Cuidado com os inibidores de apetite

Médicos alertam para uso indiscriminado do medicamento e estudo indica que a sibutramina eleva o risco cardiovascular.

Eles têm diversos nomes e não é difícil encontrar nas farmácias diferentes preços dos inibidores de apetite com sibutramina, princípio ativo que aumenta a sensação de saciedade e que é utilizado em tratamentos para emagrecimento.  Embora o consumo da substância dependa da avaliação do especialista médico, muitas pessoas acreditam numa matemática aparentemente simples: o uso do medicamento vai cortar a fome para que se chegue ao corpo dos sonhos. O problema não está na droga e sim na falsa ideia criada em torno dela.

Inibidores de apetite são drogas de auxílio no emagrecimento e o seu uso não substitui a necessidade de um controle alimentar adequado. Além disso, o comprimido pode não promover o efeito esperado e, mesmo que ele diminua o apetite, o efeito pode acabar assim que o uso é interrompido. Por isso, os médicos se preocupam cada vez mais com a busca desenfreada por estes recursos para emagrecer.

“Grande parte do sucesso de um tratamento está no comportamento. O primeiro trabalho é entender que não há como obter resultados rápidos e satisfatórios, buscando perder peso a qualquer custo, sem dispender esforço. A fórmula certa é a dieta bem feita combinada à atividade física”, diz  o Dr. Alex Leite.

Em dezembro do ano passado, um estudo feito com 10 mil pacientes com fatores de risco cardiovasculares, nos EUA, mostrou que a sibutramina também aumenta chances de infarto e de derrame. A investigação, realizada em larga escala e conhecida como Scout, revelou que 11,4% dos que tomaram sibutramina sofreram paradas cardíacas ou derrames.

“O uso do remédio não precisa ser banido por causa deste novo resultado do Scout porque a segurança do medicamento foi bem estudada. O importante é observar que a medicação foi usada em um grupo de pessoas que não deveria estar recebendo tal medicação”, ressalta Dr. Alex Leite.

Como a sibutramina age no organismo

O FDA, órgão norte-americano que regula a comercialização de medicamentos nos EUA, aprovou o uso da sibutramina para o tratamento da obesidade no ano de 1997. O princípio ativo atua diretamente no sistema nervoso central e a ‘falta de fome’ ocorre porque a substância inibe em 73% a absorção da serotonina, em 54% da norepinefrina e em 16% da dopamina, neurotransmissores envolvidos no controle do apetite, bem-estar e prazer. “A sibutramina e seus metabólicos promovem uma maior permanência da serotonina e da noradrenalina nas sinapses nervosas e, dessa forma, aumentando a saciedade”, esclarece o endocrinologista.

O uso do medicamento depende de uma análise criteriosa do paciente, que inclui o detalhamento da existência de fatores de risco cardiovascular como história de infarto na família e derrame prévios, incluindo a hipertensão arterial.

Outro ponto importante é entender que possivelmente o ideal de beleza que move a busca por um tratamento muitas vezes não é obtido. “O sucesso no emagrecimento depende de características genéticas individuais e dos hábitos que a pessoa manteve a vida inteira. Em casos de sucesso na redução do peso, a retirada da droga deve ser gradativa para promover a manutenção dos resultados obtidos”, finaliza o endocrinologista.

Fonte

Alex Leite – Médico endocrinologista do Hospital e Maternidade São Luiz.

Sobre o Hospital e Maternidade São Luiz
 
Um dos mais avançados e maiores hospitais do país, o São Luiz é composto por três unidades (Itaim, Morumbi e Anália Franco) e é referência nacional como hospital geral, pronto-atendimento, diagnósticos e maternidade. Desde 2001, é o hospital oficial do Grande Prêmio do Brasil de Fórmula 1. O Hospital ainda conta com programas de Gestão de Qualidade e três Centros de Estudos, um em cada unidade.
 
www.saoluiz.com.br

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Outras Informações

CDI – Comunicação Corporativa
Suzana Esper – 11. 3817-7980 – suzana.esper@cdicom.com.br
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Artrite e exercício físico, como proceder?

 Existem mais de 100 formas de artrite e outras doenças reumáticas. Essas enfermidades podem causar dor, rigidez e inchaço nas articulações e outras estruturas de apoio do corpo como músculos, tendões, ligamentos e ossos.

Algumas formas também podem afetar outras partes do corpo incluindo órgãos internos.

Exemplos de doenças reumáticas

• Osteoartrite
• Artrite reumatoide
• Fibromialgia
• Lúpus eritematoso sistêmico
• Escleroderma
• Artrite reumatoide juvenil
• Espondilite anquilosante
• Gota

Estudos têm mostrado que exercícios físicos ajudam pessoas com artrite de várias formas, contribuindo para o bem estar do individuo. Os exercícios físicos diminuem a rigidez articular e a dor, aumentam a flexibilidade e a força muscular, melhoram a saúde do coração e reduzem o peso corporal.
 
 Dessa forma, os exercícios são uma parte essencial no tratamento amplo para a artrite. Planos de tratamento podem incluir descanso e relaxamento, dieta apropriada, medicação, e orientação sobre o melhor uso das articulações e modos de conservar energia (ou seja, não desperdiçar movimentos), assim como a utilização de métodos para aliviar a dor.

Em um tratamento não medicamentoso para o quadro de artrite, podemos incluir três tipos diferentes de exercício:

Exercícios de extensão de movimento, ou seja, movimentos amplos que darão mobilidade articular (por exemplo alongamentos, estáticos e dinâmicos) que irão ajudar a manter a movimentação normal das articulações e aliviar a rigidez. Esse tipo de exercício ajuda a manter ou elevar a flexibilidade.

Exercícios de força (por exemplo musculação) ajudam a manter ou aumentar a força muscular. Músculos fortes ajudar a dar apoio e proteger as articulações afetadas pela artrite.

Exercícios aeróbicos ou de resistência (por exemplo andar de bicicleta) elevam o condicionamento cardiovascular, auxiliam no controle de peso e melhoram as funções gerais. O controle de peso pode ser importante para pessoas que têm artrite devido à pressão a mais do peso extra em várias articulações. Alguns estudos mostram que o exercício aeróbico pode reduzir a inflamação em algumas articulações.

Como todo tipo de tratamento, devem ser seguidas algumas orientações para a obtenção de um resultado eficaz e que não seja prejudicial para a saúde.

Sugerimos algumas orientações

* Procure um profissional especializado;
* Faça alongamento e aquecimento com exercícios de amplitude de movimento;
* Comece os exercícios de musculação devagar e com pesos leves (um peso de 0,5-1,0 kg pode fazer uma grande diferença);
* Progrida devagar;
* Adicione exercícios aeróbicos;
* Pegue mais leve se as articulações ficarem doloridas, inflamadas ou com vermelhidão, e procure a causa com seu médico para eliminá-la;
* Escolha o programa de exercícios que mais goste e faça dele um hábito.

Esses tipos de exercícios podem ser realizados com as seguintes frequências

* Exercícios de extensão de movimento podem ser feitos pelo menos a cada dois dias;
* Exercícios de força podem ser realizados a cada dois dias a não ser que tenha dor severa ou inchaço nas articulações;
* Exercícios aeróbicos devem ser feitos de 20 a 30 minutos três vezes por semana a menos que tenha dor severa ou inchaço nas articulações. De acordo com a American College of Rheumatology, rotinas de 20-30 minutos pode ser feitas em incrementos de 10 minutos no curso do dia.

Assim, como qualquer outro tipo de tratamento, deve-se tomar cuidado com os excessos, exercícios intensos e/ou prolongados causam dor. Pessoas com artrite devem ter um acompanhamento personalizado para ajustar o programa de exercícios quando notarem alguns dos seguintes sintomas de exercício extenuante:

* Fadiga incomum ou persistente;
* Fraqueza elevada;
* Extensão de movimento diminuída;
* Aumento do inchaço na articulação;
* Dor contínua (dor que dura mais de 1 hora depois do exercício).

Nos quadros de uma crise seja ela geral ou local é apropriado colocar as articulações suavemente em suas amplitudes totais de movimento uma vez por dia, com períodos de repouso, durante crises agudas sistemáticas ou crises locais. O paciente pode conversar com seu médico sobre a melhor quantidade de repouso durante crises gerais ou de uma articulação.

Fonte

Cesar Miguel Momesso dos Santos – Professor de Educação Física (Msdo.), Personal Trainner, Especialista em Fisiologia do Exercício e Biomecânica do Aparelho Locomotor.
CREF: 05927-G/SP
Contato: 11 9548-6706
miguelmomesso@hotmail.com

Verão pede cuidados com a saúde respiratória

Especialista sugere atenção para as idas às casas de praia e campo, fechadas há tanto tempo, e alerta para a correta utilização de aparelhos de ar-condicionado.

Os dois principais problemas respiratórios no verão estão relacionados ao paciente portador de doença respiratória, que cessa ou reduz por conta própria o tratamento medicamentoso de sua doença de base, uma vez que apresenta melhora de seus sintomas.

A outra questão é a alta exposição destes indivíduos ao mofo e poeiras, especialmente nas casas de praia e campo, onde passam as férias.

“A umidade não é propriamente o problema. O perigo está nos fungos proliferados com a umidade, que não somente causam as infecções respiratórias, mas também inflamação do tecido pulmonar, que pode levar a internações e outras complicações respiratórias”, explica dr. Eduardo Henrique Genofre.

No inverno, o tempo mais seco agride as vias aéreas. Já no verão, com mais chuvas e ventos, quem tem doença respiratória de base sofre mais pela oscilação de temperatura do que pelo clima. Essas mudanças provocam o aumento da incidência de resfriado, faringite e até pneumonia.

Ar-condicionado e ventiladores: vilões

Aparelhos de ar-condicionado são também vilões desta época do ano. Por causa deles, os cílios responsáveis pela limpeza da mucosa respiratória ficam mais lentos, acumulando o muco protetor nas vias áreas e, como consequência disto, as bactérias e os vírus conseguem se implantar nestas regiões.

Estes aparelhos devem passar por uma limpeza frequente para evitar a proliferação de ácaros, fungos e bactérias que se acumulam nos filtros do aparelho e são liberados no ar. Eles podem invadir as vias aéreas criando lesões inflamatórias/infecciosas, como as pneumonias ou alergias. Um adulto gripado que trabalha num escritório fechado com aparelho de ar-condicionado ligado pode disseminar o vírus para aproximadamente 70% das pessoas daquele ambiente.

Recomendações

O dr. Eduardo oferece algumas dicas para passar o verão sem sustos:

* Tomar grandes doses líquidos para hidratar o corpo;
* Lavar as narinas com soro fisiológico ou medicamento específico para esse fim;
* Evitar o choque térmico das altas temperaturas em lugares abertos e clima frio em ambientes com ar-condicionado de maneira sucessiva;
* Pratique exercícios físicos regularmente, que ajudam a melhorar a respiração e a saúde;
* Mantenha a casa limpa e arejada, inclusive as de praia e campo, que passam a maior parte do ano fechadas. Se possível, manter a casa aberta e bem ventilada algumas horas antes de entrar nela.

Fonte

Eduardo Henrique Genofre – Médico pneumologista, diretor da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia.

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Cursos na área de Reprodução Humana

Instituto Sapientiae e Escola Paulista de Medicina oferecem cursos na área de Reprodução Humana.

Brasil é referência Latino-Americana na Área de Reprodução Humana com formação profissional igual aos países do primeiro mundo.

Foi-se o tempo em que os interessados em fazer um curso de Reprodução Humana eram obrigados a viajar para estudar nos grandes centros da Europa ou dos Estados Unidos. Hoje é possível fazer uma pós-graduação com qualidade internacional, sem sair do Brasil, reconhecido pelo Ministério da Educação e Cultura (MEC).

Nos últimos anos, a evolução das pesquisas nos tratamentos de infertilidade transformou o Brasil numa referência Latino-Americana no assunto. O alto nível dos trabalhos apresentados pelos profissionais brasileiros nos Congressos Internacionais despertou a atenção da Sociedade Internacional de Reprodução Humana, influenciando na escolha da cidade de São Paulo para ser a sede do próximo congresso, agendado para 2014.

A infraestrutura dos cursos de pós-graduação oferecidos no País é comparada aos grandes centros de reprodução humana dos países do primeiro mundo, refletindo na formação profissional. Os cursos do Instituto Sapientiae e da Escola Paulista de Medicina são os melhores exemplos.

Há seis anos, o Instituto Sapientiae – uma entidade assistencial e educacional sem fins lucrativos – oferece o curso de Pós-Graduação Lato-Sensu em Reprodução Humana Assistida (RHA). É o único que oferece disciplinas complementares em Administração e Controle de Centros de Reprodução Humana Assistida, Marketing, Bioética, Psicologia e Metodologia Científica. “As disciplinas complementares corrigem as defasagens que muitos alunos tiveram nos cursos de graduação. Se o aluno não domina outro idioma, indicamos as aulas opcionais de inglês instrumental para leitura de textos científicos”, afirma dr. Edson Borges – Urologista com Especialização em Reprodução Humana e Professor do Instituto Sapientiae.

Dividido em dois módulos, o aluno aprende todos os processos de um tratamento de infertilidade, desde a parte teórica até a prática. Os estágios são no Centro de Fertilização Assistida Fertility, parceiro da instituição.

O Módulo Clínico, direcionado para profissionais graduados em Medicina, possui carga horária de 522 horas. Na grade curricular inclui Andrologia Clínica em RHA, Ginecologia Clínica em RHA, Imagem em RHA, Laboratório em RHA para Clínicos, Seguimento Obstétrico em RHA, Medicina reprodutiva para Clínicos, Tecnologia e Infertilidade, Fisiologia Reprodutiva Aplicada a RHA, Embriologia Clínica, Genética da Infertilidade, Psicologia Aplicada à RHA e Discussão de Casos.

Já o Módulo Laboratório – específico para biólogos, biomédicos e profissionais da área da saúde – a carga horária é de 470 horas com matérias de Medicina Reprodutiva para Embriologistas e Laboratório em RHA. 

Este ano, o Instituto Sapientiae ministrará o primeiro curso de pós-graduação em Enfermagem para área de Reprodução Humana. Os alunos aprenderão todos os procedimentos: desde a coleta de exames até a transferência de embriões. O curso possui carga horária de 188 horas com aulas de Administração e Controle em RHA; Metodologia Científica, Tecnologia e Infertilidade, Fisiologia Reprodutiva Aplicada a RHA, Embriologia Clínica, Genética da Infertilidade, Psicologia aplicada à RHA, Discussão de Casos, Medicina Reprodutiva, Legislação e Ética em RHA para Enfermeiros, A Enfermagem nas Etapas do Tratamento de RHA, Centro Cirúrgico em RHA e Estágio no Centro de Fertilização Assistida Fertility.

Referência no atendimento de casais inférteis, há quatro anos a Escola Paulista de Medicina, com o apoio da Academia Merck Serono, desenvolveu um curso para ginecologistas, urologistas e endocrinologistas interessados em trabalhar com reprodução humana e tratamentos de infertilidade. A proposta é atender profissionais que querem conhecer os processos e técnicas de reprodução humana, mas não podem ficar meses longe do consultório. Em duas semanas o médico aprende os procedimentos de atendimento e encaminhamento de pacientes com problemas para engravidar, medicação, infraestrutura de uma clínica de reprodução humana e noções das técnicas de reprodução assistida. Mas não o qualifica para fazer cirurgias, ultrassons e punção ovariana. “Recebemos profissionais de todas as partes do Brasil com níveis de conhecimento diferentes: desde os que querem conhecer melhor os processos e técnicas de reprodução assistida, até os interessados em montar uma clínica”, conclui dr. Renato Fraietta, Setor de Reprodução Humana do Hospital São Paulo vinculado a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

O curso de Reprodução Humana da Escola Paulista de Medicina é gratuito. Acontece quinzenalmente com turmas de dois alunos. Para se inscrever é simples.  O médico liga no 0800 11 33 20, uma atendente faz o cadastro, informa as datas disponíveis e conclui a inscrição.

O interesse dos médicos é tão grande que muitos participam das reuniões semanais do setor. Todas as quintas-feiras, das 11h30 às 12h45, a Escola Paulista de Medicina promove reuniões abertas com o tema reprodução humana. Uma equipe formada por ex-alunos do curso de reprodução humana, ginecologistas, urologistas, endocrinologistas, psicólogos, radiologistas, enfermeiros, biomédicos e embriologistas discutem casos clínicos de infertilidade. Temas como fatores genéticos, alterações seminais, soluções para paciente engravidar, quais os melhores processos, o trabalho do embriologista em cada situação e os riscos inerentes de cada técnicas são avaliados nos encontros. “Nas reuniões abordamos um caso de ponta-a-ponta, estudando todas as possíveis causas que levou o casal a infertilidade como uma equipe multidisciplinar. Tudo de forma espontânea”, afirma dr. Fraietta.  Um exercício de democracia em prol da vida.

Serviço:

Instituto Sapientiae
Tel: (11) 3887-2628
End.: R. Vieira Maciel, 62 – Jd. Paulista – São Paulo SP
Site: www.sapientiae.org.br

Escola Paulista de Medicina – Unifesp
Curso de Reprodução Humana
Duração: 15 dias
Público: profissionais graduados em ginecologia, urologia e endocrinologia.

Inscrições: 0800 11 33 20

Sobre o Programa Acesso

O Programa Acesso apoia a especialização e o contínuo aperfeiçoamento dos profissionais da área de Reprodução Humana. Criado em 2006 pela Vidalink, empresa líder do mercado de Gestão de Benefícios de Medicamentos, o Acesso conta com o apoio de 72 clínicas em 31 cidades brasileiras e do laboratório Merck Serono.  Para fazer parte do Programa, o primeiro passo é agendar uma consulta nas clínicas participantes e retirar um formulário de inscrição. Nele, encontram-se todas as informações e orientações necessárias para o envio da documentação. Após a avaliação da capacidade econômica do casal, a Vidalink tem até dez dias úteis para dar um retorno ao paciente sobre sua aprovação no programa. No caso da inclusão, o paciente é encaminhado para o Programa Acesso e para a clínica, que inicia o tratamento com desconto de até 50% nos medicamentos para infertilidade e a possibilidade de abatimento nas despesas de atendimento médico.

Mais informações no site www.queroterumfilho.com.br ou pelo telefone 0800 11 33 21.

Sobre a Escola Paulista de Medicina

Fundada em 1933, a Escola Paulista de Medicina está vinculada a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).  Há 20 anos, criou o Setor Integrado de Reprodução Humana que revolucionou o atendimento de homens e mulheres com problema de infertilidade. Nas disciplinas de Urologia e Ginecologia o casal passou a ser o centro de estudo dos tratamentos de reprodução humana. Hoje alunos, residentes, pós-graduados que comparecem ao setor são capacitados para trabalharem na área de Medicina Reprodutiva com foco em casais inférteis. As aulas são ministradas no Hospital São Paulo.

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Informações

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Descomplicando a Dermatite Atópica (D.A)

Descomplicando a Dermatite Atópica (D.A)

Fernanda Aparecida de Ornelas (1)
Marilda Ribeiro Yago (2)

1 – Docente da Universidade Católica de Santos.
2 – Fisioterapeuta pela Universidade Católica de Santos, aluna de pós graduação em Fisiologia do Exercício pela Unifesp.

1. O que é Dermatite Atópica (D.A)?

A Dermatite Atópica (DA) é uma doença inflamatória da pele, de caráter crônico e recidivante, sua característica é pele seca, com lesões de distribuição e morfologia típica que podem sofrer alterações no decorrer de sua evolução, ocorrendo em qualquer idade, em especial nos indivíduos com história pessoal ou familiar de doenças atópicas, como a rinite, a asma e a própria DA, as quais formam a tríade atópica (OTERO et al, 2005).

A tríade atópica pode ser classificada em mista ou pura. A mista manifesta-se por quadro respiratório, enquanto a pura não apresenta doença respiratória associada (PIRES, CESTARI et al, 2005).

Dermatite é o termo utilizado para designar a inflamação das camadas superiores da pele, levando à produção de rubor, bolhas, edema, secreção, crostas, descamações e geralmente, prurido (ARNDT, 1990).

 Atopia é o termo que designa alergias manifestadas principalmente no sistema respiratório e na pele (dermatite ou eczema). A tendência para desenvolver atopia é congênita, e vai depender da interação do indivíduo com o ambiente (CASTRO, 2001).

É uma doença muito comum, encontrada mais nas áreas urbanas. Inicia-se geralmente no primeiro ano de vida e pode evoluir para cronicidade, alternando períodos de melhora e piora do quadro clínico. A causa exata desta Dermatite Atópica ainda é desconhecida (AADA, 2005).

2. Quais os sinais e sintomas da Dermatite Atópica?

Na Dermatite Atópica sua base clínica é o prurido e xerose como sintomas e o eczema como sinal (OTERO et al, 2005).

O prurido, que pode ser moderado ou intenso, é um sintoma constante, de sensação desagradável, estando presente em todas as fases da DA. Está relacionado à liberação de mediadores inflamatórios como: histamina, interleucinas, proteases, quininas, prostaglandinas, neuropeptídeos e acetilcolina. Este sintoma é tão importante, que sua ausência torna questionável o diagnóstico de DA. Pode variar de localização, intensidade, ocorrendo geralmente em surtos (BOLOGNA, 2003).

Os atópicos têm um limiar de prurido baixo, o que os leva, diante da intensa
coceira, a sofrerem interferência no sono e nas atividades diurnas. (OLIVEIRA & CESTARI, 2005).

Quase invariavelmente, ocorre a constatação da xerose nos indivíduos atópicos. Embora ainda não exista uma definição exata, esta característica é identificada como uma pele seca, de descamação fina, afetando grande parte da superfície corpórea. A xerose pode durar por toda a vida e modificar-se de acordo com as variações sazonais (OTERO et al, 2005).

Outros fatores podem contribuir para a ocorrência da xerose, como as alterações sudorais e alterações do manto lipídico cutâneo. Comparado a indivíduos normais, alguns estudos demonstraram que em atópicos havia uma diminuição da secreção sebácea. Em estudos histológicos do couro cabeludo de crianças atópicas, verificou-se diminuição do número e tamanho das glândulas sebáceas (SAMPAIO & RIVITTI, 2001).

O eczema também faz parte das manifestações clínicas da DA, referindo-se a presença de vesículas na pele, observadas nas fases iniciais da doença. O eritema é a primeira alteração observada, seguida pelo prurido que induz à coceira, levando ao eczema nas primeiras 24 horas. O aumento da velocidade da substituição epidérmica pela inflamação gera a descamação da pele, aumentada pela xerose típica da pele atópica (OTERO et al, 2005).

As manifestações clínicas da DA possuem características peculiares, compreendendo três fases evolutivas, caracterizadas quanto à morfologia e à localização das lesões: infantil (3 meses aos 2 anos); pré-puberal (2 aos 12 anos); adolescência e adulto (a partir dos 12 anos) (PIRES, CESTARI et al, 2005).

A Dermatite Atópica do Lactente manifesta-se como lesões vesicossecretantes-crostosas, surgindo a partir do terceiro mês de vida. Localizam-se na face predominantemente, especialmente no couro cabeludo e nas regiões dos malares. Podem permanecer localizadas nessas áreas ou estender-se por toda face, pescoço, superfície de extensão dos membros e, em quadros mais graves, generalizar-se. O estado de agitação na criança e a dificuldade de manter o sono são determinados pelo prurido que, frequentemente, é intenso. As lesões nesta fase normalmente são exsudativas, com menor predisposição para liquenificação (espessamento e escoriação da pele). Evoluem por surtos, podendo regredir completamente, apenas melhorar ou persistir com maior ou menor intensidade (BONIFAZI & MENEGHINI, 1989).

A Dermatite Atópica Infantil tanto pode ser uma continuidade da DA do lactente, como surgir meses ou até anos após o desaparecimento deste. O acometimento ocorre, principalmente, nas áreas consideradas marcadores da doença: regiões de dobras, como a antecubital e poplítea. Face, pescoço, punhos, nádegas, face posterior da coxa e dorso das mãos e dos pé são também comumente afetados, sendo que as mãos e pés podem apresentar distrofias ungueais e fissuras dolorosas. Caracteriza-se por dermatite crônica com áreas de liquenificação, escoriações e crostas.  Apresenta, na sua evolução, surtos de agudização com eritema, vesiculação e secreção, podendo ocorrer generalização das lesões. O prurido é variável, mas geralmente contínuo e intenso o que leva à coçadura e, consequentemente, às escoriações.  (BONIFAZI & MENEGHINI, 1989).

A Dermatite atópica do adolescente e do adulto acomete, preferencialmente, as áreas de flexão como cervical, antecubital e poplítea, ocorrendo também com frequência em punhos, mãos e mamilos. A região da face geralmente é acometida, caracterizando-se por eritema ou palidez, e lesões eczematosas, principalmente nas regiões perioral e periorbital. A tendência das lesões é que sejam mais difusas, eritematosas, descamativas e pouco exsudativas. O prurido é intenso, o que leva a escoriações e liquenificação. A xerose de pele é grande, apresentando-se com descamação fina disseminada e a ocorrência da evolução por surtos, alternado com períodos de melhora e agudização (BONIFAZI & MENEGHINI, 1989).

Passada a infância, pode ocorrer o desaparecimento total das lesões, mas geralmente, a doença tem curso crônico, de longa duração, apresentando períodos de melhora e de piora. É comum após o desaparecimento da dermatite atópica, ocorrer a substituição desta por uma das outras formas de apresentação da atopia. Pode, entretanto, reaparecer na idade adulta com características de pele xerótica e irritada (PITREZ & PITREZ, 1998).

Como se apresenta o diagnóstico e a avaliação da Dermatite Atópica?
 Devido ao seu variado espectro clínico, a DA tem diagnóstico realizado por uma anamnese e de um exame clínico minucioso.

Hanifin e Rajka, em 1980, estabeleceram, pela primeira vez, critérios para o diagnóstico da DA, divididos em maiores e menores. De acordo com essa classificação, o paciente deve apresentar três ou mais critérios maiores, além de três ou mais critérios menores. Embora novas propostas diagnósticas tenham sido realizadas, a classificação de Hanifin e Rajka e seus critérios continuam sendo os mais utilizados (PIRES, CESTARI et al, 2005).

Quanto a avaliação da gravidade, um dos índices mais utilizados para fins de pesquisa é o SCORAD.

3. O que é o Scorad?

O SCORing Atopic Dermatitis (Graduando a Dermatite Atópica) é uma das ferramentas clínicas aplicadas para avaliar a severidade da DA da forma mais objetiva possível. É constituído por três critérios que quantificam a extensão da superfície corpórea afetada, a intensidade de seis sinais clínicos e sintomas subjetivos de prurido e perda de sono (Consenso Latino-americano de Dermatite Atópica, 2005).

A extensão da superfície corpórea afetada, adaptada a partir da regra dos nove utilizada nos pacientes queimados, é realizada através da avaliação dos sinais da DA em duas figuras que representam o lado anterior e posterior do corpo humano. Cada segmento do corpo equivale a um percentual estabelecido. Na intensidade dos seis sinais clínicos foram avaliados: eritema, papulação/edema, crostas/exudação, escoriações, liquenificação e xerose na pele não afetada, avaliados em uma escala de 0 a 3. Nos sintomas subjetivos, o paciente avalia o prurido e a insônia com uma escala de 0 a 10, onde 0 é a intensidade mínima e 10 a máxima  (PIRES, CESTARI et al, 2005).

4. Quais o fatores desencadeantes da Dermatite Atópica?

Fatores desencadeantes são determinadas substâncias ou condições que podem estimular o aparecimento ou a piora da DA.

Sabe-se que a origem da dermatite atópica envolve interações entre a hereditariedade e o meio ambiente. É necessário compreender que, para prevenir o desenvolvimento da dermatose em pessoas predispostas, necessitamos entender os fatores principais desencadeantes. Identificar e eliminar estes fatores é fundamental para o controle da doença (PIRES, CESTARI et al, 2005).

 Os fatores desencadeantes podem ser: alérgicos-irritativos, físicos, agentes infecciosos e fatores emocionais. Alimentos, ácaros, sabões, cosméticos, roupa de lã e banhos prolongados são fatores que podem ser considerados alérgicos-irritantes. Temperaturas extremas, baixa umidade e exercícios físicos que provoquem a sudorese,   representam fatores físicos. A piora no quadro da DA também pode ser desencadeada por infecções sistêmicas ou cutâneas, como a causada pelo Staphylococcus aureus ou pela Malassezia sp. Em relação aos fatores emocionais, tanto os positivos como os negativos podem ser desencadeantes, junto com a qualidade das relações sociais e expectativas em relação ao tratamento (PIRES, CESTARI et al, 2005).

5. Quais os cuidados que o paciente deve ter na Dermatite Atópica?

Ainda não existem tratamentos que curem a dermatite atópica, mas há o controle gradual das crises até seu desaparecimento.

1- Combater o ressecamento da pele,
2- Controlar o prurido e
3- Combater a infecção

Estas são medidas básicas para controlar as crises. Devido à perda transdérmica de água aumentada, a pele do atópico tende a xerose e à irritação. Por este motivo longos banhos quentes acentuam o ressecamento da pele, tornando-a mais vulnerável ao aparecimento da dermatite. Com isso, substâncias irritantes do meio ambiente, como poeira, produtos de limpeza, fungos e bactérias, penetram mais facilmente, causando vermelhidão e coceira intensa. Há outros fatores desencadeantes, como o estresse, a maior permanência em ambientes fechados e, em alguns casos, certos tipos de alimentos (PIRES, CESTARI et al, 2005).

Deve-se também ficar atento ao ambiente onde a criança passa o maior tempo. Um lugar arejado, com poucos móveis e cortinas e, se possível, sem tapetes, carpetes e bichos de pelúcia, auxiliam na higiene ambiental (CARVALHO e col, 1996).

Alguns fatores que desencadeiam as doenças atópicas como pó doméstico, pólen e pelos de animais são substâncias difíceis de serem identificadas, o que dificulta a comprovação de sua ação nos pacientes com dermatite atópica. Em relação às alergias alimentares, estudos recentes demonstraram que, aproximadamente, 10% das crianças abaixo de cinco anos poderia se beneficiar com uma dieta de restrição adequada (AADA).

6. Quais as complicações na Dermatite Atópica?

Com a imunidade cutânea diminuída e a possível barreira cutânea defeituosa,  vários indivíduos com DA podem desenvolver infecções, estimulando ou complicando a doença (OTERO et al, 2005).

A impetiginização por Staphylococcus aureus é bastante comum. Leva ao aparecimento de pústulas, exsudação e crostas. Outras infecções comuns na DA são as verrugas virais, o molusco contagioso e o herpes simples. Este último pode se disseminar no terreno atópico e levar ao quadro conhecido como erupção variceliforme de Kaposi (PITREZ & PITREZ, 1998).

É descrito também que a prevalência de infecção micótica por Trichophyton rubr é maior em adultos atópicos do que em não atópicos (FREEDBERG, EISEN et al, 2003).

Sendo assim, é essencial o controle da colonização, bem como o tratamento dos processos infecciosos para o melhor controle da Dermatite Atópica.

7. Como se apresenta os fatores psicológicos de uma paciente com Dermatite Atópica?

Um dos desencadeantes mais frequentes na DA é o estresse emocional. A ansiedade, frustração e tristeza podem levar à exacerbação da inflamação da pele e do prurido (AOKI & TAKAOKA, 2005).

São fatores que podem contribuir de forma importante para a piora da DA, levando ao aumento do prurido e a sérios problemas de distúrbios do sono, afetando a criança e os pais. Existe também um alto grau de expectativa em relação ao tratamento, gerando muita ansiedade. É essencial a orientação dos pais sobre a doença e as perspectivas em relação ao tratamento, sendo indicada, em certos casos, a psicoterapia (CARVALHO e col, 1996).

8. Quais os tratamentos clínicos na Dermatite Atópica?

Por se tratar de uma doença crônica, seu tratamento deve ser planejado com perspectiva de longo prazo, pois o objetivo é controle da dermatite através da melhora dos sinais e sintomas e da prevenção das recidivas e das exacerbações (PIRES, CESTARI et al, 2005).

O tratamento será focado em fatores exacerbantes, e dentre eles encontramos as infecções cutâneas que deverão ser tratadas com a introdução de antibioticoterapia sistêmica e, se possível, realizar uma cultura e antibiograma para confirma a eficácia do antibiótico. A utilização de corticóides tópicos é recomendada. Substâncias irritantes de modo geral devem ser evitadas. Para o controle do prurido, anti-histamínicos sistêmicos de primeira geração devem ser ministrados, devido ao seu leve efeito sedativo. Já a pele seca, que é um dos fatores que mais contribuem para a piora da DA, pode ser melhorada com a utilização de emolientes ou hidratantes logo após o banho. Durante o banho deve ser utilizado sabonete neutro de glicerina ou que seja feito a base de óleos naturais. De preferência deve-se usar emolientes por conterem uma maior quantidade de óleo, devendo-se evitar loções ou géis por terem alto poder secativo (CARVALHO e col, 1996).

A fototerapia pode melhorar o quadro em formas resistentes e crônicas, sendo utilizados os raios UVA a UVB. A utilização de imunossupressores em formas graves e resistentes pode ser indicada (SAMPAIO & RIVITTI, 2001).

Indica-se a internação hospitalar com o objetivo de interromper um ciclo de inflamação crônica, podendo ser benéfica quando há possibilidade de fator ambiental suspeito, falta de sono, hostilidade em relação à criança ou abandono de tratamento. Faz-se necessária a orientação e aconselhamento dos pais durante a internação, para que não se repita o ciclo que desencadeou a piora do quadro do atópico (CARVALHO,1996).

Outras formas de tratamento não convencionais vêm sendo utilizadas na busca de uma melhora do quadro clínico do atópico, como a Homeopatia, Medicina Tradicional Chinesa, Acupuntura e Dieta (PIRES, CESTARI et al, 2005).

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