Vacina contra o HPV é segura e eficiente

O Papiloma Vírus Humano (HPV, na sigla em inglês) é transmitido por contato direto com a pele infectada e pode ser contraído por qualquer indivíduo. Existem mais de 200 tipos diferentes de HPV, mas somente alguns deles estão relacionados a tumores malignos, a exemplo do câncer de colo do útero.

Os HPV genitais são transmitidos por meio das relações sexuais e, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), de 50% a 80% das mulheres sexualmente ativas serão infectadas por um ou mais tipos de HPV em algum momento de suas vidas. Porém, a maior parte das infecções será combatida espontaneamente pelo sistema imunológico.

Embora o uso de preservativos seja fundamental para diminuir a possibilidade de transmissão do vírus durante o ato sexual, dois tipos de vacinas contra o HPV, desenvolvidas por meio da aplicação da biotecnologia, estão disponíveis no mercado.

Em entrevista para o Biotec pra Galera, a bióloga Luisa Lina Villa, afirma que as vacinas são muito seguras e altamente imunogênicas. “Hoje, empregando a tecnologia do DNA recombinante, desenvolve-se um excelente imunógeno vacinal (partícula que gera uma resposta do nosso sistema de defesa).”
                                  

1. Qual a incidência do vírus HPV na população brasileira? Quais as consequências da contaminação?

Luisa Lina Villa – O HPV pode atingir praticamente qualquer indivíduo. Aproximadamente metade da população é infectada. Na maioria dos casos, não há nenhum sinal da infecção e não se desenvolve uma doença. Entretanto, cerca de 10% dos que adquirem o HPV podem apresentar verrugas genitais e em outros locais do corpo, além de outros tumores mais graves, inclusive o câncer de colo do útero, da vulva, da vagina, de pênis, do ânus, da orofaringe, entre outros.
                            

2. Como funciona a vacina contra o HPV? Ela usa o vírus atenuado para gerar proteção? Quem pode tomar essa vacina?

Luisa Lina Villa – As vacinas profiláticas de HPV são constituídas por partes do capsídeo (estrutura de proteção) do vírus na forma de uma partícula semelhante a ele, e não são usados vírus atenuados para sua composição. São muito seguras e altamente imunogênicas, isto é, geram anticorpos neutralizantes em altos níveis, capazes de impedir a entrada do HPV na célula, evitando a infecção e, consequentemente, as doenças por ele causadas.

As vacinas estão indicadas para mulheres e homens de 9 a 26 anos. No entanto, qualquer pessoa pode consultar um médico e decidir pela vacinação.
                              

3. É possível dizer que ela é um exemplo de como a biotecnologia pode ajudar a saúde humana?

Luisa Lina Villa – Definitivamente. A descoberta em laboratório de que a síntese da proteína L1 do capsídeo viral poderia espontaneamente gerar partículas semelhantes ao vírus, sem conter o DNA do microrganismo, disparou os estudos para sua utilização como vacina e a demonstração mais recente de sua grande eficácia na prevenção de doenças muito comuns.
               

4. Quanto tempo foi dedicado para o desenvolvimento da vacina?

Luisa Lina Villa – Os primeiros trabalhos publicados datam da década de 90, ou seja, há cerca de 20 anos. Ao expressar a proteína L1 de diferentes papilomavírus (grupo de vírus em que se encontra o HPV) em bactérias, células de inseto e leveduras e até em plantas, empregando a tecnologia de DNA recombinante, observa-se a geração dessas partículas que mantêm a conformação ideal para serem reconhecidas pelo sistema imune. Trata-se, portanto, de um excelente imunógeno vacinal (partícula que gera uma resposta do nosso sistema de defesa). Esse processo foi ampliado em escala industrial, e hoje são produzidos dois tipos de vacinas: uma empregando sistema recombinante em leveduras e outra que usa células de inseto para gerar as partículas.
                 

5. Existem mais doenças nos dias de hoje candidatas ao desenvolvimento de vacinas por meio da biotecnologia?

Luisa Lina Villa – Diversas. A vacina contra Hepatite B foi desenvolvida com biotecnologia desde os anos 80 e tem sido um grande sucesso na prevenção de infecções e do câncer de fígado provocado pela infecção crônica por HBV (vírus da hepatite B). Outras possibilidades de vacina incluem dengue, malária, tuberculose e HIV, para citar apenas aquelas que estão em estágios mais avançados de desenvolvimento.
                            

6. O que é o Instituto do HPV? Alunos de graduação e pós-graduação poderão fazer pesquisas e estágios lá?

Luisa Lina Villa – É um instituto criado com verba dos governos federal e estadual que se estabeleceu na Santa Casa de Misericórdia de São Paulo. Sua missão é fazer pesquisa básica e clínica em relação ao HPV e suas doenças, além de transmitir esse conhecimento para profissionais da área e da sociedade em geral e investir na formação de recursos humanos especializados no assunto. Alunos de todos os níveis e profissionais de áreas correlatas são muito bem-vindos.

Nosso contato está no site www.incthpv.org.br.
                 

Fonte

Luisa Lina Villa – Bióloga, Ph.D. em Bioquímica e Biologia Molecular. Chefe do grupo de Virologia do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer e coordenadora do Instituto do HPV, Santa Casa de Misericórdia – SP (INCT-HPV).

                                              

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