Diabete pode ser causada por má qualidade do sono

Pesquisa foi conduzida por cientistas americanos.

Estudo americano publicado na revista científica Proceedings of the National Academy of Sciences, sugere que noites mal-dormidas podem aumentar o risco de desenvolver diabetes. A equipe de pesquisadores da Universidade de Chicago descobriu que voluntários que despertavam sempre que estavam prestes a cair em sono profundo, desenvolveram resistência a insulina.

Para testar o impacto da qualidade do sono no controle do nível de glicose no sangue, nove homens e mulheres saudáveis foram monitorados por duas noites consecutivas para verificar seu padrão de sono normal. Depois disso, nas três noites seguintes, a equipe de pesquisadores os acordava com um ruído alto quando eles estavam para entrar em sono profundo. A quantidade total de sono que eles tinham a cada noite, porém, se mantinha a mesma. Após injetarem glicose nos voluntários e medirem seus níveis de açúcar no sangue e a reação da insulina, os pesquisadores descobriram que oito deles haviam se tornado menos sensíveis à insulina, ou seja, em apenas três dias, a habilidade do corpo de regular o açúcar caiu 25%.

“A incapacidade do corpo em reconhecer sinais normais de insulina pode levar a um aumento no nível de açúcar no sangue, ganho de peso e, eventualmente, diabetes do tipo 2” alerta o Dr. José Knoplich, consultor da Probel e doutor em Saúde Pública pela USP. Ele afirma ainda que outras pesquisas já haviam associado a diabetes à falta de sono, mas que esta é a primeira vez que a relação é feita sobre a qualidade do sono.

Segundo a coordenadora da pesquisa, Dra. Esra Tasali, há um aumento alarmante na ocorrência da diabetes do tipo 2 em conseqüência do envelhecimento da população e do aumento da obesidade, e por isso é importante entender os fatores que promovem seu aparecimento.

“Nesse experimento, provocamos o sono de pessoas com 60 anos em jovens com 20 a 30 anos”, explica a Dra. Tasali. “Essa queda no estágio de ondas lentas imita as mudanças nos padrões de sono observadas em pessoas a partir dos 40 anos.” A redução da quantidade de minutos de sono profundo é uma característica do envelhecimento e de desordens normalmente ligadas à obesidade, como a apnéia obstrutiva. Em jovens, tal estágio dura de 80 a 100 minutos; em pessoas com 60 anos, ele toma menos de 20 minutos.

“Os dados da pesquisa mostram uma necessidade de melhorar a qualidade e a quantidade de sono para prevenir ou retardar o desenvolvimento da diabetes do tipo 2 em grupos de risco, além de evitar outras várias doenças associadas a má qualidade do sono”, afirma o Dr. Knoplich.

A Dra. Tasali acrescentou ainda que o sono leve e a diabetes são fatores tipicamente associados ao envelhecimento e disse que mais pesquisas são necessárias para verificar se mudanças na qualidade do sono relacionadas à idade contribuem para essas mudanças metabólicas.

 

 

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