Alimentos Funcionais: uma nova alternativa!

Nos últimos anos a ciência da nutrição tem tomado outro rumo, novas fronteiras se abrem ligando nutrição e medicina com o surgimento do conceito de alimentos funcionais e que constitutem hoje prioridade de pesquisa em todo mundo com a finalidade de elucidar as propriedades e os efeitos que estes produtos podem apresentar na promoçäo da saúde. A nutrição continua tendo o seu papel que seria de fornecer nutrientes tais como proteínas, minerais, vitaminas, entre outros, mas a descoberta de que certos alimentos contém componentes ativos capazes de reduzir o risco de doenças, inclusive o câncer, faz com que essa ciência se associe à medicina e ganhe uma dimensão extra no século XXI.

Os principais mercados para alimentos funcionais hoje são o Japão, os Estados Unidos e a Europa. Estima-se que o mercado mundial de alimentos funcionais movimentou, em 2005, em torno de US$ 60 bilhões na Europa, Japão e Estados Unidos, só neste último ele representou US$ 15 bilhões.

Com o aumento da expectativa de vida dos brasileiros e ao mesmo tempo o crescente aparecimento de doenças crônicas como obesidade, hipertensão, osteoporose, diabetes e câncer, é crescente a preocupação com uma alimentação saudável.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), os alimentos funcionais são aqueles capazes de desempenharem papel metabólico ou fisiológico por meio da atuação de um nutriente ou não nutriente no crescimento, no desenvolvimento, na manutenção e em outras funções normais do organismo humano. Para que o consumidor identifique com propriedade os alimentos funcionais, basta atenção ao rótulo do produto. O fabricante deverá atender aos requisitos para o que se denomina ‘alegação de saúde’ (em inglês: health claim). Por exemplo: farelo de aveia de uma determinada marca tem a seguinte alegação: ‘ajuda a manter níveis saudáveis de colesterol’, para a empresa conquistar esta alegação investiu oito anos em pesquisas.

Entre os alimentos funcionais mais investigados hoje destacam-se a soja, o tomate, os peixes e óleos de peixe, linhaça, as crucíferas (brócolis, couve de bruxelas, repolho, entre outros), o alho e a cebola, as frutas cítricas, o chá verde, as uvas/vinho tinto, os cereais com a aveia, os prebióticos e os probióticos, entre tantos outros. São alimentos que além de nutrir possuem componentes ativos que atuam sobre o organismo produzindo efeitos metabólicos e/ou fisiológicos e/ou benéficos sobre a saúde.

O alimento funcional, além de suas funções nutricionais como fonte de energia e de substrato para a formação de células e tecidos, possui em sua composição uma ou mais substâncias que atuam modulando e ativando os processos metabólicos, melhorando as condições de saúde pelo aumento da efetividade do sistema imune, promovendo o bem-estar das pessoas e prevenindo o aparecimento precoce de alterações patológicas e de doenças degenerativas, que levam a uma diminuição da longevidade

Inicialmente é preciso esclarecer que os alimentos funcionais não curam doenças, ao contrário dos remédios, e são conhecidos, também, como nutracêuticos, embora esse termo seja menos usado. Eles apresentam componentes ativos capazes de prevenir doenças ou reduzir o risco de certas doenças. Dentre as doenças mais investigadas estão as cardiovasculares, câncer, hipertensão, diabetes, doenças inflamatórias, intestinais, certas afecções reumáticas, Mal de Alzheimer, entre outras. Quando consumidos em sua forma natural, ou seja, na forma de alimento, não apresentam contra indicações e podem ser consumidos com tranquilidade, sem prescrição médica. Um alimento funcional deve continuar sendo um alimento e deve demonstrar os seus efeitos em quantidades que possam normalmente ser ingeridas na dieta: não é uma pílula ou uma cápsula, mas parte do padrão alimentar normal. Já os nutracêuticos são suplementos dietéticos que apresentam uma forma concentrada de um possível agente bioativo de um alimento, presente em uma matriz não alimentícia, e usado para melhorar a saúde, em dosagens que excedem aquelas que poderiam ser obtidas do alimento normal (exemplo: licopeno em cápsulas ou tabletes).

No que se refere aos alimentos funcionais, é relevante considerar que devem ser consumidos na dieta usual e precisam ter, como componentes ativos, substâncias naturais que, além de seus efeitos básicos nutritivos, devem aumentar o bem estar e a saúde, desde que estes sejam reforçados por bases científicas, tais substâncias podem ser ingredientes naturais funcionais ou o acréscimo de ingredientes de forma a aumentar uma característica já existente no alimento.
Alguns dos alimentos importantes e poderosos:

Alho
Componentes: alicina, vitamina C, Selênio e Zinco
Propriedades: estudos demonstraram que o consumo regular de alho fortalece o sistema imunológico e reduz a incidência de tumores de estômago e cólon. O alho também atua na prevenção de doenças cardiovasculares, reduzindo a taxa de LDL (colesterol ruim) do sangue e possui ação reguladora da pressão arterial. Recentemente descobriram-se propriedades antibióticas no alho, o que auxilia no combate à H. pylori (bactéria que causa a gastrite). Recomenda-se o consumo diário de um dente (cerca de 600 mg), para a redução da pressão arterial e dos níveis de colesterol.

Linhaça
Componentes: proteínas, fibras, ômega 6 e um potente antioxidante e anticancerígeno chamado lignana.
Propriedades: as mais conhecidas são a regularização do funcionamento do intestino, em especial no tratamento da prisão de ventre e na revitalização da pele. Auxilia na coagulação sanguínea, no metabolísmo dos ácidos graxos, além de ativar o sistema imunológico do organismo e reduzir a taxa de LDL-colesterol do sangue. A linhaça fortalece unhas, dentes e ossos e torna a pele mais saudável.

Tomate
Componentes: rico em licopeno, substância responsável pela coloração vermelha, que possui ação antioxidante e está presente também em outras frutas vermelhas, como melância, goiaba e mamão papaia.
O tomate cru tem alto teor de vit. A, B e C
Propriedades: o efeito antioxidante do licopeno reduz a presença de radicais livres, protegendo as células da oxidação.
Estudos demonstraram que alimentos contendo licopeno reduzem o risco de câncer intestinal, estomacal, da bexiga, do colo uterino, da pele, dos pulmões e principalmente do risco de doenças cardiovasculares e do câncer de próstata.
Procure consumir 1 copo de suco de tomate /dia ou um copo do molho de tomate quando preparar o seu macarrão.

Cebola
Componentes: rica em quercetina(especialmente as roxas), um poderoso antioxidante, um
Anticancerígeno chamado alicina, vit.A e C, e cálcio.
Propriedades: ajuda na regulação da pressão e circulação sanguíneas, tem efeito anticoagulante e aumenta o bom colesterol (HDL), que proteje o coração. A recomendação de consumo diário é de cerca de 100 gramas, na comida.

Brócoli
Componentes: glicosinato, um potente anticancerígeno, estimula os genes que aumentam a produção de glutationa (que auxilia o fortalecimento do sistema imunológico), proteínas, cálcio, vitamina C e ferro.
Propriedades: age no organismo como antiinflamatório, antibiótico, anticoagulante e analgésico. Além disso, combate viroses, protege o fígado, reduz o colesterol, combate a dor muscular; diminui a pressão arterial e previne o câncer. Assim como outros alimentos da mesma família das crucíferas (como couve-flor), o brócolis previne várias formas de câncer, incluindo os de estômago, esôfago, pulmão, faringe, útero, pâncreas e cólon, Recomenda-se o consumo de 100 gramas/dia.

Aveia
Componentes: fibras insolúveis e solúveis (beta-d-glucanas), fósforo, cálcio e carboidratos.
Propriedades: alguns estudos tem demonstrado a diminuição do LDL-colesterol ruim. Há evidências de que a beta-d-glucanas têm efeito protetor no desenvolvimento do câncer de cólon e na diminuição da absorção da glicose em diabéticos. Em 1997, o FDA (Food And Drug Administration) aprovou uma nova regulamentação, permitindo que produtos de aveia integral tragam em seus rótulos apelo de benefício à saúde, relacionando seu consumo à redução de risco de doenças cardíacas.
O FDA conclui que a beta-d-glucana é o componente responsável pela diminuição do colesterol total e LDL no sangue em dietas que contenha cerca de 3 g/dia de beta-d-glucana(equivalente ao consumo de 40 g de farelo de aveia e 60 g de farinha de aveia).

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Fonte: Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais 2008

Saber que eles contêm substâncias que, quando ingeridas regularmente, podem reduzir o risco do desenvolvimento de diversos problemas de saúde, como câncer, colesterol e pressão alta, problemas intestinais, entre outros, pode ser um bom motivo para incluí-los diariamente na dieta, e não somente quando você resolve fazer regime.
É importante atinar para o fato de que tais substâncias, fisiologicamente ativas, devem estar presentes nos alimentos funcionais, em quantidades suficientes e adequadas, para produzir o efeito fisiológico desejado. Em outras palavras, não é suficiente que um determinado alimento contenha determinadas substâncias com propriedades funcionais fisiológicas, para que ele seja imediatamente classificado como funcional.
Inúmeros outros alimentos podem ser citados a respeito de suas propriedades funcionais. Sem dúvida, constituem grandes aliados para uma vida longa e cheia de saúde.
Você também pode acrescentar o consumo de alimentos funcionais às suas rotinas de cuidados à saúde. Em caso de dúvidas, consulte uma nutricionista e viva uma vida saudável.

Referências:

ASSOCIAÇÃO BRASILEIRA DAS INDÚSTRIAS DA ALIMENTAÇÃO Abia. Mercado Brasileiro dos alimentos industrializados, 2005 disponível na Internet via WWW.URL: http://www.anuarioabia.com.br/editorial_05.htm

Emed Thereza. Aplicação e histórico dos alimentos funcionais. IMEN- Instituto de Metabolismo e Nutrição. Fevereiro, 2008.

Hasler C.. Alimentos Funcionais: Seu Papel na Prevenção de Doenças e na Promoção da Saúde. Institute of Food Technologists, 2001.

Impacto dos Alimentos Funcionais para a Saúde. Revista Nutrição em Pauta, edição Maio/Junho 2001

Oliveira M. N., Sivieri K., Alegro J. H. A., Saad S. M. I. Aspectos tecnológicos de alimentos funcionais contendo probióticosRevista Brasileira de Ciências Farmacêuticas Brazilian Journal of Pharmaceutical Sciences vol. 38, n. 1, jan./mar., 2002

SALGADO, Jocelem Mastrodi: Almeida, Márcio de Aurélio. Mercado de Alimentos Funcionais desafios e Tendências. Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais. Págs 8, 2008.

SBAF- Sociedade Brasileira de Alimentos Funcionais – 2008

THAMER, Karime Gianetti; PENNA, Ana Lúcia Barretto. Caracterização de bebidas lácteas funcionais fermentadas por probióticos e acrescidas de prebiótico. Ciênc. Tecnol. Aliment. , Campinas, v. 26, n. 3, 2006 .

Vieira D.E. Alimentos Funcionais Rev Méd Minas Gerais 2003; 13(4):260-2.

Michele Oliveira de Lima
Nutricionista/CRN-6:5405
Especialista em Obesidade e Emagrecimento
E-mail: michelelima.nutricionista@hotmail.com
Site: www.nutricionistamichelepb.blogspot.com




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Comentários

Prabéns pelo artigo sobre alimentos funcionais.
Hoje estamos interessadas em obter informação de maneira clara, simples e que nos levem a refletir sobre mudanças em nossos hábitos aliemntares.

Excelente artigo. Parabéns.
Os alimentos naturais, dificilmente perderão suas caracteristicas funcionais (nutraceuticas)- até que em fim as gigantescas industrias farmaceuticas renderam-se (aderiram)aos produtos nutraceuticos.
O que faltava aos cientistas da area de alimentação era oportunidade de enfreta-las.

O artigo é bom, mas devo alertá-los que quanto às propriedade do Brócoli houve um equívoco. O Brócoli, assim como todas as verduras de coloração verde e principalmente as verdes ecuras, são ricas em vitamina K e por isso auxiliam na coagulação sanguínea, ao contrário do que diz o artigo acima. Ele não possui efeito anticoagulante, mas sim o contrário. Logo, aqueles que possuem problemas circulatórios como a Trombose não devem ingerir tais verduras.
Espero ter colaborado,
Taízi

Boa tarde, Taízi

Obrigado por acessar nosso site.

A Revista VIGOR – movimento e saúde é uma publicação da Thesaurus Editora de Brasília. Nosso principal objetivo é veicular informações úteis e atualizadas. Como somos muito lidos, profissionais e instituições de pesquisa e ensino nos enviam artigos e comunicados para publicação. Esse é o caso do artigo em pauta. Temos plena convicção que o fazer científico se faz pela apresentação de divergências e a pesquisa para superá-las. Assim, agradecemos imensamente sua colaboração.

Um abraço

Marcos Vinhal Campos
Revista VIGOR – editor
http://www.revistavigor.com.br

O artigo está ótimo, parabéns.
E com relação a vit K fui pesquisar e realmente a muita controvérsia, e encontrei essa tese, e diz que:
Os pacientes que fazem uso de anticoagulantes orais são orientados para evitar ingestão de alimentos ricos em vitamina K, especialmente os vegetais folhosos. Por outro
lado, o controle de doenças comuns nesses pacientes, como o Diabetes mellitus, a hipercolesterolemia e o sobrepeso/obesidade, baseiam-se na orientação do consumo de
alimentos de origem vegetal. Os vegetais folhosos e as frutas em geral, constituem-se nas principais fontes de vitaminas e minerais essenciais a saúde, assim como importantes fornecedores de fibras alimentares.
a quantidade ideal de consumo de alimentos vegetais
ricos em vitamina K permanece não esclarecida, dificultando tanto a abordagem nutricional como o controle da atividade anticoagulante em pacientes com uso crônico da
terapêutica anticoagulante oral.

Artigo:INFLUÊNCIA DOS FATORES ALIMENTARES NA HEMOSTASIA
DE PACIENTES SOB TERAPIA ANTICOAGULANTE ORAL.Silvia Cristina Beozzo Junqueira de Andrade. – 2006.
Tese apresentada ao Curso de Pós-graduação
em Patologia, da Universidade Federal do
Triângulo Mineiro – UFTM

Muito claro, ojetivo e didático. Um artigo que merece ser lido e muito divulgado. Valeu.

Artigo muito bom, dos que li sobre alimentos funcionais, esse é de fácil entendimento, achei bem interessante, parabéns, e que continuem divulgando artigos desse tipo para que possamos sempre ler e entender.
Parabéns

Parabéns pelo artigo
Um tema muito bom, o artigo bem objetivo e de simples entendimento, gostei muito.

Parabéns pelo artigo sobre a meno-pausa vai me valer muito coisas que eu não sabia aprendi.

Sinto-me muito agradecida(…)

chauuuuuuuu bjssss nooooo cooraaçãooo
deee vccccsss.

Parabéns pelo artigo… gostaria sempre quando possível receber informações, pois trabalho muito com os meus pacientes com alimentos funcionais.
Cristiane- Nutricionista

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