Aumento de infecções hospitalares acende luz vermelha
Abimed alerta que casos podem estar relacionados ao reprocessamento de dispositivos médico-hospitalares.
Conforme publicações recentes nos meios de comunicação do país, centenas de pacientes estão sendo vítimas de infecções provocadas pela Mycobacterium abscessus, bactéria que pode aparecer por falta de limpeza e esterilização adequada de dispositivos médico-hospitalares reutilizados. A infecção, que
já fez mais de 400 vítimas no Rio de Janeiro desde o final do ano passado, provoca lesões avermelhadas na pele, que se transformam em feridas, e pode levar à morte. O Pará tem registros desde 2003. São mais de 300 casos suspeitos, com 91 confirmados. Em Goiás, são mais de 200 notificações e 33
delas confirmadas.
Diante desse quadro, a Associação Brasileira dos Importadores de Equipamentos, Produtos e Suprimentos Médico-Hospitalares (Abimed) faz um alerta público sobre os riscos para a saúde decorrentes da utilização de dispositivos médico-hospitalares reprocessados. A falta dos devidos cuidados pode resultar em infecções.
O reaproveitamento ou reutilização de dispositivos hospitalares é um assunto polêmico dos sistemas de saúde em todo o mundo. No Brasil, a Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) revisou recentemente a legislação sobre o
reprocessamento com a edição de três novas resoluções: a
<http://www.anvisa.gov.br/legis/resol/2006/rdc/156_06rdc.htm> RDC 156/06 e as REs 2605/06 e 2606/06.
A RE 2605/06, lista 66 produtos médicos de uso único cujo reprocessamento não é permitido. Já s RE 2606/06 estabelece parâmetros como guia de protocolos a serem adotados pelos estabelecimentos que fazem o reprocessamento, visando garantir a segurança e a eficácia dos produtos semelhantes às suas condições originais. A RDC 156/06 dispõe sobre a
rotulagem e o registro dos produtos e outras adequações voltadas para as indústrias. De acordo com estas regulamentações, a Anvisa define os produtos como “produtos com reprocessamento proibido” e “produtos passíveis de reprocessamento”.
O presidente da Abimed, Aurimar José Pinto, ressalta que os hospitais, clínicas e todos os profissionais envolvidos no setor de saúde devem averiguar a procedência dos produtos utilizados. “Utilizar produtos reprocessados fora das normas estabelecidas representa um iminente risco à vida do paciente. Todo o sistema de saúde brasileiro deve estar atento aos
riscos da reutilização de dispositivos médicos. Cada cidadão deve considerar-se usuário potencial, e como tal, servir de agente fiscalizador desta prática”, alerta.
Aurimar recomenda que as empresas fabricantes e distribuidoras reforcem junto aos seus clientes, prestadores de serviço de saúde, quanto a responsabilidade para com a qualidade dos produtos reprocessados, conforme fica explicito na RDC 156/06.
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