Doenças respiratórias na infância - todo o cuidado é pouco
Segundo dados do Departamento de Informática do SUS (Datasus), 42,2% da população infantil de 0 a 4 anos foi hospitalizada por doenças respiratórias em 2006. Embora com poucos casos de óbito, a asma é a doença mais freqüente nessa faixa etária. Caracterizada por morbidade e crises de intensidades variáveis, provoca internações e/ou longos períodos e medicação, o que ocasiona prejuízos à saúde pública e perda de qualidade de vida do paciente e de seus familiares.
“Imagine o quanto você ganharia para a saúde da população e também para o sistema com um bom investimento no tratamento preventivo. Por mais que tenha de pagar os remédios, tratar ambulatoriamente e manter o paciente fora do hospital é muito melhor, além de mais barato do que interná-lo em função de uma crise”, pondera a dra. Maria Helena Bussamra, pneumopediatra da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
A especialista faz questão de ressaltar mais uma vez o ganho do paciente que tem a doença controlada e dos familiares que não sofrem por ter de hospitalizá-lo. “São crianças que não faltam à escola, pais que não faltam ao trabalho, pessoas que vão dormir melhor. É um importante aumento da qualidade de vida, não tem como mensurar”.
Males diversos e comuns
Há outras doenças também de grande prevalência que acometem as crianças e até bebês. Uma delas é a bronquiolite, infecção viral mais prevalente no primeiro ano de vida. Leva a um quadro de chiado no peito parecido com o da asma. De acordo com a pneumopediatra da SPPT, dra. Marina Buarque de Almeida, a grande maioria dos bebês com bronquiolite desenvolve um quadro leve, mas em algumas crianças com problemas prévios, como os prematuros e os com cardiopatias congênitas, há maior risco de evolução grave da doença. Nestes casos há indicação de tratamento preventivo.
“A Secretaria Estadual de Saúde de São Paulo fornece um medicamento que deve ser aplicada nos meses de maior circulação deste vírus. Normalmente isso ocorre de abril a agosto, período de outono e inverno”.
As pneumonias, virais ou bacterianas, também são bastante comuns nas crianças, provocando inclusive mortes. Dra. Marina alerta para ação preventiva das vacinas para certos tipos de infecção, não todos.
“É importante lembrar que existe vacina que previne infecções graves causadas pelo pneumoco. E isto não quer dizer proteção total contra todos os tipos de pneumonia, mas sim contra as formas invasivas e graves de infecção causadas pela bactéria, como meningite, septicemia e pneumonia”.
A dra Marina também atenta para a vacina da gripe, que previne infecções mais graves, como as pneumonias causadas pelo vírus influeza.
“A vacina contra a gripe tem indicação formal e anual, da Sociedade Brasileira de Pediatria, para todas as crianças de 6 meses a 2 anos de idade, fase em que a infecção pode ser mais grave; e acima de 2 anos, para os pacientes com problemas respiratórios crônicos”.
Além dos quadros de asma, bronquiolite e pneumonia, existe a Síndrome do Lactente Sibilante (antigo Bebê Chiador), a Discinesia Ciliar, a Fibrose Cística, as Doenças Supurativas Crônicas, como as bronquiectasias, e uma infinidade de problemas respiratórios que atingem os pequenos ainda no período de formação de novos alvéolos (unidade de troca gasosa) e crescimento pulmonar. Todas essas complicações devem ser enfrentadas também com a contribuição dos pais, para melhorar o ambiente. De maneira que a criança não venha a ter contato com substâncias que agridam as vias respiratórias.
“Temos que incentivar os pais a não fumarem porque a exposição ao cigarro agrava qualquer doença respiratória. Precisamos esclarecer sobre a limpeza do ambiente, pois normalmente as crianças são alérgicas e tem problemas com o pó doméstico. Deve-se evitar a exposição a produtos químicos irritantes para as vias aéreas, além de vacinar contra a gripe e o pneumococo”, salienta a dra. Maria Helena.
Enfim, são várias as medidas que devem ser tomadas não só pelo paciente, mas por aqueles com quem ele se relaciona. Dentre todas essas ações, a dra. Maria Helena incentiva a prática do esporte: “O paciente com asma ou com problema respiratório crônico tem de tratar o problema para poder realizar atividades físicas com qualidade. Isso é muito interessante do ponto de vista da saúde”.
É fundamental em todas as situações procurar um pneumologista para uma orientação adequada.
Fonte - Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT).
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Camila Marques – Monica Kulcsar
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Reportagem muito boa, e bem explicada. Esta de parabens tenho um filho de 1 ano e três meses ja ficou internado por 10 dias com bronquolite e pneumonia, os medicos dizem que ele é um bebê chiador, mas não sei nada a respeito do assunto. Gostaria de receber algo sobre bebê chiador. obg