Descomplicando a articulação do quadril

Dra. Fernanda Aparecida de Ornelas
Docente da Universidade Católica de Santos (Unisantos) 

Fisioterapeuta Adriana Cavallari
e-mail adriana_cavallari@travelnet.com.br
Bauru-SP
                                      
                                    

I – Introdução

A articulação do quadril é uma articulação triaxial do tipo bola – e – soquete (esferoide), sustentada por uma cápsula articular forte que é reforçada pelos ligamentos iliofemoral, pubofemoral e isquiofemoral. As duas articulações do quadril são ligadas entre si através do osso pélvico e ligadas a coluna vertebral através do sacro e articulação lombossacral.

O Acetábulo é a parte óssea côncava, é formada pela fusão dos ossos ílio, ísquio e púbis, e é aprofundada por um anel de fibrocartilagem, o lábio do acetábulo. Está localizado na face lateral da pelve e dá vista para o lado, para frente e para baixo. A cartilagem articular tem formato de ferradura, sendo mais espessa na região lateral. A porção central da superfície acetabular é não – articular.

A parte óssea convexa é a cabeça esférica do fêmur, que fica ligada ao colo do fêmur. Projeta-se anteriormente, medialmente e superiormente.

II – Anatomia

2.1 – Ossos:

As partes ósseas são o fêmur proximal e a pelve.

2.2 – Cápsula Articular:

Origem: Lábio acetabular e ligamento transverso acetabular, proximalmente.

Inserção: Posteriormente no colo femoral, logo acima da crista trocantérica.

A cápsula é resistente e envolve toda a articulação, fixa em torno do acetábulo, colo do fêmur e linha intertrocantérica onde se insere anteriormente, ela é mais resistente na parte anterior que na posterior (para que o peso do tronco que se localiza posteriormente não desequilibre a articulação).

2.3 – Ligamentos:

Capsulares:

- Lig. Transverso do acetábulo
- Lig. da cabeça do fêmur

Extra-Capsulares:

- Lig. Íliofemoral
- Lig. Pubofemoral
- Lig. Ísquiofemoral

2.4 – Músculo:

Flexores

- Psoas Maior
- Ilíaco
- Reto da coxa
- Sartório
- Pectíneo
- Tensor da fascia lata 

MúsculoOrigemInserçãoInervação/Vascularização
Psoas maiorProcessos transversos, corpos e discos intervertebrais das vértebras lombares.Trocânter menor- r. do plexo lombar   - r.. das aa. lombares, da a. iliolombar, da a. circunflexa profunda e às vezes da a. obturatória.
IlíacoFossa ilíacaTrocânter menor- r. do n. femoral- r. das aa. lombares, da a. iliolombar, da a. circunflexa profunda e às vezes da a. obturatória.
Reto da coxaEspinha ilíaca ântero – inferior; e borda do acetábulo.Tuberosidade da tíbianervo femorala. Femoral Profunda
SartórioEspinha ilíaca ântero-superiorTuberosidade da tíbia, borda medialnervo femorala. Femoral Profunda
Pectíneo Linha pectínea do púbisLinha pectínea do fêmurr. anterior do n. obturatórior. da a. femoral profunda, r. da a. obturatória e da femoral.
Tensor da fascia lata Espinha ilíaca ântero – superior e lábio externo da crista ilíaca.Trato ílio – tibialn. glúteo superiora. circunflexa lateral

 

Extensores

- Glúteo Máximo
- Bíceps da coxa
- Semitendinoso
- Semimembranoso
- Adutor Magno

MúsculoOrigemInserçãoInervação/Vascularização
Glúteo máximoNo ílio, posteriormente à linha glútea posterior, face posterior do sacro e ligamento sacrotuberosoTuberosidade glútea do fêmur e trato ílio tibialn. glúteo inferiorr. das aa. glúteas superior e inferior.
Bíceps da coxa Porção longa: tuberosidade isquiática.  Porção curta: linha áspera do fêmurCabeça da fíbulaP. longa: n. tibialP. curta: n. fibular comum.r. perfurantes da a. femoral profunda
Semitendinoso Tuberosidade isquiáticaFace medial do corpo da tíbia proximalmenten. tibialaa. circunflexas da coxa.
Semimembranoso Tuberosidade isquiáticaCôndilo medial da tíbia, póstero medialmenten. tibialr. perfurantes da a. femoral
Adutor Magno Porção adutora: ramo inferior do púbisPorção extensora: Tuberosidade isquiáticaPorção adutora: Linha áspera.Porção extensora: Linha supracondilar medial e tubérculo adutorr. posterior do n. obturatórioa. provenientes da a. femoral ou da a. circunflexa medial da coxa.

 

 

Abdução

- Glúteo médio
- Glúteo mínimo

MúsculoOrigemInserçãoInervação/Vascularização
Glúteo médioNo ílio, entre as linhas glúteas posterior e anterior.Trocânter maiorn. Glúteo superiorr. da a. glútea superior
Glúteo mínimoNo ílio, entre as linhas glúteas anterior e inferior.Trocânter maiorn. Glúteo superiorr. da a. glútea superior

 

Adução

- Pectíneo
- Grácil
- Adutor longo
- Adutor curto
- Adutor magno

MúsculoOrigemInserçãoInervação/Vascularização
Grácil Corpo e ramo inferior do púbisFace medial da porção proximal do corpo da tíbiar. anterior do n. obturatórioaa. provenientes da a. femoral
Adutor longo Corpo do púbisLábio medial da linha áspera do fêmurr. anterior do n. obturatórior. da a. femoral profunda 
Adutor curto Corpo e ramo inferior do púbisLinha áspera do fêmurr. anterior do n. obturatórioaa. provenientes da a. femoral  

 


Rotação Interna

- Glúteo médio
- Glúteo mínimo
- Tensor da fascia lata

Rotação Externa

- Piriforme
- Obturatório Interno
- Obturatório Externo
- Gêmeo Superior
- Gêmeo Inferior
- Quadrado da coxa

MúsculoOrigemInserçãoInervação/Vascularização
Piriforme Face pélvica do sacroTrocânter maior do fêmurr. posterior do n. obturatórior. colaterais das aa. sacral lateral, glúteas superior e inferior e pudenda interna. 
Obturatório Interno Contorno interno do forame obturado e membrana obturadoraTrocânter maiorr. anterior do n. obturatório 
Obturatório Externo Contorno externo do forame obturado e membrana obturadoraFossa trocantérican. obturatórioa. obturatória. 
Gêmeo Superior Espinha isquiáticaTendão do m. obturatório interno r. anterior do n. obturatório 
Gêmeo Inferior Tuberosidade isquiáticaTendão do m. obturatório internor. anterior do n. obturatório 
Quadrado da coxa  Borda lateral da tuberosidade isquiáticaCrista intertrocantéricar. anterior do n. obturatórioa. obturatória. 

 

III – Cinesiologia

3.1 – Eixos:

A articulação coxofemoral é dotada de três eixos e três graus de liberdade.

Eixo Transversal X, 0, X’, localizado num plano frontal, permite flexão e extensão.

Eixo Longitudinal 0, Z, localizado num plano transverso, permite rotação.

Eixo ântero posterior, Y, 0, Y’, localizado num plano sagital permite abdução e adução.

 

3.2 – Amplitudes de Movimento:

Flexão do quadril:

A flexão do quadril é o movimento que leva a face anterior do quadril ao encontro do tronco.

Joelho em extensão, flexão de: 90º

Joelho em flexão, flexão de 120º ou mais

Flexão Passiva ultrapassa de 120º

Extensão do quadril:

A extensão é o movimento que leva o membro inferior para trás do plano frontal.

Extensão ativa: 20º

Extensão ativa com joelho fletido: 10º

Extensão passiva: 20 – 30º

Abdução do quadril:

A abdução é o movimento que leva o membro inferior diretamente para fora e afasta-o do plano de simetria do corpo.

A abdução de um quadril é automaticamente acompanhada da abdução igual no outro quadril, isso é nítido a partir dos 30º, portando o grau de abdução de cada quadril é de 15º.

Adução do quadril:

 A adução é o movimento que leva o membro inferior para dentro e aproxima-o do plano de simetria do corpo.

Adução relativa: é a volta da abdução

Adução combinada a extensão do quadril: 30º

Adução combinada a flexão do quadril: 30º

Rotação Interna: 30º

Rotação Externa: 30º

Movimentos do fêmur

A cabeça convexa desliza  na direção oposta ao movimento fisiológico do fêmur:

Movimentos fisiológicos do fêmurDireção do deslizamento da cabeça do fêmur
FlexãoPosterior
ExtensãoAnterior
AbduçãoInferior
AduçãoSuperior
Rotação InternaPosterior
Rotação ExternaAnterior

 

Movimentos da Pelve

Quando o membro inferior está fixado, como ocorre quando o indivíduo está em pé ou durante a fase de apoio da marcha, o acetábulo côncavo move-se na cabeça convexa do fêmur, movendo-se assim na mesma direção que a pelve.

Movimentos fisiológicos da pelveDireção do deslizamento no acetábulo
Inclinação anterior da pelve Anterior 
Inclinação posterior da pelve Posterior 
Inclinação lateral da pelvePosterior
Pelve elevada Inferior 
Pelve deprimida Superior 
Rotação da pelve para a frente Anterior 
Rotação da pelve para trás  Posterior

 

OBS: Quando a pelve se move, ela afeta as duas articulações do quadril, mas o movimento não é necessariamente o mesmo no lado contralateral.

 

Ângulo de Inclinação

 O ângulo entre o eixo do colo femoral e o corpo do fêmur é normalmente 125º. Um ângulo patologicamente maior é chamado Coxa Valga, e um ângulo patologicamente menor é chamado Coxa Vara. A coxa valga unilateral resulta em uma perna relativamente mais longa naquele lado e um geno varo associado. A coxa vara unilateral leva a uma perna relativamente mais curta com geno valgo associado naquele lado. As compensações para as diferenças unilaterais geralmente acontecem na pelve, pé e tornozelo.

 

Torção

O ângulo formado pelo eixo transverso dos côndilos femorais e o eixo do colo do fêmur varia de 8 a 25º, com um ângulo normal de 12º. Um aumento no ângulo é chamado anteversão e provoca rotação medial no corpo do fêmur; uma diminuição no ângulo é chamada  retroversão e provoca rotação lateral do corpo do fêmur. A anteversão geralmente resulta em geno valgo e pé chato. A anteversão unilateral resulta em uma perna relativamente mais curta naquele lado com compensações na posição da pelve. A retroversão provoca efeitos contrários.

 

O quadril e a Marcha

 Durante o ciclo normal da marcha, o quadril move-se em uma amplitude de movimento de 40º (10º de extensão na fase terminal do apoio para 30º de flexão no meio do balanço e contato inicial). Ocorre também alguma inclinação pélvica lateral e rotação (aproximadamente 8º) que requerem abdução/adução e rotação interna/externa do quadril. A perda de algum desses movimentos afetará a homogeneidade do padrão da Marc.




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Comentários

Gostei muito sobre a matéria, muito
interessante, tirou muitas dúvidas.
Parabéns.

Gostei muito,estou fazendo pesquisas nessa área porque tenho um problema de difícil solução,o tratamento está muito moroso. Eu tenho um pedaço de osso na articulação entre o fêmur e o quadril.Não tenho ostoporose,portanto deve ser de uma queda sentada que tive e provalvemente esse osso lascou-se da bacia.Gostaria de saber se o tratamento está sendo adequado.Já fiz 2 aplicações de synvisc e tomo um comprimido de bomviva mensal.Se puderem me ajudar com alguma informação eu agradeço muito.Obrigado,Elenice.

Prezada Elenice,

Acredito que deva estar coerente, fale com o médico de sua confiança e solicite avaliações de outros médicos, se achar necessário.

Grande abraço.

Fernanda.

ola meu nome e marcia ,gostei muito desse artigo gostaria de uma orientaçao tenho uma amiga que fez uma artropastia de quadril ja faz um ano so que ela ainda anda muito mal manca muito, o fisioterapeuta esta fazendo exercicio d peso na perna dela isso ajuda ou pode complicar ainda mais? se for atendida agradeço.

tenho esse problema,e a doença da sequela de epifiolise ,estou com 26 anos ,ate hoje nao fiz nem uma cirurgia do meu quadril,pelo motivo .de que tenho q esperar mais bom tempo,mas nao estou aguentando de dor,sinto muita dificuldade para caminhar e ate para me sentar.sofro muito,minha perna es.tem 3cm de encuratamnento

Tenho 77 anos e tenho artrose na articulação trocanter-acetábulo no lado direito. Gostaria de saber qual a inervação dessa região, pois se estiver sentado ou deitado por algum tempo, ao levantar e caminhar sinto dores nos músculos das coxas. Depois de caminhar,com dores, por uns 300 metros a dor desaparece, mas se sentar ou deitar ela recomeça. Já tomei anti-inflamatório e não modificou a situação. Também fiz massagens e o resultado é o mesmo. qual seria o tratamento? Pode me ajudar?

Gostei muito estou fazendo o 3 semestre de fisioterapia ,estou numa fase difícil mas chego lá Obrigado.

Olá Fernanda. Meu pai acabou de colocar um protese no quadril e cabeça de femur. Gostaria de saber se vc atende a esse tipo de paciente ou se tem alguem para indicar. Ele mora no Guaruja, mas pode ser alguem em Santos.
Agradeço muito.

fiz tb artroplastia do quadril e estou me senetindo tb muito
dura nao consigo ficar muito tempo em pe e nem muito tempo sentado.Será ue vou andar normal minha perna ficou mais comprida por isso fico mancando sera que a hidroginastica vai melhorar alguma coisa na minha vida.ou sera ue vou ficar mancando.bjs rose

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