta que os habitantes de um local descobrem que estão desenvolvendo cauda. Os primeiros a sofrer a transformação ficam horrorizados e tentam escondê-la de todas as maneiras. Mudam o hábito de vestir, passam a usar roupas largas para disfarçar e ocultar a estranheza. Entretanto, um dia, descobrem que todos criaram caudas e, assim, a história muda radicalmente.
Eles começam a perceber que a cauda pode ter suas utilidades, como, por exemplo, abrir portas quando os braços estiverem ocupados, carregar coisas, dar maior mobilidade. A moda começa a ser ditada. A cauda passa a ser vista não mais como um desagradável apêndice, mas como parte valorizada do corpo, e criam-se roupas para acomodá-la, acentuá-la e liberá-la. Fazem de tudo para exibi-la e enfeitá-la com todos os adornos que se possam imaginar. Entretanto, 10% dos habitantes, que não foram agraciados com a cauda, passam a ser vistos como esquisitos. Buscam formas de disfarçar a deficiência, compram caudas postiças ou isolam-se completamente da sociedade “de cauda”. É motivo de vergonha não ter cauda. (MUSIS e CARVALHO, 2010, p.202)

De forma simbólica essa estória nos ilustra como a diferença é vista na sociedade e o papel exercido pela cultura, visto como fundamental, pois ao longo da história, definiu, defini e re-significa constantemente aquilo que pode ser considerado normal ou anormal.

Mas por que esta necessidade que existe de sermos iguais? Talvez porque ficaria mais fácil ou acessível conviver com o igual? Ou talvez porque não me incomodaria e não haveria necessidade de me auto-reconhecer perante a diversidade?

Na verdade, o que o homem vê e teme é a sua própria fragilidade perante a vida, a sua própria finitude. O conflito originado do confronto do que ele é com o que ele pode vir a ser provoca no homem toda repulsa em relação à diferença. (Marques in MANTOAN 1997, p.19)

O que pensamos, ao ver um ser que não se parece com os demais em sua aparência física, ou não condizer com os demais por ser diferente? Como nos posicionamos frente às diferenças? Frente ao novo? No geral, as coisas e situações desconhecidas nos causam estranhamento. Como nos relacionarmos com uma pessoa tão diferente em sua aparência, mas tão igual em sua essência de humano? E como podemos reconhecer que este ser poderá construir algum conhecimento, sendo respeitadas as suas diferenças? Segundo Mazzotta (2003) a falta de conhecimento sobre as deficiências contribui para que as pessoas portadoras de necessidades especiais, por ‘serem diferentes’ sejam marginalizadas e muitas vezes ignoradas.

Mantoan (1997), diz que pensar no direito que assiste a todo ser humano, decidir como viver e conviver com o outro, sem que para isso se tenha que ser igual ao outro, é direito e deveria ser respeitado por todos sem exceção.

A defesa, a cidadania e o direito das pessoas com necessidades especiais é atitude muito recente em nossa sociedade. Manifestando-se através de medidas isoladas, de indivíduos ou grupos, a conquista e o reconhecimento de alguns direitos dos portadores de necessidades especiais podem ser identificados como elementos integrantes de políticas sociais, a partir de meados deste século.

Na mídia, esse é um tema muito colocado em novelas, filmes e alguns programas de televisão, como por exemplo, no programa Login exibido em 25 de agosto de 2010 pela emissora TV Cultura que abordou sobre o tema acessibilidade, onde os participantes cadeirantes relataram que as condições de acessibilidade hoje em dia no Brasil são totalmente inacessíveis. O programa tem um quadro chamado “Cultura a Rodo”, onde o apresentador experiência as vivências do tema abordado. Sobre a acessibilidade, o apresentador sentiu na pele como é ser cadeirante na Avenida Paulista em São Paulo e relatou a experiência dizendo que a Avenida é adaptada a cadeirantes, mas os demais não, como as lojas ao redor, as calçadas, etc. Durante o programa é relatado que hoje em dia a acessibilidade teve grande evolução, mas que faltam grandes mudanças. Destacou ainda, que a acessibilidade não é o maior problema enfrentado pelas pessoas portadoras de necessidades especiais, mas sim, a conscientização cultural da sociedade sobre o assunto.

Na TV Brasil foi criado em março de 2004 o Programa Especial, que é dedicado à inclusão social da pessoa com deficiência. Ele traz assuntos como mercado de trabalho, lazer, novos tratamentos, esporte, saúde, entre outros. O programa mostra na prática a capacidade das pessoas com deficiência, sendo a apresentadora cadeirante, uma repórter com síndrome de Down e um repórter cadeirante. O programa possui ainda janela de LIBRAS, legenda e audidescrição.

Ainda na mídia, o que é bastante visto são reportagens sobre como é a vida das pessoas com alguma deficiência e também algumas entrevistas realizadas com estas pessoas, como exemplo o Programa Fantástico e o Programa do Jô da emissora Rede Globo, que já realizaram diversas matérias e entrevistas sobre o assunto. Além das novelas que mostraram personagens marcantes com alguma deficiência, como Assunção em “História de Amor” e Luciana em “Viver a Vida”, que sofreram acidente e permaneceram cadeirantes até o final da história. Ainda a personagem Anita de “Caras e Bocas”, deficiente visual e a pequena Clara, de “Páginas da Vida”, portadora de Síndrome de Down.

Segundo Sassaki (1999), o tema em si começou a ter uma valorização quando a visão sobre a deficiência passou de um ponto de vista médico para um ponto de vista social. Onde não era mais necessário se adequar a pessoa deficiente para ter ingresso à sociedade e sim mudar a atitude das pessoas e o próprio espaço físico.

Distinguindo a diferença como algo natural, onde cada um é livre para usar seus direitos na sociedade, surge um novo conceito alcunhado Inclusão. Para Sassaki, 1999, a inclusão social é conceituada como o processo pelo qual a sociedade deve se adaptar para poder incluir as pessoas com necessidades especiais em seus sistemas sociais gerais, e estas devem se preparar para adotar seus papéis na sociedade, constituindo, então, um processo bilateral no qual ambos busquem, em parceria, efetivar a oportunidade igualitária para todos e sanar possíveis problemas.

Podemos dizer, portanto, que a inclusão social é a construção de uma nova sociedade, que se dá por meio de pequenas e grandes transformações, tanto nos ambientes físicos quanto na mentalidade de todas as pessoas, inclusive a do próprio portador de necessidades especiais. (SASSAKI, 1999)

Uma exploração acerca da criação permanente na rotina e na repetição da vida cotidiana sobre a acessibilidade e a inclusão social das pessoas portadoras de necessidades especiais pode trazer subsídios aos profissionais e outros interessados no assunto no que concerne à prática social. Pode contribuir para a produção de conhecimentos para uma reflexão da sociedade sobre a temática e ainda para o aprofundamento teórico do campo e desenvolvimento de novas pesquisas acerca do assunto.

Buscamos com este estudo, descrever e compreender a acessibilidade e a inclusão social das pessoas portadoras de necessidades especiais, entrando em contato com seu cotidiano, através de observações em locais públicos, descrevendo como ocorre a acessibilidade e a inclusão social e uma compreensão dos fenômenos observados a partir de levantamento dos discursos da mídia e bibliográfico referente à busca de diversos referenciais teóricos.
        

a) Tema/Levantamento Bibliográfico

Segundo Sassaki (1999), devido a toda exclusão social que foi praticada durante séculos às pessoas com deficiência, se originou a idéia de integração. As instituições que os atendiam foram se especializando por tipo de deficiência. A idéia era a de conter, dentro das instituições, todos os serviços possíveis já que a sociedade não aceitava receber pessoas deficientes. Foi na década de 60 em que ocorreu o boom de instituições especializadas, tais como: escolas especiais, centros de habilitação, centros de reabilitação, oficinas protegidas de trabalho, clubes sociais especiais, associações desportivas especiais. A idéia inicial era a de normalizar a vida das pessoas portadoras de necessidades especiais, oferecendo a vida diária o mais semelhante possível do resto da sociedade. Seria então, criar nas próprias instituições, ambientes que fossem iguais ou quase iguais aqueles vivenciados pela população em geral. Ficando claro que se tratava de criar um mundo a parte, porém muito semelhante com aquele em que vive toda a sociedade normal.

Mesmo com todas as novas conquistas, por volta do final dos anos 80 inicio da década de 90, algumas instituições perceberam e começam a espalhar a idéia de que essa prática social era insuficiente para abolir a discriminação e também era muito pouco para proporcionar a verdadeira participação igualitária. (SASSAKI, 1999)

No modelo integrativo a sociedade, praticamente de braços cruzados, aceita receber portadores de deficiência desde que estes sejam capazes de:
• moldar-se aos requisitos dos serviços especiais separados (classe especial, escola especial etc.);
• acompanhar os procedimentos tradicionais (de trabalho, escolarização, convivência social etc.);
• contornar os obstáculos existentes no meio físico (espaço urbano, edifícios, transportes etc.);
• lidar com as atitudes discriminatórias da sociedade, resultantes de estereótipos, preconceitos e estigmas, e
• desempenhar papéis sociais individuais (aluno, trabalhador, usuário, pai, mãe, consumidor etc.) com autonomia, mas não necessariamente com independência. (SASSAKI, 1999, p.35)
             

A inclusão nas artes e na cultura:

Conforme Sassaki (1999), a deficiência era apenas mais um tema nas artes e na cultura. Foi a partir da década de 70 que ela passou a ser mais do que isso, virou a estrela principal. Nos anos 80 se deu um grande movimento, que espalhou pelo mundo todo, a grande habilidade das pessoas com deficiência como artistas, músicos, fotógrafos, dançarinos e outros. Nos anos seguintes se presenciou trabalhos artísticos e literários de qualidade, emocionando toda a população.

Hoje, mais de 20 anos em que se foi comprovado à capacidade e habilidade dos artistas deficientes, permanece um enorme empenho para uma integração social, pois, a sociedade como um todo, ainda não teve a chance de conhecê-la por si mesma, e devido a isto, se espanta e se encanta com o desempenho das pessoas com necessidades especiais. (SASSAKI, 1999)
           

Nas atividades físicas:

Sabemos que a atividade física é um fator decisivo na prevenção do desenvolvimento de várias doenças, isso geralmente estimula o indivíduo a incorporar a prática de atividades físicas ao seu cotidiano. Acerca desse assunto é grande a repercussão da mídia nos dias atuais, principalmente no que se refere à importância destas práticas. É um assunto que vem ganhando relevância, estimulando a produção de estudos e constituindo um movimento no sentido de valorização do incremento da atividade física no comportamento habitual da população.

Historicamente, a atenção voltada para as práticas de atividade física por pessoas com necessidades especiais iniciou-se na China, com programas chamados de ginástica médica, por volta de 1950 ocorreu uma concepção mais clara chamada de Educação Física Adaptada, a partir daí tiveram muitas mudanças de nomenclaturas devido o surgimento de novas medidas educativas e pedagógicas nestes programas. (GORGATTI e COSTA, 2008)

Com o avanço nos direitos humanos sociais e da tendência de inclusão social por parte da sociedade, atualmente o preconceito inicial que havia com a adaptabilidade do deficiente físico para as diversas atividades físicas, vem diminuindo cada vez mais. “O desafio consiste em sabe lidar com o abundante potencial presente nas pessoas nos mais diferentes contextos” (GORGATTI e COSTA, 2008)

Atividades como ginástica, dança, jogos e esporte, conteúdos de qualquer programa de atividade física, devem ser consideradas tendo em vista o potencial de desenvolvimento pessoal (e não a deficiência em si). (GORGATTI e COSTA, 2008, p.4)

Gorgatti e Costa (2008) nos apontam ainda que dentro da prática da atividade física a intervenção do profissional é fundamental, pois vale lembrar que é um universo de possibilidades definidas principalmente pelas necessidades.

Devem-se considerar também os desejos e potencialidades do praticante. Um programa deve ser montado, este ainda deve contemplar “o desenvolvimento do saber, do saber fazer, do saber ser e do saber conviver”, para isso o olhar para o outro em sua totalidade é essencial, abrangendo suas capacidades cognitiva, emocional, motora e social.

Os profissionais que atuam nesta área “assumem papel transformador […] sendo atores vivos que constroem, mantém e alteram significados sobre a área, sobre si próprios e sobre as atividades pelas quais respondem” (GORGATTI e COSTA, 2008, p. 19)
             

Na educação:

Pardilha (2001) no seu livro sobre a educação especial dos deficientes mentais critica a forma que os educadores tentam ensinar nas classes especiais, ela acredita que para uma compreensão os deficientes mentais devem ser tratos como ser histórico cultural, respeitando o processo de simbolização na constituição da subjetividade, pois este sujeito é compreendido como um sujeito simbólico, cultural e histórico levando em conta os processos de significação, os movimentos de sentido e seu papel constitutivo do pensamento, da ação e da palavra. Os deficientes mentais têm a capacidade de significar o mundo e a educação pedagógica deve levar essa capacidade à diante, sendo que essa capacidade é ignorada por todos aqueles que vêm as pessoas com comprometimento mental através da visão medica.

Na educação especial é de extrema importância o uso dos instrumentos psicológicos criado pelo homem: a linguagem, o sistema de numeração e o cálculo, a álgebra, as produções artísticas, a escrita, o desenho e os jogos. No entanto todos esses instrumentos devem ser utilizados de maneira de que se insira no cotidiano do aluno especial, facilitando assim aprendizagem e a simbolização dessas atividades.

A educação da pessoa portadora de deficiência tem sido alvo de estudos e discussões que levaram ao desenvolvimento de políticas orientadoras para a inserção desse aluno no ensino regular. Entretanto, isso tem sido feito sem as providências necessárias para um preparo adequado dos professores, forçando-os a trabalhar com as noções de normalidade e desvio, a partir apenas do senso comum. (MUSIS e CARVALHO, 2010, p.203)

Musis e Carvalho (2010) em sua pesquisa com professores que estão em fase final de graduação na Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT) – que possui parceria com a Secretaria de Estado de Educação com o objetivo de qualificar o professor da rede pública de ensino – buscaram compreender as concepções do professor após a graduação acerca do aluno com deficiência.

Avaliamos a hipótese de que um saber próprio é a base das concepções que os indivíduos têm no seu cotidiano e essas concepções, consubstanciadas no senso comum, efetivam a mescla entre indivíduo e sociedade e definem estruturas mentais orientadoras do habitus instituído. (MUSIS e CARVALHO, 2010, p.205)

Para Musis e Carvalho (2010), a inclusão do aluno deficiente na prática educacional, considerando a igualdade de qualidade e oportunidades como ser humano, deve-se constituir uma reflexão dialética para o entendimento sócio-histórico destes sujeitos, haja vista que, ancorar-se no ideal de normalidade não é favorável para práticas de inclusão.
                

Na religião:

No campo da religião, a mudança ocorrida em todo o mundo foi de grande relevância. Além de barreiras físicas no interior de suas instalações, ocorriam também atitudes paternalistas e piedosas em relação à deficiência. (SASSAKI, 1999)

O homem era visto como “imagem e semelhança de Deus”, um ser perfeito, inculcava a idéia da condição humana como incluindo perfeição física e mental. E quando fugia dessa perfeição, não sendo “parecidos com Deus”, os portadores de deficiência (ou imperfeições) eram postos à margem da condição humana. (MAZZOTTA, 2003)

Segundo Sassaki (1999), foi na década de 80 que se deu o verdadeiro movimento de as práticas religiosas se tornarem acessíveis.

Hoje em dia, já é mais comum as igrejas e sinagogas que possuam acessibilidade arquitetônica, permitindo aos integrantes da religião portadores de necessidades especiais uma maior autonomia, tornarem parte na administração dos ministérios, auxiliarem os celebrantes, etc. E isto pode ser visto também como um meio de se conscientizar os freqüentadores que não possuem deficiência e toda a comunidade que está em torno da religião. (SASSAKI, 1999)

Segundo Carlo (2010), a exclusão social das pessoas com deficiência é algo que sempre existiu na história da humanidade. Após o século 13 criou-se na Bélgica a primeira instituição para abrigar pessoas com deficiências mentais, foi de extrema importância a difusão do Cristianismo para esta criação, os deficientes eram acolhidos em conventos, pois perante a sociedade eram visto como pessoas que geravam temor e confusão.

Nos séculos 17 e 18 os deficientes mentais ainda considerados ameaça a sociedade, viviam isolados juntamente com indigentes, vagabundos, preguiçosos, prostitutas, incapazes, velhos, eles eram recolhidos para que fossem cuidados, mas na verdade, o que se fazia era seu isolamento e exclusão para proteger a sociedade contra a desordem dos loucos e os perigos que eles representavam. (CARLO, 2001, p.20)

Ainda segundo Carlo (2001), o papel da igreja foi de grande importância perante a situação, o poder estava sob as mãos do pessoal religioso, os hospitais criados no século 18 regiam por influência da comunidade religiosa, o hospital devia ser lugar de transformação espiritual, a equipe hospitalar tinha como pretensão salvar a alma daqueles, e após muito tempo o hospital foi reorganizado segundo critérios médicos.

A partir do século 19 o olhar aos deficientes voltou-se para a necessidade de cuidado, onde deveriam ser submetidos a intervenção terapêutica, é de se considerar que o movimento alienista contribuiu, pois emergiu a esperança de proteção, ressaltando a essência e dignidade humanista prevalecendo sob qualquer deficiência.

O deficiente mental na Idade Média era considerado e chamado de “louco”, como o resultado da imoralidade, tanto do individuo quanto de seus pais, e por isso desde o principio as terapêuticas foram tão moralizantes, utilizando exortações, exorcismos e até castigos físicos. (CARLO, 2001, p.25)

O ser humano com deficiência era visto como a máxima da degradação humana. Muitos médicos envolveram-se no estudo da deficiência mental. Em 1567 foi desenvolvido um trabalho por um médico chamado Paracelso, onde na obra publicada, a deficiência mental foi vista como um problema médico, ainda existia discriminação, mas eram reconhecidos como dignos de tratamento. Essa obra intitula-se “Sobre as doenças que privam os homens da razão”. Outras publicações foram feitas posteriormente por outros médicos demonstrando uma preocupação pedagógica. (CARLO, 2001)

Mesmo com o avanço no conhecimento médico, ainda no século 19 o preconceito permanecia. Segundo Carlo (2001) havia uma crença, por exemplo, que os cretinos (assim chamados os deficientes) eram seres úteis para uma comunidade, pois cristalizavam em si a cólera divina, se desaparecessem estes “páraraios”, a ira divina poderia recair sobre os outros cidadãos. Ao serem considerados como privados da razão, o louco e o idiota tinham imunidade e podiam denunciar realidades controladas e mascaradas pela razão e pelas normas sócias. Considerava-se que o louco poderia recuperar a razão e voltar as regiões do conhecimento comum da realidade, enquanto que os idiotas, embora fossem considerados como portadores de uma “pureza original”, estariam condenados a irracionalidade; as pessoas gravemente comprometidas foram vistas quase como animais.

Outro fato interessante ocorreu no século 19, com a caracterização da Síndrome de Down, ela ocorreu porque o investigador Langdon Down acreditava que o sujeito portador de tal síndrome seria um sujeito degenerado, que tinha características de uma raça mais primitiva.
      

O ideal das leis e políticas inclusivas:

Segundo Sassaki (1999), se referindo a pessoas com deficiência, existem dois tipos de leis: as gerais e as específicas pertinentes à pessoa deficiente. As leis gerais e as leis específicas podem ser integracionistas ou inclusivas, conforme segue:

• Leis gerais integracionistas são aquelas que contêm dispositivos separados sobre o portador de deficiência para lhe garantir algum direito, beneficio ou serviço. Exemplos disso são as Constituições federal e estadual (Brasil, 1988; por., São Paulo, s.d.), o Estatuto da Criança e do Adolescente (Brasil, 1993) e a Lei Federal nº 9.394, de 20-12-96, que trata da educação profissional (Brasil,1996).

• Leis gerais inclusivas seriam aquelas que, sem mencionar este ou aquele segmento da população, dão clara garantia de direito, beneficio ou serviço a todas as pessoas, sem distinção de cor, gênero ou deficiência. Este tipo de lei ainda está por ser formulado.

• Leis específicas integracionistas são aquelas que trazem no seu bojo a idéia de que a pessoa com deficiência terá direitos assegurados desde que ela tenha a capacidade de exercê-los. Por exemplo, a Lei nº 7.853/89, parágrafo único, II, “f”, que trata da “matrícula compulsória em cursos regulares de estabelecimentos públicos e particulares de pessoas portadoras de deficiência capazes de se integrarem, no sistema regular de ensino” (Brasil, 1994b).

• Leis específicas inclusivas são aquelas que trazem no seu bojo a idéia de que a pessoa portadora de deficiência terá direitos assegurados mediante modificações no ambiente físico e humano que facilitem o exercício desses direitos. Um exemplo é a Lei dos Americanos com Deficiência (EUA, 1990; Augustsson, 1991), que está sendo adaptado em outros países. (SASSAKI, 1999, p.146-147)

Ainda de acordo com Sassaki (1999) o Brasil, tem uma legislação variada e rica, mas contem muitos pontos negativos. A Constituição da República Federativa do Brasil, por exemplo, possui preceitos integracionistas com relação ao emprego:

“Art.37 – A administração publica direta, indireta ou fundacional, de qualquer dos Poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios obedecerá […] ao seguinte: […] VIII – a lei reservará percentual dos cargos e empregos públicos para as pessoas portadoras de deficiência e definirá os critérios de sua admissão”. (BRASIL, 1988 apud SASSAKI, 1999, p.147-148)

Sassaki (1999) diz que este inciso VIII é um exemplo da medida protecionista, integracionista. Funcionando contra a pessoa com deficiência, dificultando ao invés de ajudá-la a conseguir uma vaga no mercado de trabalho

Devido a isto, Sassaki (1999) sugere que é preciso reavaliar toda a legislação referente a deficiência, e se considerar a constante transformação social e a evolução dos conhecimentos sobre a pessoas deficiente. Devem-se também incluir as pessoas portadoras de deficiência e/ou suas organizações no processo decisório em todas as etapas de planejamento, implementação, supervisão e avaliação de políticas e programas de atendimento à pessoa deficiente.

De acordo com Carlo (2001) em 1992 foi divulgada uma nova definição e classificação das anomalias mentais, proposto pela “American Association on Mental Retardation”, que atribui a deficiência algumas limitações:

O retardo mental deve se manifestar antes dos 18 anos de idade, e é caracterizado por limitações substanciais no funcionamento intelectual (que se mostra significativamente inferior á média), associadas a limitações em duas ou mais áreas de habilidades adaptativas, dentre as que seguem: comunicação, auto cuidado, vida no lar, habilidades sociais, utilização da comunidade, auto manutenção, saúde e segurança, habilidades acadêmicas funcionais, tempo livre e trabalho. (p.32 e 33)

Segundo Mazzotta (2003), a primeira instituição para surdos-mudos foi fundada pelo abade Charles M. Eppée em 1970, em Paris. O abade Eppée também inventou o método de sinais. Para deficientes visuais, destaca Valentin Hau, que fundou em Paris o Instituto Nacional dos Jovens Cegos, no ano de 1784. Registra-se que em 1832 teve inicio em Munique, Alemanha, uma obra eficaz para a educação de deficientes físicos, com a formação de uma instituição encarregada de educar os corços, os manetas, os paralíticos. No ano de 1848, em Massachusetts, iniciou-se o atendimento educacional para deficientes mentais, o responsável foi Samuel Gredley Howe, que foi a primeira pessoa a usar métodos sistemáticos para o ensino de deficientes mentais.

Ainda segundo Mazzotta (2003) inspirados em experiências concretizadas na Europa e Estados Unidos da América do Norte, alguns brasileiros iniciaram, já no século XIX, a organização de serviços para atendimento a cegos, surdos, deficientes mentais e deficientes físicos e a inclusão da educação especial na política educacional brasileira vem a ocorrer somente no final dos anos cinqüenta e início da década de 60 do século XX.
                  

b) Objetivos

b.1) Geral

Buscamos com este estudo, observar situações do cotidiano que envolvia pessoas com necessidades especiais, especificamente as questões de acessibilidade e inclusão social, e a partir destas observações fizemos uma articulação com os discursos da mídia e da história do fenômeno observado, um levantamento bibliográfico sobre a temática e a partir disso uma compreensão do assunto.
               

b.2) Específicos

* Entrar em contato com situações do cotidiano que envolvia pessoas com necessidades especiais.
* Observação neutra especificamente sobre as questões de acessibilidade e inclusão social.
* Articulação com os discursos da mídia e da história do fenômeno observado.
* Discussão e levantamento de hipóteses a partir de um levantamento bibliográfico.
* Compreensão final sobre a temática.
                 

c) Hipóteses

No que diz respeito a acessibilidade e a inclusão social, sabemos que há um grande processo de evolução, tanto no aspecto físico como no aspecto psicológico, atualmente já se nota grandes melhorias nestes sentidos, considerando o contexto histórico. Porém, podemos pressupor que ainda há pessoas portadoras de necessidades especiais que possam sofrer dificuldades e até mesmo preconceito em seu cotidiano.
  

d) Justificativa

Considera-se que uma exploração acerca de situações do cotidiano que envolviam pessoas com necessidades especiais, com a finalidade de uma compreensão aprofundada sobre a temática pode trazer subsídios aos profissionais e outros interessados no assunto no que concerne a acessibilidade e a inclusão social de pessoas portadoras de necessidades especiais. E também contribuir para a produção de conhecimentos, para uma reflexão da sociedade sobre a temática e para o aprofundamento teórico do campo e desenvolvimento de novas pesquisas acerca do assunto.

2) MÉTODOS

Trata-se de uma pesquisa qualitativa baseada, no campo das ciências humanas e sociais, na busca de uma observação neutra de situações do cotidiano empreendida a partir dos pressupostos elencados por YEHIA (2009).
          

a) Sujeitos

Pessoas com necessidades especiais em situações cotidianas envolvendo especificamente as questões de acessibilidade e inclusão social.

b) Instrumentos

Observação participante.
           

c) Aparatos de pesquisa

Diário de bordo, materiais da mídia, livros, artigos científicos e revistas científicas.
           

d) Procedimentos

Foram realizadas as observações em campo para coleta de dados da realidade do fenômeno escolhido pelo grupo. As observações foram acontecendo em situações do cotidiano em locais públicos que envolviam pessoas com necessidades especiais.

Para registro das observações realizadas utilizamos um diário de bordo para cada aluno. Para caracterização do contexto observado desenvolvemos um levantamento histórico e discursos da mídia acerca do fenômeno observado. Também foi feito um levantamento bibliográfico referente à busca de diversos referenciais teóricos que permitam uma compreensão especialmente destes fenômenos.

A análise foi organizada a partir das observações e dos registros no diário de bordo dos participantes do grupo e embasada nas pesquisas e referências bibliográficas.
               

3) RESULTADOS

Com este trabalho, obtivemos informações sobre o processo de acessibilidade e de inclusão social: como eles devem ser aplicados, qual foi a sua trajetória histórica e o que é feito hoje em dia. Notamos uma grande melhora na qualidade de vida, mas as limitações de inclusão ainda persistem para as pessoas portadoras de necessidades especiais. Bem como, propiciou momentos de reflexão sobre o contexto do portador de necessidade especial, mostrando situações de auxilio por parte da sociedade.

Pudemos notar durante as observações que existem pessoas com necessidades especiais que conseguem viver no cotidiano sem ajuda de outras pessoas, porém é a minoria. Em observações foi visto pessoas com deficiência visual atravessando a rua e pegando ônibus sozinhas, no entanto acabam sempre precisando da ajuda de outras pessoas, principalmente para serem avisadas de quando o ônibus que irá pegar estiver se aproximando do ponto. Em algumas observações foi possível notar que por vezes as pessoas se anulam para não ter que se comprometer com o deficiente visual e acabarem perdendo o seu ônibus na espera do ônibus que o deficiente irá pegar. Algumas pessoas se propõem a avisar, mas muitas das vezes acabam pegando outro ônibus, deixando, portanto o deficiente sem amparo. Percebe-se que esse deficiente deve ser auxiliado não somente na espera do ônibus, como também para subir no mesmo e ser guiado ao banco disponível, e para isso conta com ajuda dos outros passageiros.

Entre as observações realizadas, outro exemplo de portadores de necessidades que precisaram de ajuda de outra pessoa que não tenha limitações, foi a de uma mulher cadeirante não alcançava a prateleira mais alta, ela estava sozinha, teve que pedir ajuda para a pessoa mais próxima, neste caso, a pessoa foi muito prestativa, além de pegar a mercadoria, ambas ficaram conversando por um tempo. Vale ressaltar que na maioria das observações as pessoas que ajudavam a pessoa com necessidade especial eram conhecidas, chegavam e iam embora juntas ao local em que foi observado.

Entre as pessoas observadas que são mudas ou surdas, em sua maioria, são pessoas que conseguem se comunicar muito bem através da linguagem de sinais. Percebemos que são recebidas pelas pessoas com menos preconceito como, por exemplo, um grupo de adolescentes observado no shopping, eles chamavam a atenção de quem passava, as pessoas ficavam observando-os como se fosse um espetáculo. Os jovens tinham grande facilidade com a linguagem de sinais, pareciam ter muita afinidade entre si, conversavam e brincavam muito, o que deu para notar é que estavam muito a vontade no espaço inserido.
          

4) DISCUSSÃO

Em nosso dia-a-dia vivenciamos situações que envolvem pessoas com necessidades especiais, estas pessoas estão cada vez mais inseridas na sociedade, principalmente após a criação da cota de deficiente nas faculdades e empresas, por exemplo. Com isso, surge a necessidade da adaptação, não somente do espaço físico, mas também das pessoas que passaram a conviver com elas. Sentimos que é extremamente útil e urgente adaptar os ambientes inacessíveis que ainda existem e construir os novos de forma que incluam as pessoas com necessidades especiais.

Considerando as observações realizadas ressaltamos que em alguns estacionamentos de shoppings, supermercados, comércios, bancos, transportes públicos, entre outros locais, possuem acontecimentos em comum, como por exemplo, a não acessibilidade; as pessoas que utilizam vagas preferenciais sem ser portador de necessidade especial – automóveis que não ostentam o pequeno selo azul que indica veículo adaptado para deficientes físicos e pessoas que estacionam nas vagas preferenciais chegam e saem sozinhas sem nenhum acompanhante e sem nenhuma necessidade especial – e também a degradação de ambientes já adaptadas. Cabe ressaltar que há também muitas pessoas que oferecem auxílio voluntariamente, como ajudar a atravessar a rua, ajuda com a cadeira de rodas, entrar e sair dos lugares, identificar e subir nos ônibus ou somente dando informações. Porém muitas vezes essas pessoas passam despercebidas e acabam sendo notadas apenas quando acontece algum contratempo. Como por exemplo, em uma observação realizada, de um homem em um ônibus, sentado em um banco preferencial ao lado de uma senhora, algumas pessoas o olharam inquisitivamente quando entrou uma idosa e ficou em pé ao seu lado. Uma passageira perguntou se ele poderia ceder o lugar, ele ficou em silêncio e não se moveu. Porém na hora que ele foi descer revelou-se sua necessidade, ele tinha o lado esquerdo do corpo paralisado e necessitou de ajuda para descer. As pessoas que estavam olhando ficaram sem reação com o fenômeno manifesto.

Historicamente o julgamento do que é normal ou anormal, bonito ou feio, bom ou ruim passa de geração em geração, como forma de noção ou representações e orientam a prática social de maneira transitória. Esse dinamismo afeta ao longo da história o modo de ver e as práticas sociais relacionadas às pessoas portadoras de necessidades especiais.

Enquanto seres humanos somos todos iguais, com os mesmos direitos e deveres. Há necessidade de aguçarmos sempre mais nossa sensibilidade para criar um clima de respeito mútuo, de solidariedade e de valorização dos talentos de cada um, através de um movimento reflexivo, provocando estranheza diante das situações do cotidiano, possibilitando observar o outro como ser-no-mundo, em sua própria temporalidade, normalidade, espacialidade e facticidade. “Compreender é uma absoluta necessidade, pois sem a compreensão não poderíamos ek-sistir, ou seja, lançarmo-nos para fora em direção às possibilidades” (YEHIA, 2009, p. 69).

Podemos notar que a invisibilidade também está presente nas situações que envolvem pessoas com necessidades especiais. Temos como exemplo, uma de nossas observações onde havia um casal sentado no chão, ambos eram cegos, de repente chegou um homem e disse em alta voz: “acabou o romance…” O casal começou a se beijar. Estavam passando dois rapazes, um deles observou toda essa passagem e cutucou o amigo com o cotovelo e disse: “olha isso!” o outro rapaz se virou para olhar e disse: “nossa!!”. O que era invisível torna-se visível. A escritora Clarice Lispector nos coloca palavras para refletir… “há vários modos que significam ver: um olhar o outro sem vê-lo, um possuir o outro, um comer o outro, um apenas estar num canto e o outro estar ali também: tudo isso significa ver…”

A falta de informação, o medo, o receio, o preconceito com o diferente, contribuem para a exclusão. O fato de alguém ser diferente era percebido unicamente como incômodo social. Com a criação de leis nacionais e com a conscientização mudanças puderam ser notadas. Atualmente, percebe-se uma transformação, ainda que lenta, mas aponta um reconhecimento e valorização social para o portador de necessidades.
           

5) CONCLUSÕES

Muitas vezes em nosso cotidiano estamos tão envolvidos com nossas próprias preocupações, que não conseguimos enxergar as necessidades do outro.

Entrar em contato com a história, como surgiu e como o tema foi tratado ao longo da existência da humanidade; com o que a mídia aborda e nos coloca; com os referenciais teóricos e com o cotidiano das pessoas portadoras de necessidades especiais, nos possibilitou verificar como ocorre a acessibilidade e como a diferença é vista na sociedade ao longo da história da humanidade, quais são os meios de inclusão desses indivíduos, qual o papel exercido pela cultura, pela religião, pelas leis, enfim, uma compreensão aprofundada e experienciada acerca do fenômeno.

A acessibilidade das pessoas portadoras de necessidades especiais teve grande relevância e melhoria nas últimas décadas, mas ainda há muita precariedade. Entendemos que essas pessoas ao longo do tempo foram colocadas e conduzidas conforme a cultura, sendo muitas vezes marginalizadas da sociedade. É notável que atualmente muitos projetos que foram desenvolvidos voltados à inclusão social vêm sendo aplicados na prática, favorecendo grandes melhorias a essas pessoas, possibilitando cada vez mais sua inserção no cotidiano da sociedade. A descriminalização teve grande declínio, mas não podemos deixar de ressalvar que ainda existe grande necessidade de conscientização.

Muitas vezes, o portador de necessidades especiais sente-se excluído e descriminado, sem ao menos estar em contato com o outro; basta apenas vivenciar as barreiras para a sua locomoção ou, até mesmo sente-se incapaz de momentos de lazer por falta de estrutura, gerando dificuldades no direito de sua inserção em sociedade.

O portador de necessidades especiais vive dificuldades em integrar-se e relacionarem-se em sociedade, muitas vezes esses problemas são maiores do que a falta de um membro, redução de visão, audição ou uma síndrome. Haja vista que as práticas sociais são utilizadas como fundamento para a constituição e a transformação do mundo social e do sujeito, pode pressupor o reconhecimento das contradições, das instabilidades e das descontinuidades existentes nas práticas sociais no decorrer das nossas observações e nos levantamentos da mídia e bibliografias teóricas.

Por fim, podemos considerar que é no cotidiano da vida familiar, no convívio social, no ambiente de trabalho que acontecem os encontros, as descobertas dos talentos pessoais, a constatação da maneira peculiar de ver o mundo e os acontecimentos. Isso se torna concreto através da comunicação, do escutar e do expressar das pessoas, independente da forma que se manifesta.
 

6) REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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GORGATTI, M. G. & COSTA, R. F. Atividade Física Adaptada: Qualidade de vida para pessoas com necessidades especiais. SP: Manole, 2008.

LARROYO, F. História geral da Pedagogia. SP: Mestre Jou, 1970, Tomo II.

MANTOAN, M.T.E. A Integração de pessoas com deficiência: Contribuições para uma reflexão sobre o tema. Mennon. Editora Senac, 1997.

MAZZOTTA, M.J.S, Educação Especial no Brasil: História e políticas públicas – 4° Ed. São Paulo: Cortez, 2003.

MUSIS, C. R. & CARVALHO, S. P. Representações sociais de professores acerca do aluno com deficiência: a prática educacional e o ideal do ajuste à normalidade. Educ. Soc. [online]. 2010, vol.31, n.110, pp. 201-217. ISSN 0101-7330.

NOVA ESCOLA. Edição Especial “Inclusão”. Editora Abril. Ed. 24, 2009.

PARDILHA, A. M. L. Bianca – Praticas Pedagógicas na Educação Especial: a capacidade de significar o mundo e a inserção cultural do deficiente mental. São Paulo: Autores Associados, 2001.

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SASSAKI, R. K. Inclusão. Construindo uma sociedade para todos. 3ª ed. Rio de Janeiro: WVA, 1999.

SASSAKI, R. K. Vida Independente: história, movimento, liderança, conceito, filosofia e fundamentos. São Paulo: RNR, 2003, p. 12-16.

TV CULTURA, Programa Login. Acessibilidade. Disponível em: <http://
www.tvcultura.com.br/login/videos/naintegra/2010-08-25/29752>. Acesso em 25 de agosto de 2010.

YEHIA, G. “Entre Psicodiagnóstico e Aconselhamento Psicológico.” In: MORATO, H. et al. (orgs.) Aconselhamento Psicológico numa perspectiva fenomenológica existencial: uma introdução. Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 2009.

 

 




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