Maternidade interrompida – O drama da perda gestacional
Com depoimentos sinceros e pungentes, o livro “Maternidade interrompida” mostra que as mulheres que sofrem abortos espontâneos não estão sós. As histórias revelam a necessidade de compartilhar a dor e de, por meio de uma espécie de catarse, sentir alívio e confiança para talvez tentar de novo.
O autor da novela Viver a Vida (TV Globo), Manoel Carlos, está abordando mais um tema delicado na trama: o aborto espontâneo. Helena, vivida pela atriz Taís Araújo, vive o drama da perda gestacional. Depois de passar por essa situação duas vezes e de descobrir que o aborto espontâneo é relativamente comum em todo o mundo, a professora Maria Manuela Pontes, que vive em Portugal, resolveu quebrar o silêncio e dar voz às mulheres que enfrentaram o mesmo problema. No livro “Maternidade interrompida“, lançado pela Editora Ágora em julho, ela apresenta depoimentos que tratam da dor e do luto dessas mulheres.
O aborto espontâneo é um tema pouco divulgado. “Existe um enorme silêncio ao redor do assunto, com nuances de um tabu que deve ser quebrado. A perda gestacional destrói vidas, famílias. É preciso dignificá-la e conhecê-la para que, de forma correta e humana, possamos ajudar essas mulheres”, afirma Maria Manuela, que é também a fundadora do Projecto Artémis, em Portugal. A associação apóia as mulheres vítimas da perda gestacional.
O livro é o complemento desse trabalho que Maria Manuela vem realizando há cerca de oito anos. “Ele é o meu rumo, a promessa que fiz de não cruzar os braços e a prova de que é possível sobreviver. Com ele, dou um sentido a tudo o que vivi”, revela. Na obra, ela selecionou dezenas de depoimentos que ouviu e organizou durante seis meses – contribuição de mulheres que se encontram diariamente na associação para compartilhar o sentimento da perda irreparável.
É o caso da advogada Mafalda Sobral, um dos intensos depoimentos contemplados na obra. “Sofri indescritivelmente a dor da perda por nove vezes. Fazem parte da minha vida nove perdas, nove filhos que partiram. Todo o processo de sofrimento me condicionou como pessoa, mulher e profissional. É impossível não mudar, não se transmutarem os valores, as prioridades. Hoje, encaro o processo de perda como uma fase da vida que me ajudou a crescer como mulher”, relata a advogada, que ignorou a opinião de médicos, amigos e família, acreditou que conseguiria ser mãe e hoje tem dois filhos.
A obra reúne experiências singulares de mulheres, mães e guerreiras que compartilham suas histórias ao longo de quatro capítulos: “Filhos do silêncio”; “Tomar uma decisão, viver um conflito”; “Nascer para a eternidade”; e “Reflexos da perda”. São testemunhos intensos de uma dura realidade, que, silenciosa, clama por ser ouvida. Para aquelas que passaram pela perda, além de familiares e profissionais de saúde, a obra configura-se em grande apoio.
Organizadora
Maria Manuela Pontes nasceu em Chaves, Portugal, em 1971. Licenciada em Humanidades no ano de 1999, passou a lecionar Português e Latim em várias instituições públicas e privadas, profissão que exerce ainda hoje. Casou-se em 1997 e travou uma luta pela maternidade durante três anos. Após a experiência dramática da perda de dois filhos durante a gravidez, fundou a associação Projecto Artémis, com o intuito de apoiar todas as mulheres vítimas de perda gestacional. A Artémis é hoje uma das maiores organizações não governamentais na área, e oferece atendimento psicológico e aconselhamento às mães e a seus familiares. Para coroar sua luta, Manuela deu à luz Vitória, em 2002, e Mateus, em 2006.
Título: Maternidade interrompida – O drama da perda gestacional
Organizadora: Maria Manuela Pontes
Editora: Ágora
Preço: R$ 45,90
Páginas: 216
ISBN: 978-85-7183-060-8
Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890
Site: www.editoraagora.com.br
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