Transplante ósseo pelo SUS

Hospital da PUC-Campinas é o primeiro a ser credenciado para transplante ósseo pelo SUS.

O Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas é o primeiro, na cidade de Campinas e região, a ser credenciado pelo Ministério da Saúde, para realizar transplante ósseo, ligamento e músculo (transplante de tecido ósteo condro fascio ligamentoso) pelo convênio do Sistema Único de Saúde (SUS) e convênios privados e particulares. “Os transplantes acontecerão conforme as doações feitas e respeitando a lista única de espera”, explica o chefe do Serviço de Ortopedia e responsável pelo transplante ósseo, José Luiz Amin Zabeu. “Não há um número definido de transplante que será realizado por mês. Como o material do banco de tecidos pode ser usado em diversos formatos (blocos ósseos inteiros, fragmentos, tendões), tanto pode haver uso diário em cirurgias de menor complexidade (exemplos: reconstruções ligamentares de joelhos,  lesões crônicas do tendão de aquiles, correções de fraturas), como pode ser de uso eventual nas grandes cirurgias de ressecção de tumores, o que só acontece uma vez por semana”, completa.

Segundo Dr. Zabeu, o Hospital conta com estrutura e equipe profissional prontas para corresponder às demandas provenientes do credenciamento. “Agora estaremos adequando as rotinas e as metas quantitativas e qualitativas com a Secretaria Municipal de Saúde de Campinas”, observa.

Cerca de 3 mil pessoas, na região metropolitana de Campinas, esperam na fila por uma cirurgia, 20% têm indicação para o transplante ósseo e 5% desses, só se recuperarão com o transplante. “O Celso Pierro tem em sua lista de espera, 200 pessoas com indicação para o transplante ósseo”, afirma Dr. Zabeu.

Outra iniciativa importante do Hospital envolve a construção e inauguração, ainda este ano, de seu Banco de Ossos, o qual, associado a uma campanha intensiva de estímulo à doação de órgãos, permitirá o uso corriqueiro do transplante ósseo. O especialista ressalta, ainda, que não ha mutilação neste processo. Após a retirada dos ossos, o corpo é recomposto com material sintético. Por falta de informação, muitas famílias não permitem a doação. Elas acham que, sem os ossos, o corpo ficará deformado “, explica Dr. Zabeu.

O especialista ressalta, ainda, que a retirada de tecidos e ossos só pode ser efetuada em caso de morte do doador. O interessado em doar seus ossos e demais órgãos deve comunicar este desejo à família, pois em caso de morte, a retirada somente será autorizada por parente próximo ou representante legal. “Diferentemente de outros órgãos, a retirada pode ocorrer até 12 horas após o óbito”, conclui.

Os ossos de um único doador podem beneficiar entre 30 e 35 pessoas. Esse tipo de transplante é utilizado em casos de perdas ósseas provocadas por tumores, trocas de próteses articulares, cirurgias da coluna e problemas odontológicos, entre outros. “A dificuldade é que muitas destas cirurgias ou não são realizadas, ou acabam sendo feitas com outras técnicas, geralmente inferiores, pela ausência do banco de tecidos”, afirma o ortopedista.

A opção mais comum para enxertos ósseos é a retirada de fragmentos de ossos do próprio paciente, o que se conhece por enxertia autóloga. Porém, nem sempre esta é a melhor opção, visto que existem seqüelas no local de onde se tira o enxerto (dor, cicatrizes) e a quantidade nem sempre é suficiente. Sendo possível utilizar ossos do banco de tecidos, estas seqüelas dificilmente existirão. Vale a pena lembrar que não há rejeição nestas cirurgias, sendo considerado apenas o risco de transmissão de doenças, hoje muito raro, na ordem de um caso para cada 1 milhão de cirurgias realizadas.

O Serviço de Ortopedia do Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas atende cerca de 5 mil pessoas por mês, entre consultas e atendimento de urgência e emergência e realiza 200 cirurgias/mês dos convênios SUS, privados e particulares.

Atualmente, o Hospital e Maternidade Celso Pierro, da PUC-Campinas realiza o transplante de córnea (credenciado em agosto de 2006). Além de ter sido credenciado, em agosto de 2007, para o transplante renal.

 

 

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