Câncer e celular – o que de fato dizem os estudos

O crescente aumento no número de usuários de telefones celulares nos últimos anos tem preocupado a comunidade científica mundial com os possíveis efeitos deletérios à saúde causados pelos campos eletromagnéticos de radiofrequência emitidos por estes aparelhos. Atualmente cerca de 4.6 bilhões de pessoas são usuárias de telefones celulares.

A utilização destes aparelhos junto ao ouvido durante uma chamada telefônica resulta em absorção pelo cérebro da energia eletromagnética emitida pelo aparelho. A intensidade desta absorção está também relacionada ao modelo e à antena do aparelho celular, além da qualidade do sinal entre o aparelho celular e a Estação Rádio-Base. As crianças que utilizam aparelhos de telefones celulares estão mais expostas à absorção cerebral da energia eletromagnética devido a menor espessura do osso craniano quando comparado ao adulto.

Os estudos de avaliação biológica entre irradiação eletromagnética não ionizante e câncer não apresentaram resultados conclusivos. Portanto, as principais fontes de avaliação entre efeitos do telefone celular e potenciais riscos a saúde são de estudos epidemiológicos.  Estes, até o momento, não indicaram, de forma clara, a relação de causa e efeito entre telefone celular e câncer.

Em Março de 2010 foi publicado na revista “International Journal of Epidemiology” o estudo “Interphone”, o maior estudo epidemiológico (caso controle) que analisou esta associação. Foram avaliados mais de 10 mil pacientes por mais de 10 anos, em 13 países. Todos os participantes eram portadores de câncer cerebral (glioma ou meningioma), porém, a frequência de utilização do telefone celular variou entre menos de uma ligação por semana até o frequente uso diário.

A conclusão dos autores deste estudo apontou para o baixo risco de câncer cerebral nos usuários pouco freqüentes de telefones celulares. Entretanto, existe uma tendência de aumento do risco de glioma nos usuários que utilizaram o telefone celular por mais de 1640 horas durante este estudo. Os autores alertam para as possíveis falhas na análise destes dados.

Em virtude da importância deste assunto, em Maio de 2011, 30 cientistas da Agência Internacional da OMS para Pesquisa em Câncer (IARC, na sigla em inglês) se reuniram na cidade de Lyon, na França. Essa comissão foi conduzida pelo Dr. Jonathan Samet, coordenador da Cadeira de Medicina Preventiva da Universidade do Sul da Califórnia. Os membros da IARC, após análise dos estudos mais relevantes entre utilização de telefone celular e câncer, concluíram que “o campo eletromagnético emitido por estes aparelhos, são possivelmente carcinogênicos aos seres humanos”.

Em nota, o Dr. Samet afirmou: “A conclusão é de que pode haver algum risco e, portanto, precisamos ficar atentos para um elo entre celulares e câncer”.

Até que se tenham maiores esclarecimentos sobre o real risco entre câncer cerebral e telefone celular, é importante que sigamos o “Princípio da Precaução”, ou seja, reduzir o contato das crianças com os telefones celulares e nos adultos, além de reduzir a frequência da utilização destes aparelhos, utilizar sempre que possível os fones de ouvidos para as chamadas telefônicas mantendo o aparelho celular afastado do corpo.
                  

Fonte

Leandro Ramos – Médico oncologista da Oncomed Bh.
                        

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Rossana Assunção
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