Disfunção erétil

Mais de 50% dos homens entre 40 e 70 anos sofrem de disfunção erétil, que pode ser gerada por problemas de saúde e fatores psicológicos, segundo estudo publicado no The massachussets male aging study group, 1994.

A disfunção erétil diz respeito à dificuldade ou impossibilidade persistente de um homem ter ou manter uma ereção peniana que proporcione uma relação sexual satisfatória. Até bem pouco tempo, o termo mais usado era impotência sexual, uma expressão que traz uma forte carga emocional negativa. “É muito comum, o homem que passa por este problema ficar frustrado, principalmente, os mais jovens que estão no vigor da vida sexual. A disfunção erétil pode estar ou não associada à ejaculação precoce ou inibição do desejo sexual”, comenta Dr. Oskar Kaufmann.

“A persistência do problema é causa importante do comprometimento da qualidade de vida, por se transformar num problema crônico. Estima-se que mais de 50% dos homens entre 40 e 70 anos sofram de disfunção erétil, em determinado momento da vida. Cerca de 10% nessa ampla faixa etária sofrem de disfunção erétil total”, informa o especialista. De acordo com estudos demográficos e uma projeção da população do Brasil, o número de homens com disfunção erétil aumentará proporcionalmente ao envelhecimento da populacão.

 

Pênis e ereção

Para entender o que causa a disfunção erétil, é preciso compreender a fisiologia do pênis e como se dá a ereção. O pênis apresenta três colunas de tecido erétil. Duas, na parte superior, são denominadas corpos cavernosos e são distribuídas ao longo da extensão do órgão. A outra, que passa por baixo, é denominada corpo esponjoso e contém a uretra (ou canal urinário). Cada uma das colunas é circundada por uma membrana elástica chamada túnica albugínea. As colunas no interior do pênis são preenchidas por tecido esponjoso que, na verdade, é músculo liso semelhante ao músculo encontrado nos intestinos e na bexiga. Um corte transversal do pênis mostra que esse músculo liso se assemelha a uma fatia de tomate. O tecido esponjoso contém músculos lisos, tecidos fibrosos, veias, artérias e cavidades. Quando o pênis está em repouso e flácido, as artérias se contraem, as cavidades se fecham e o pouco sangue que entra, sai pelas veias.

“A ereção começa com estímulo físico e mental. Impulsos do cérebro e dos nervos fazem com que as terminações nervosas do pênis liberem óxido nítrico (NO), levando os músculos lisos dos corpos cavernosos ao relaxamento, aumentando a largura das cavidades, semelhantes àquelas encontradas no tomate, e permitindo que se encham com o fluxo de sangue. O sangue faz pressão, levando o pênis a se expandir. A ereção ocorre quando o tecido esponjoso se enche completamente de sangue. A túnica albugínea retém o sangue ao comprimir as veias, mantendo assim a ereção. O processo se inverte quando outro conjunto de nervos libera a adrenalina, que faz os músculos contraírem, minimizando a entrada de sangue e aumentando a saída”, explica Dr. Oskar.

Ter uma ereção, então, requer uma seqüência de eventos. Uma vez iniciada, a ereção sexualmente estimulada se mantém por meio de uma complexa interação entre nervos e vasos sangüíneos. Os músculos precisam relaxar, as artérias precisam dilatar e as veias precisam se contrair – tudo ao mesmo tempo. Se alguma coisa perturbar essa seqüência de eventos, o indivíduo poderá ter disfunção erétil.

 

Fatores psicológicos

Em algum momento da vida, todo homem pode ter dificuldade em manter uma ereção. Fadiga, ansiedade e consumo excessivo de álcool, entre outros fatores, podem causar um problema ocasional. Homens que vivenciam uma incapacidade súbita de manter uma ereção quase sempre revelam também uma origem psicológica para o problema. “Assim, como uma ereção pode se manifestar apenas do homem pensar em sexo, também os pensamentos negativos como, por exemplo, problemas financeiros, desentendimentos com a parceira ou problemas no trabalho podem impedir que o homem tenha ou mantenha uma ereção. De modo geral, homens com esse tipo de problema de ereção continuam a ter ereções enquanto dormem ou quando se levantam pela manhã”, ressalta o especialista.

Quando a situação persiste, muitos homens demoram ou têm duvidas da necessidade de procurar ajuda. “Para esses, digo que é muito importante, até para a qualidade de vida emocional e sexual dele, que procure diagnóstico e tratamento. Vale a pena procurar um urologista quando o homem nunca ou muito raramente tem ereções enquanto dorme ou quando se levanta pela manhã, quando não consegue uma ereção quando tenta se masturbar, não consegue manter a ereção até a ejaculação, quando tem uma ereção apenas pouco antes da ejaculação, quando não obteve nenhuma melhora nas ereções ao usar alguma outra forma de tratamento e, finalmente, tem pouco ou nenhum desejo (libido)”.

“Mas, se o homem consegue ter ereções quando se masturba ou quando está com alguém diferente de seu convívio íntimo, é possível que não haja problema orgânico, apenas um problema de relacionamento com a pessoa em questão”, completa.

 

Fatores orgânicos

Uma história médica detalhada é essencial para o correto diagnóstico, porque pode revelar doenças capazes de causar disfunção erétil. “Como as artérias e veias são tão fundamentais para ter e manter uma ereção, qualquer doença ou disfunção que altere o fluxo sangüíneo que passa por elas pode causar a disfunção erétil”. Entre os fatores de risco dos problemas circulatórios, que são causas relevantes de disfunção erétil, encontram-se a hipertensão, o diabetes, o tabagismo, as doenças cardíacas, uma doença vascular periférica, cirurgia ou trauma pélvico e anormalidades lipídicas no sangue.

“Um histórico de diabetes ou alcoolismo pode ser a causa de problemas neurológicos. Outras causas neurológicas, como esclerose múltipla, lesão da medula espinhal ou lesões cranianas, também podem ser detectadas no processo de diagnóstico”.

O urologista deverá verificar se existem outras possíveis causas importantes de disfunção erétil, como cirurgia pélvica radical, radioterapia, doença de Peyronie, lesão pélvica ou peniana, prostatite, câncer de próstata, priapismo (ereções persistentes e anormais que impossibilitam a penetração e podem causar dano permanente ao pênis) ou problemas urinários. “Além disso, é preciso saber sobre o uso de medicamentos, inclusive de drogas ilegais, já que 25% de todos os casos de disfunção erétil são causados por medicamentos prescritos para outros problemas de saúde”, esclarece.

Entre os demais fatores de risco para a disfunção erétil estão a hipertensão (pressão arterial elevada); hiperlipidemia (excesso de gordura ou de lipídios no sangue); hipogonadismo (redução da atividade das glândulas reprodutivas); disfunções endócrinas; anemia; trauma ou lesão na pélvis ou na medula espinhal; doença coronariana; doença de Peyronie (uma curvatura dolorosa do pênis que impossibilita a penetração); doença do tecido erétil do pênis; cirurgia vascular, cirurgia do cólon ou da próstata e a depressão.

 

Fonte

Oskar Kaufmann (CRM-SP 104.028) – Médico urologista e especialista em cirurgia robótica em urologia. Graduado em Medicina pela Escola Paulista de Medicina – Universidade Federal de São Paulo e com doutorado pela Divisão de Clínica Urológica do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP). Membro da Sociedade Brasileira de Urologia, American Urological Association, Endourological Society e acaba de retornar ao Brasil, após o período de um ano de pós-doutorado em Endourologia, Laparoscopia e Cirurgia Robótica pela Universidade da Califórnia – Irvine.  Além de integrar o corpo clínico do Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital São Luiz e do Hospital do Homem, Dr. Kaufmann possui mais de 30 trabalhos publicados em veículos científicos nacionais e internacionais.

 

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