Deixar de fumar ficou mais fácil

31 de maio – Dia Mundial Sem Tabaco

OMS chama a atenção do mundo para adotar tratado internacional no combate ao tabaco; cardiologista Jaqueline Scholz Issa, autora do livro “Deixar de fumar ficou mais fácil”, desenvolve programa pioneiro de tratamento do tabagismo que pode reduzir desistência e recaídas de pacientes.

A Organização Mundial de Saúde decidiu chamar a atenção dos países para a importância de adotar as diretrizes da Convenção-Quadro para o Controle do Tabaco (CQCT) no Dia Mundial sem Tabaco, que acontece em 31 de maio. Considerado um marco histórico para a saúde pública global, a convenção – tratado internacional assinado por 192 países – traz, em seu texto, medidas para reduzir a epidemia do tabagismo em proporções mundiais, abordando temas como propaganda, publicidade e patrocínio, advertências, marketing, tabagismo passivo, tratamento de fumantes, comércio ilegal e impostos etc.

No Brasil, estima-se que, a cada ano, de acordo com o Instituto Nacional do Câncer, 200 mil brasileiros morram precocemente devido às doenças causadas pelo tabagismo. Há 18 anos à frente do ambulatório de tratamento do tabagismo do Instituto do Coração (Incor), a cardiologista Jaqueline Scholz Issa, autora do livro “Deixar de fumar ficou mais fácil” (104 p., R$ 29,90, MG Editores), desenvolveu um programa pioneiro de tratamento de fumantes que pode reduzir as taxas de desistência e recaídas, além de estimular os médicos a tratar estes pacientes com metodologia adequada. Com o novo método, a taxa de sucesso – considerada após 52 semanas sem cigarro – chega a 55% em alguns grupos. O programa foi convertido em software, para que possa ser acessado via web por profissionais de todo o país.

O novo modelo de tratamento, denominado PAF – Programa de Assistência ao Fumante, diagnostica com maior precisão o grau de dependência dos fumantes em relação à nicotina e derruba uma das principais premissas que orientam as abordagens atuais: a de que o grau de dependência está relacionado apenas com o número de cigarros consumidos diariamente.

O PAF também derruba outro mito frequente na abordagem ao fumante: o de que deixar de fumar depende principalmente de força de vontade. Hoje, sabe-se que apenas 5% dos que tentam abandonar o vício sozinhos conseguem permanecer sem fumar após um ano e que o tabagismo requer tratamento médico especializado e acompanhamento intensivo do paciente.
Livro

No livro “Deixar de fumar ficou mais fácil”, a dra. Jaqueline esclarece que tabagismo é uma doença e que o fumante deve ser encarado sob essa perspectiva para obter sucesso no tratamento. O grande mérito da obra é tratar o assunto com respeito e objetividade. Baseada em pesquisa e em longa prática, a autora revela tudo que é preciso saber sobre a doença antes de iniciar um tratamento. Segundo ela, abandonar o vício de fumar não é mera falta de força de vontade: a nicotina vicia porque é uma das drogas mais eficazes para combater a ansiedade e a depressão.

A cardiologista também incluiu informações sobre um novo medicamento: a vareniclina, que aumenta em quatro vezes as chances de sucesso no tratamento. Com a substância, associada ao acompanhamento médico, os fumantes poderão superar as duas principais dificuldades para largar o cigarro: a falta de força de vontade e a síndrome de abstinência.

Usando uma linguagem prática e objetiva, ela direciona sua mensagem ao leitor de forma a incentivá-lo, mostrando compreensão ao aplicar uma nova forma de abordagem médica. Segundo a dra. Jaqueline, cobrança e dedo em riste só atrapalham aqueles que querem deixar de fumar. Ela aconselha os fumantes a não se deixar pressionar com argumentos convencionais, que podem fazer que se sintam culpados e anti-sociais. E também não é necessário sofrer sozinho: “Existe ajuda especializada e o dependente deve procurá-la”, afirma.
Números

* A OMS estima que um terço da população adulta, isto é, 1 bilhão e 200 milhões de pessoas (entre as quais 200 milhões de mulheres), sejam fumantes;

* Cerca de dois terços da população fumante do mundo vive em dez países: China (que concentra aproximadamente 30%), Brasil, Estados Unidos, Japão, Rússia, Alemanha, Turquia, Indonésia e Bangladesh;

* De acordo com dados do Ministério da Saúde, o poder público gasta com o tratamento de fumantes duas vezes mais do que arrecada com os impostos do cigarro.
Fonte

Jaqueline Scholz Issa – Médica cardiologista, coordenadora do ambulatório de tratamento do tabagismo do Instituto do Coração (Incor).
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