“Ouro” como exemplo de incentivo à prática esportiva

Atletas do Rio 2007 garantem “ouro” como exemplo de incentivo à prática esportiva
 

As cenas emocionantes propiciadas por muitos dos atletas brasileiros durante os XV Jogos Pan-americanos Rio 2007 são um incentivo para aqueles que buscam qualidade de vida, mas que demoram a decidir-se pelo início e modalidade esportiva a qual se dedicar. Vitórias como as de Thiago Pereira – que depois de uma “maratona aquática” na qual pulou por 19 vezes na piscina, entre eliminatórias, semifinais e finais – surpreendem e encantam. O nadador terminou as competições com seis medalhas de ouro, uma de prata e uma de bronze, além de ter estabelecido quatro recordes pan-americanos. A natação foi o esporte que mais contabilizou medalhas de ouro – 12 ao todo – contra 9 do atletismo. O Brasil conquistou no total 161 medalhas – sendo 54 de ouro, 40 de prata e 67 de bronze -, número recorde e 86% superior às 123 medalhas conquistadas na edição anterior dos jogos, realizada em Santo Domingo (República Dominicana), em 2003.

Tais exemplos de superação e sucesso – e outros comumente exibidos em grandes eventos esportivos – muitas vezes são o elemento-chave que impulsiona a pessoa a buscar uma academia ou inscrever os filhos em alguma “escolinha”. Porém, com a intenção ou não de um dia se assemelhar a Thiago Pereira, Marta (medalha de ouro no futebol feminino), Fabiana Murer (ouro e recorde pan-americano em salto com vara feminino) ou Diogo Silva (ouro no Taekwondo masculino até 60 kg), só para citar alguns; o atleta deve observar certos cuidados para garantir a prática esportiva saudável. É recomendável, antes de mais nada, uma visita ao médico a fim de conferir se as condições cardio-respiratórias do esportista estão bem. Em seguida, o treinamento pode ser iniciado, claro, sob a orientação de um profissional gabaritado. Dessa forma, evita-se a incidência de lesões por prática inadequada, excessiva ou sem aquecimento prévio; que constituem as principais causas observadas nos atendimentos em clínicas do esporte.

Diferente do que acontece no esporte profissional, no qual a maioria absoluta dos casos de lesões ocorre por overuse (sobrecarga de exercícios/movimentos das articulações) ou por contato (disputa) com outros competidores. Isso ficou claro nos Jogos Pan-americanos quando atletas como a ginasta Daiane dos Santos e o jogador de handebol Bruno Souza (ambos contundidos no tornozelo esquerdo) foram afastados total ou parcialmente das competições. Mais impressionante ainda foi a torção no joelho esquerdo sofrido por Aline Campeiro diante das câmeras de TV enquanto comemorava o recorde brasileiro do arranque da categoria até 48kg. Isso tirou da atleta a chance de brigar por medalha, logo depois de ela alcançar a marca de 70kg no levantamento de peso.

Só para se ter uma ideia, um levantamento da National and Kapodistrian University of Athens (Grécia), indicou que 42% das lesões sofridas por atletas durante os Jogos Olímpicos de Atenas, em 2004, ocorreram em decorrência de overuse. O departamento de Fisioterapia da Policlínica da Vila Olímpica atendeu entre 30 de julho a 30 de agosto daquele ano, 457
pacientes com idade entre 15 e 72 anos (entre atletas e integrantes de comitivas). As patologias mais comuns foram as lesões ou espasmos musculares (32.5%), seguido pelas tendinites (19.2%) e torção de ligamentos (18.7%). O local mais prevalente de ferimento encontrado foi a coxa (21%) e, em ordem, o joelho (14.1%). As equipes menores – especialmente dos países em desenvolvimento – foram as que mais se valeram do serviço, provavelmente porque as equipes maiores contavam com suporte multidisciplinar de médicos e fisioterapeutas próprios. Nos últimos 15 dias dos jogos olímpicos, período mais intenso de competições, o volume de atendimento do departamento chegou à capacidade máxima.

O overuse – ou super-uso – das articulações do joelho leva à sobrecarga destas estruturas e provoca o aparecimento de inflamações, seguidas de dor e, em muitos casos, inchaço. Excluindo-se as lesões por trauma, as tendinites e as inflamações ao redor da rótula são as mais comuns, principalmente em praticantes de corrida. Já a tendinite patelar, também muito frequente, é a inflamação do tendão que liga a rótula à tíbia. No overuse, nos movimentos com carga excessiva e principalmente nos saltos de ginástica e corridas em terrenos irregulares com descidas, ocorre a inflamação deste tendão. No início, o atleta passa a ter dor localizada abaixo da rótula nos movimentos de saltos e nos agachamentos, porém a dor se mantém após o exercício.

Em casos de agravamento desses quadros, o atleta pode sofrer a ruptura de ligamentos do joelho, fraturas por estresse e rupturas musculares. Medidas como o alongamento adequado, treinamentos bem orientados com menos sobrecarga das articulações e planejar o trabalho mais intenso de treinos em períodos mais próximos às competições contribuem bastante para prevenir a ocorrência de lesões.

Mas isso não é desculpa para o leitor abandonar a ideia de se exercitar. A prática desportiva não é apenas para profissionais ou uma forma de lazer, é uma necessidade para quem pretende ter qualidade de vida e disposição para enfrentar o dia a dia. Quando executada adequadamente, os riscos de lesão diminuem muito.

Para isso, procure a modalidade que mais lhe agrada. Também siga as orientações de especialistas no assunto e mantenha uma programação de exercícios, que podem ser aumentados gradativamente. Dessa forma são evitadas as sobrecargas dos músculos e articulações. Utilize roupas e equipamento adequado ao tipo de esporte praticado – touca e óculos para
natação; capacete e proteções das articulações para ciclismo; tênis adequados ao tipo de pisada para atletismo etc – e faça alongamentos antes e depois do esporte para preparar e aquecer o corpo. O leitor pode até não vir a ser um dos nossos medalhistas nos próximos Jogos Pan-americanos, que acontecerão em Guadalajara (México), em 2011, mas terá alcançado uma das metas que valem ouro quando se trata de bem-estar: uma vida saudável.
                             

Fonte

Ari Zekcer – Médico ortopedista, especialista em medicina esportiva e cirurgia de joelho pela EPM – UNIFESP, diretor da Zekcer Sports Medicine, coordenador da equipe de ortopedia do Hospital São Luiz (SP), membro efetivo de entidades como Sociedade Brasileira de Cirurgia de Joelho (SBCJ), Sociedade Paulista de Medicina Desportiva (SPAMDE) e International Society of Atrhroscopy, Knee Surgery and Orthopaedic Sports Medicine (ISAKOS).

Informações: HYPERLINK “http://www.arizekcer.com.br/”www.arizekcer.com.br
                     

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