Entendendo um pouco mais sobre o comportamento violento das crianças

Este é sem dúvida um complexo e desafiante assunto para pais e educadores, que ao atingir mundialmente grande dimensão, passou a ser estudado nas esferas da política e da segurança pública.

Infelizmente não é um episódio raro, ver-se diariamente nos jornais internacionais e nacionais, notícias alarmantes sobre atos de constrangimento causados por jovens que ainda deveriam estar brincando. O vandalismo público, a violência familiar, escolar, a agressão gratuita e a auto-agressão estão documentados em artigos, fotos, filmes.

Essa grande incidência do comportamento truculento entre grupos de jovens, que passam rapidamente da briga entre iguais, para o massacre físico e psicológico e cujo estudo vem preenchendo as prateleiras das livrarias, fruto da pesquisa de educadores e cientistas alarmados com as conseqüências do problema, não está ainda totalmente esclarecido.

Como profissional ligada à educação e à saúde, tenho constatado pessoalmente que. ao longo destes últimos anos, o fato aumentou quantitativamente e que cada vez crianças mais novas estão envolvidas nos acontecimentos e nem sempre como vítimas!

Difícil é explicar aos pais, porque até uma criança pequena pode ser autora de comportamentos impulsivos, explosivos, absolutamente fora do controle dos adultos: ataques de birra, de verdadeira ira, depredação de bens, uso de vocabulário desrespeitoso, insolência, deboche, pouco caso, crueldade, destruição de propriedade alheia, entre outros.

Infelizmente, enquanto as crianças são pequenas, por uma questão de proximidade amorosa ou até por negligência, a família vai deixando passar as melhores ocasiões de educar, repreender, orientar. Muitos pensam: “puxou pra fulano”…”eu era assim”…com o “tempo passa”…Triste engano! Tirando as patologias psiquiátricas que justificam alguns desses comportamentos, o que falta é energia a esses pais, esclarecimento sobre o desenrolar futuro do modo de agir de seu pequeno tirano.

Limites e controle, não se ganham de um momento para o outro: é preciso aprender, vivenciar respeito dentro da própria família. Infelizmente, vítimas de agressões físicas, abusos de toda ordem, mau trato emocional, rejeição, muitas crianças e jovens nem imaginam o que seja respeito ao próximo. Presenciam seus avós serem menosprezados, humilhados e explorados em todos os sentidos, passam por experiências diárias de brigas, discussões em seus lares, assistem à valorização excessiva dos bens materiais e o rechaço aos valores morais e espirituais, a insaciável ganância, a idolatria à aparência, a falta de respeito à hierarquia, à autoridade.

Vivendo desde cedo em comunidades violentas, sem  adultos que lhe dê orientação, expostos horas e horas aos filmes, jogos, brincadeiras, veiculados na tv, na internet, nas diversas publicações, o comportamento truculento e impune torna-se cada vez mais arraigado e passa a fazer parte da personalidade da criança. Assim com o tempo, com o acesso fácil ao álcool, às drogas e armas, o dinheiro fácil  passa a ser o valor ambicionado, custe o que custar!

E não estou falando apenas de crianças abandonadas ou que vivem em periferias menos abonadas: sob uma capa de sofisticação, de falso modernismo, essas coisas acontecem em toda gama de classes sociais e econômicas.

É claro que o estresse socioeconômico na família, a miséria, a fome, a privação de afeto, o abandono da escola, o pouco cuidado dos pais, tornam os indivíduos mais susceptíveis à agressividade. Mas ela não é exclusiva desses ambientes, como qualquer manchete jornalística, nas páginas policiais  pode nos mostrar.

Ataques de fúria, irritabilidade, impulsividade exagerada, intolerância à frustração, abandono  da escola, são comportamentos que devem chamar a atenção dos pais e professores, em qualquer que seja a idade em que se apresente.

Observar bem a criança e o jovem, procurar estar mais perto, acompanhá-lo, escutá-lo, são as primeiras providências a tomar. Mas ao mesmo tempo é indispensável procurar orientação profissional,  para que uma avaliação seja feita e um tratamento possa ser iniciado, para realmente ajudar essa criança a conter sua agressividade, arcar com responsabilidades e manifestar suas frustrações de maneira adequada, assim como a família deve ser orientada a melhor conduzir suas questões internas e seu modo de relação com o mundo.
                           

Fonte

Maria Irene Maluf – Especialista em Psicopedagogia e Educação Especial. Editora da revista Psicopedagogia da ABPp. Coordenadora do Núcleo Sul/Sudeste dos cursos de Especialização em  Neuroaprendizagem e Transtornos do Aprender do Grupo SaberCultura/FACEPD.
Site: www.irenemaluf.com.br
                          

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Denise Monteiro
Denisemonteiro.comunicacao@gmail.com
(11) 9442-7777




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