Incontinência urinária e bexiga hiperativa – dos anticolinérgicos à toxina botulínica

A incontinência urinária pode ser definida como a perda involuntária de urina e pode ocorrer tanto em homens, como mulheres ou crianças. Dentro deste conceito uma série de situações e doenças, transitórias ou definitivas, com mecanismos de ocorrência variados apresenta como fator comum a perda de urina. Pode-se dizer que a incontinência urinária é uma “síndrome”.
 
Desse modo, ao nos depararmos com uma pessoa cuja queixa é incontinência urinária, devemos estabelecer o diferencial com um grande número de possíveis diagnósticos etiológicos entre os quais: a incontinência urinária de esforço, malformações congênitas, fístulas urinárias e a bexiga hiperativa. A Síndrome da Bexiga Hiperativa (SBH) é definida como uma combinação de sintomas urinários: necessidade de urinar rapidamente (urgência miccional), aumento do número de micções, micções noturnas, acompanhada ou não por incontinência urinária. Sua prevalência é da ordem de 16% em países da Europa e Estados Unidos.
 
No Brasil, um levantamento realizado no sul do país demonstrou que 19% da população apresenta sintomas compatíveis com bexiga hiperativa. Tanto homens, como mulheres podem sofrer da SBH, embora os casos com incontinência sejam predominantes no sexo feminino. O impacto da bexiga hiperativa é multidimensional, com um custo anual estimado em 12,6 bilhões de dólares nos Estados Unidos e 4 bilhões de Euros só na Alemanha. A qualidade de vida também é comprometida de modo severo. Portadores de bexiga hiperativa evitam sair de casa e limitam suas atividades com a disponibilidade de banheiros no trajeto, ou destino para qual irão.
 
Enquanto sua etiologia permanece alvo de investigações, nenhum tratamento específico foi desenvolvido. Todos os recursos até o momento empregados visam inibir a ocorrência de contrações vesicais involuntárias da bexiga, ou apenas reduzir os sintomas que caracterizam a síndrome. Seu tratamento inicial está baseado no treinamento vesical e fisioterapia, terapia comportamental, terapia medicamentosa, ou uma associação destas modalidades. Os  anticolinérgicos orais correspondem à classe de medicamentos mais utilizada. Trata-se de medicações com eficácia e segurança comprovadas mais no campo subjetivo do que objetivo.
 
A despeito das novas opções de anticolinérgicos disponíveis no mercado farmacêutico, ainda persiste nessa classe de medicamentos um número considerável de efeitos adversos, como a sensação de boca seca, coceira, obstinação e visão turva. Com isto a tolerabilidade a estes medicamentos é comprometida levando a freqüentes relatos de abandono de tratamento. Este número de interrupções do tratamento pode superar a marca de 80% após seis meses de uso de anticolinérgicos.
 
Para os casos de falha de tratamento com a medicação oral a opção até pouco tempo era o tratamento cirúrgico (ampliação vesical). Para preencher esse espaço entre as condutas mais conservadoras e a cirurgia surgiram opções de tratamento como a aplicação vesical de toxina botulínica.
 
A introdução da toxina botulínica no armamentário terapêutico da bexiga hiperativa foi o evento de maior impacto neste segmento da Urologia, podendo ser considerado como divisor de uma era.  Em um curto espaço de tempo o elevado interesse científico despertado pelos resultados favoráveis dessa modalidade terapêutica conduziu a pesquisas básicas que promoveram um melhor conhecimento da bexiga hiperativa.
 
Os resultados têm sido reiteradamente comprovados por diversos autores no mundo todo, inclusive no Brasil. A taxa de restabelecimento da continência atinge os 80%, além de outros efeitos protetores para o trato urinário. A qualidade de vida também é restabelecida após o uso da Toxina Botulínica, como demonstrado em estudos publicados nos principais periódicos especializados nessa área.
                 
 
Fonte

José Carlos Truzzi – Doutor em urologia pela Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP). Autor do livro: “Bexiga Hiperativa: aspectos práticos”, ao lado da Dra. Miriam Dambros, pela editora O Nome da Rosa.
        

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Adriana Veronez
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Comentários

boa noite.gostaria que me esclarecese eu tenho continencia urinaria,ja coloquei a cinta esling,e nao adiantou nada,tenho bexiga inperativa,gostaria de saber se o botox resolve nestes casos,estou desesperada,nao sei mais oque faço.por favor me mande uma soluçao.meu muito obrigado;

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