Predomínio do TDAH é entre os meninos

Até 13% da população infantil sofre de Transtorno do Déficit de Atenção.

De acordo com estudos, o predomínio do TDAH é entre os meninos – nove meninos para uma menina.

O TDAH é um transtorno comportamental, caracterizado por dificuldade de atenção, hiperatividade e impulsividade, que se combinam em graus variáveis e têm início na primeira infância, podendo persistir até a vida adulta, entre 60% e 70% dos pacientes. Na população infantil, a freqüência varia entre 5% e 13% e os estudos revelam que a predominância dos casos de TDAH é maior em meninos. “Nas meninas, o TDAH apresenta características próprias, o componente hiperativo-impulsivo é menos freqüente, o que provoca uma subestimação do diagnóstico nos estudos mais antigos”, conta Dr. Marco Arruda, neurologista da infância e adolescência do Instituto Glia.

É muito comum numa sala de aula a criança hiperativa ser confundida como mal educada, isso porque, a criança não possui autocontrole e, portanto, não consegue se concentrar, respeitar regras, obedecer, e acaba agindo de maneira impulsiva, imprevisível e desorganizada.

O transtorno ainda é pouco conhecido pelo público geral aqui no Brasil, mas é bastante estudado por neurocientistas brasileiros. Nos Estados Unidos e Europa já se prevêem, por exemplo, a necessidade de adaptação dos métodos pedagógicos e currículos escolares para as crianças que apresentam esse problema.

 

Para se ter idéia da dimensão do problema:
 
- O risco de fracasso escolar é de duas a três vezes maior quando comparado a uma criança sem dificuldades escolares, mas com inteligência equivalente;
- 35% das crianças e adolescentes com TDAH nunca completarão o ensino médio;
- Um quarto dos estudantes com TDAH apresenta problemas de aprendizado em um desses setores: expressão oral, compreensão, interpretação de textos e matemática;
- 30% das crianças e adolescentes com TDAH repetem ao menos um ano escolar;
- 35% dos adolescentes com TDAH abandonam os estudos, 45% são expulsos de suas escolas e 21% faltam às aulas repetidamente.

A cada dia a Medicina descobre novos caminhos para desvendar os mistérios do cérebro. “Até então só sabíamos dos sintomas que constituíam o TDAH e o impacto que esse quadro provocava na vida do portador, de sua família e da sociedade, hoje, no entanto, conhecemos melhor quais as áreas e os circuitos cerebrais encontram-se deficientes e os genes envolvidos no transtorno. Avanço equivalente houve no tratamento, os medicamentos e terapias utilizados mostram-se cada vez mais eficazes”, conta Dr. Arruda.

Mas os grandes aliados das crianças e adolescentes com TDAH devem ser a escola e os educadores. Deles depende o esforço de auxílio e inclusão do portador com TDAH na sociedade. Nesse cenário, a Neuroeducação surge como uma excelente alternativa, já que estuda o aprendizado a partir do funcionamento do cérebro, ou seja, compreende que o cérebro pode ser modificado pela prática pedagógica.

“Tenho participado de congressos internacionais sobre educação e cérebro, onde troco informações com os outros pesquisadores da área. Sabemos que é fundamental o suporte escolar para o aluno com TDAH e para isso, os mestres devem ser capacitados em TDAH. O perfil comportamental e cognitivo destes alunos é especial e a capacitação permitirá o uso de estratégias específicas bastante eficazes”, afirma Dr. Arruda.

Alguns pontos importantes que devem ser levados em consideração para o preparo do planejamento de aulas compatíveis com o cérebro, de acordo com o especialista:

- As experiências e, conseqüentemente o aprendizado, moldam as conexões, a química, a microestrutura do cérebro. Ele é o único órgão esculpido pela experiência vivida;
- A importância dos circuitos nervosos e neurotransmissores mediadores da atenção, da motivação, do controle da impulsividade, ansiedade e adiamento de recompensas no processo de aprendizagem e no comportamento das crianças e adolescentes;
- O cérebro aprende e recorda através de padrões que representam verdadeiras pistas para a sedimentação da memória. Reforce os padrões, compare, destaque os contrastes, una as informações, os conhecimentos, como elos de uma corrente;
- A emoção ancora a atenção, reduz o estresse e fortalece o aprendizado e a memória;
- O estresse inibe o aprendizado e destrói a memória. Várias evidências mostram que células nervosas do hipocampo, região do cérebro onde reside parte de nossa memória, são destruídas pelo cortisol, hormônio liberado em situações de estresse;
 - O cérebro deleta informações sem importância ou significado. Como dar significado às informações a serem ensinadas? Existem numerosas técnicas, mas alguns fundamentos devem ser recordados: conhecer o mundo deles e dar-lhes a oportunidade de dizer o que sabem e pensam;
- A prática e o reforço são críticos para o aprendizado de longo termo. O educador precisa conhecer as múltiplas formas de memória, como se processam e quais técnicas didáticas as ativam;
- A importância do ambiente, ou a “sala de aula compatível com o cérebro”. Fatores como temperatura, iluminação natural, utilização de cores, pôsteres, fotos, “informações invisíveis”, segurança e atmosfera afetiva influenciam muito o processo de aprendizagem bem como o desempenho cognitivo;
- A música pode ser uma importante ferramenta. Sabemos que ela ajuda a reduzir o estresse, facilita a interação social, pode evocar estados cognitivos favoráveis à aprendizagem, emprestar emoção aos temas, bem como conectar conceitos a estados, facilitando a memorização.

 

Mais informações sobre o Instituto Glia

O Instituto Glia é uma empresa especializada na área de Neurociências aplicadas à Educação e atua nas áreas de pesquisa e desenvolvimento de softwares, capacitação profissional e consultoria escolar, através de cursos de educação continuada e do congresso Aprender Criança, realizado bienalmente e dirigido a profissionais das áreas de Educação e Saúde, sendo o próximo nos dias 23 e 24 de agosto na cidade de Ribeirão Preto (SP).

O Instituto participa ativamente do projeto Crer-Casa Glia, localizado na cidade de Santa Cruz das Palmeiras (SP), o projeto atende 71 crianças e adolescentes carentes que apresentam problemas de comportamento e aprendizagem. Entre os profissionais voluntários estão: professores, psicopedagogas, psicólogas, fonoaudiólogas, líderes comunitários e neuropsiquiatra. Além do atendimento nas várias áreas, os adolescentes têm a oportunidade de freqüentar oficinas profissionalizantes. Mais informações: www.institutoglia.com.br / www.aprendercrianca.com.br.

 
ML&A Comunicações
Carol Chichetti / Laiz Zanetti / Luiz Gabriel Ribeiro
Tel: (11) 3816 2820 R. 113 / 203 / 188
carol@mla.com.br / laiz@mla.com.br / gabriel@mla.com.br

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Comentários

Prezado Editor,
Parabenizo pela iniciativa em apresentar um tema tão atual e necessário (TDAH) nesta página e como psicóloga, especialista em Terapia Comportamental, psicopedagogia e psicologia escolar, gostaria de contribuir apresentando uma perspectiva que muito vem contribuindo para minimizar os quadros característicos do transtorno.
O Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) tem sido um tema de discussão no contexto escolar.
Nos dez últimos anos o fenômeno do distúrbio de atenção e de hiperatividade tomou uma grande proporção dentro das escolas e dos consultórios médicos.
Cada vez mais crianças distraídas, travessas, agitadas e com baixo rendimento escolar são diagnosticadas com o transtorno. Os comportamentos, geralmente, chamam à atenção entre seis e sete anos, idade em que as crianças entram na educação formal.
Dentro do contexto escolar, mediante a expressão de comportamentos de desatenção, hiperatividade e impulsividade associados ao desempenho aquém do esperado, o professor é o grande observador desse aluno e é ele quem vai solicitar o encaminhamento e o diagnóstico do problema.
Profissionais de diversas áreas têm demonstrando interesse pelo Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade nos últimos anos. Vários estudiosos da psicologia, medicina, psiquiatria, pedagogia, psicopedagogia, fonoaudiologia e da biologia estão contribuindo para o entendimento desse transtorno.
Do ponto de vista psiquiátrico, o TDAH é definido pelo Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM-IV-R (American Psychiatric Association, 2003) como um padrão persistente e freqüente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade, levando a prejuízo social, escolar e cognitivo.
Do ponto de vista da psicologia estudos de diferentes abordagens têm contribuído muito para o entendimento dos comportamentos compatíveis com o TDAH.
O Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH) - EM UMA PERSPECTIVA ANALÍTICO - COMPORTAMENTAL
O estudo dos comportamentos descritos como característicos do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade não devem ser limitados ao estudo das estruturas orgânicas ou cognitivas envolvidas. Do ponto de vista da análise comportamental, deve-se evitar a classificação, a rotulação e a “medicação” de problemas sociais.
Partindo da premissa de que tanto os comportamentos considerados adequados quanto os considerados inadequados são resultados de processos complexos de aprendizagem, a análise experimental do comportamento utiliza os princípios comportamentais para o estudo e tratamento do Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade (TDAH), mostrando diferentes formas de relação entre os comportamentos disfuncionais característicos desse transtorno e o meio ambiente.
A análise do comportamento questiona a utilidade da classificação de problemas comportamentais a partir de critérios diagnósticos descritos pelo DSM. A descrição da topografia (forma, freqüência e intensidade) do comportamento é importante, contudo, não é suficiente para a explicação, o controle e a predição de um determinado padrão de comportamento. Um mesmo padrão de respostas pode ser resultado de diversas histórias de interação com o ambiente, podendo ter sido estabelecido com funções adaptativas distintas. A visão ateórica do DSM, a classificação baseada em sintomas relatados na clínica e as especificações topográficas desviam a atenção de uma análise funcional, uma vez que, a análise funcional busca o entendimento da relação do comportamento com possíveis variáveis ambientais controladoras do comportamento.
A terapia comportamental poderá contribuir com o entendimento e o tratamento da queixa dos comportamentos do TDAH, ou seja, ela irá promover o equilíbrio do indivíduo por meio da aplicação sistemática dos princípios da aprendizagem à mudança do comportamento, no sentido de promover formas mais adaptativas de interação.

Referências Bibliográficas
American Psychiatric Association (2003). Manual diagnóstico de transtornos mentais (4ª edição) (C. Dornelles, trad.). Porto Alegre: Artmed.
Benczik, E.B.P. & Bromberg, M.C. (2003).Intervenções na escola. In: Rohde, L.A., Mattos, P. & cols. Princípios e práticas em TDAH. Transtorno de Déficit de Atenção/Hiperatividade. Porto Alegre: Artmed.
Catania, A.C. (1999). Aprendizagem: comportamento, linguagem e cognição. Porto Alegre: Artmed.
Carvalho Neto, M.B. & Tourinho, E. (1999). Skinner e o lugar das variáveis biológicas em uma explicação comportamental. Psicologia: Teoria e Pesquisa, 15, 45-53.
Isidro, A.S. & Magalhães Pinto, L.G. (2001). O quê e como trabalha o terapeuta comportamental. Revista de Psicologia da Faculdade de Ciência da Saúde do Centro Universitário de Brasília. 50-63.
Skinner, B.F. (2003). Ciência e comportamento humano. (J.C.Todorov e R. Azzi, trad.). São Paulo: Martins Fontes. Trabalho originalmente publicado em 1953.

Atenciosamente,

Maria das Graças de S. Santiago Luongo
Psicóloga Clínica Comportamental
STN consultório T 38
Ed. Life Center
Cel.: 9202-4861

tenho um filho que tem TDAH,ele foi examinado e ate fes mapeamento cerebral mas não detectou nada,mesmo assim o neurologista achou melhor ele sec tratar com ,o medicamento que se chama RITALINA, tenho um pouco de medo por ser tarja preta,mas mesmo assim eu estou fazendo o tratamento,o nome dele e joão victor.gostari de saber mais informações sobre TDAH,por favor me responda o meu e-mail o mais rapido.muito obrigado. sinara

Tenho dificuldades em aprender e memorizar aulas na Faculdade,em compreender determinados assuntos elaborar trabalhos e tenho vergonha em apresentar trabalhos em sala de aula, sou muito tímida. Esqueço as coisas com facilidade e não tenho muitos amigos(as). Isso pode ser (TDAH). O quê devo fazer para mellhorar? Tem cura? Isso pode estar relacionado a minha infância?

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