Coração na terceira idade

A terceira idade é palco da maior incidência de pessoas com problemas cardíacos no Brasil, por isso é importante estar atento aos pequenos  sinais, como um cansaço inexplicável, por exemplo.

É sabido que o envelhecimento é um processo lento e que, na maioria das vezes, vem acompanhado de uma série de problemas de saúde. O desenvolvimento de doenças cardiovasculares é preponderante entre eles. Arritmias cardíacas, bloqueios elétricos, estenose aórtica (abertura diminuída da válvula), aneurismas dos vasos (dilatações), doenças coronarianas e etc., são alguns diagnósticos específicos para aqueles que passaram dos 60 anos de idade apresentam com maior frequência. Para que sejam mais facilmente compreendidos, cabe um resumo em poucas palavras: problemas do coração.

Por que essas doenças, contudo, dizem respeito especialmente às pessoas que estão na terceira idade? “Nessa fase da vida há, no processo de envelhecimento, um maior enrijecimento dos vasos e válvulas, além de distúrbios elétricos que podem levar à diminuição dos batimentos cardíacos”, explica o Dr. Hélio Castello. Ele afirma ainda que, em alguns casos, podem ocorrer bloqueios elétricos que necessitem de tratamento até com implante de marcapassos.

O coração é bastante afetado na velhice por conta das alterações estruturais e funcionais do sistema circulatório trazidas pelo avanço da idade, que facilitam o desenvolvimento de doenças cardiovasculares. “Com o passar dos anos, o coração passa a contar com acúmulo de gordura nos tecidos, a perder a elasticidade dos vasos, além de calcificação das válvulas e discreto aumento de volume”, detalha o médico. Ele afirma que o órgão considerado um dos mais importantes do corpo humano fica também mais rígido.
                  

Fatores de risco

Um dos fatores que mais prevalecem no que diz respeito às doenças do coração, segundo Dr. Castello, é, de fato, o envelhecimento. Além disso, ele cita outro ‘fator de risco imutável’: a genética. “Ela faz com que pessoas da mesma família tenham riscos maiores e semelhantes.”

No entanto, existem alguns fatores externos que podem e devem ser controlados com o intuito de não apenas melhorar a qualidade de vida do ser humano, mas também aumentar a sua duração.

São eles:

* o fumo;
*  o estresse;
* o diabetes;
* a hipertensão;
* o estilo de vida e de alimentação;
* a obesidade;
* as alterações dos níveis de colesterol e/ou triglicérides (dislipidemia);
* o sedentarismo (falta de atividade física), entre outros.

Cada um desses itens está ligado diretamente com a melhor ou pior qualidade de saúde do coração de homens e mulheres em qualquer parte do mundo.
               

Um cansaço inexplicável: um importante alerta

Uma particularidade dos idosos acometidos por doenças cardíacas é que eles normalmente apresentam sintomas mais leves, o que muitas vezes dificulta o diagnóstico. “As dores, por vezes, são menos intensas e surgem também alguns sintomas de cansaço e perda de aptidão, normalmente confundida com dificuldades normais pela idade”, afirma o cardiologista.  Além disso, costumam apresentar cansaço mais intenso que o habitual somado à falta de ar, dores no peito – nem sempre bem definidas, desmaios com perda de consciência, palpitações, etc..

O médico alerta, no entanto, para a fundamental realização de uma avaliação clínica criteriosa, que vai analisar riscos e benefícios associados aos fatores orgânicos do paciente, como função renal, doenças pré-existentes, disfunções de outros órgãos, função orgânica geral com foco em habilidades cerebrais, entre outros. Nos casos em que houver necessidade de procedimentos cirúrgicos, ele ressalta que não há limite de idade cronológica. “O que limita é a idade biológica, pois já realizamos procedimentos grandes em idosos de 90 anos e contraindicamos em outros com 70 anos.”
              

Vale ressaltar que hoje existe uma série de procedimentos menos invasivos que tornaram o tratamento do idoso mais factível, com menor agressão e com ótimos resultados, tais como:

* as Angioplastias Coronárias com Stents;
* os tratamentos de Aneurismas com Endopróteses;
* o Implante de Válvulas através de cateteres;
* a dilatação valvar com balões;
* as desobstruções de artérias periféricas, renais, cerebrais e abdominais;
* o implante de marcapassos e desfibriladores;
* o implante de filtros que diminuem a possibilidade de embolias venosas e por aí vai, com os avanços das técnicas e da tecnologia a serviço das pessoas.
                          

Idosos no Brasil

A expectativa de vida do brasileiro tem aumentado progressivamente nos últimos anos, atingindo hoje a média de 73 anos. Obviamente estamos muito longe dos japoneses que possuem expectativa de vida de 79 anos para os homens e 83 para as mulheres. O Ministério da Saúde do Japão declarou no último ano que tem conseguido esta expectativa tão ampla graças aos investimentos contínuos na prevenção cardiovascular e dos cânceres, que isto sirva de lição para o Brasil.

Havia, em 2008, no país, cerca de 21 milhões de pessoas com 60 anos ou mais. Essa marca superou a população idosa de vários países europeus, como a França, a Inglaterra e a Itália, sinônimos de uma Europa em ritmo de envelhecimento cada vez mais crescente. A informação é do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgada em 2009.

A mesma pesquisa destacou que em 2008 havia 9,4 milhões de pessoas com 70 anos ou mais no Brasil, o equivalente a 4,9% da população total. Já a Organização Mundial de Saúde (OMS) vai mais longe e afirma que até 2025 o Brasil será o sexto país do mundo com o maior número de pessoas idosas. Para tanto, é preciso cuidar bem do coração, afinal, não basta viver mais, mas viver com qualidade.
           

Fonte

Hélio Castello – Médico cardiologista, diretor da Angiocardio.
                   

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Rojas Comunicação
(11) 3675-4940 / 3873-6261




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